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Mundial: clima de Emirados Árabes contagia torcida gremista

Na Arena, “sheik” vindo de São Paulo aproveitou para vender faixa comemorativa em árabe; PF registrou aumento nos atendimentos para emissão de passaporte

Por Paula Sperb
Atualizado em 1 dez 2017, 14h59 - Publicado em 30 nov 2017, 19h45

Buscando a segunda vitória no Mundial de Clubes, o Grêmio embarca para os Emirados Árabes na próxima semana após ser campeão da Libertadores. Os tricolores irão jogar as semifinais em Dubai e, se vencerem, jogarão também em Abu Dhabi.

Por isso, no entorno da Arena, em Porto Alegre, o clima já era de “península arábica” nesta quinta, quando a delegação gremista foi recebida pelos torcedores. Um comerciante simulou as vestes dos homens árabes, com véu e tira para prendê-lo, além de túnica. Porém, toda a vestimenta foi improvisada com a temática do tricolor. No lugar do véu e túnica, bandeiras do Grêmio. Para prender o véu, uma faixa comemorativa com inscrição em árabe e também em português. O “sheik” é o vendedor Reginaldo de Souza, de 50 anos, que estava vendendo as faixas com a temática árabe por 5 reais.

Em português está escrito “tri campeão da Libertadores“. Os dizeres em árabe, entretanto, não são uma tradução literal do que aparece em português na faixa. Segundo o sírio Milad Lhaddad, de 37 anos, o que está escrito na faixa é “Nós estamos nos Emirados Árabes”. Lhaddad é natural de Damasco, capital da Síria, e veio ao Brasil há três anos. Ele vende, com a família, comida árabe em Brasília, próximo à Câmara dos Deputados. Se para brasileiros entender árabe é complicado, o contrário não é a realidade para Lhaddad. “É fácil falar português. Brasil é meu país agora”, disse à reportagem, por telefone. O sírio tem uma tatuagem com a bandeira do Brasil no braço.

O sírio Milad Lhaddad mostra a tatuagem com a bandeira do Brasil. Lhaddad, que mora em Brasília, “desvendou” significado da faixa do Grêmio (Apolos Neto/Divulgação)

Além dele, outras duas pessoas confirmaram a tradução da faixa, porém com leve alteração. O sírio Omar Kewan, de 19 anos, que vive em Berlim, na Alemanha, e o israelense Rami Abasi, de 32 anos, que já viveu em Porto Alegre, traduziram os dizeres como “Para os Emirados Árabes“.

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Para os gremistas que já estão torcendo pelo Mundial, a faixa em árabe tem o preço bem menor do que as passagens de avião para assistir ao Grêmio nos Emirados Árabes, que custam cerca de 8 000 reais para ida e volta.

Ainda assim, nesta quinta, a Polícia Federal registrou aumento nos atendimentos sem agendamento para emissão de passaportes, segundo VEJA apurou. Na quarta, dia da final da Libertadores, foram 64 atendimentos sem horário marcado. Nesta quinta, após a vitória do Grêmio, foram 84 atendimentos além dos já agendados. Apesar da alta da procura, a PF não soube precisar se o único motivo é o interesse dos gremistas em viajar aos Emirados Árabes.

Souza, o “sheik” que vendia as faixas na Arena, chegou ontem a Porto Alegre para aproveitar o movimento da festa “Soy Loco por Tri América”, que juntou 30 000 pessoas no estádio durante a transmissão da partida. Ele viajou 1.200 km de ônibus desde São Paulo para comercializar seus produtos na capital gaúcha, mas já programava a volta com uma carona para economizar o que faturou.

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“Se algum jogador usar uma faixa como essa, todo mundo corre comprar. Os torcedores querem o que os jogadores usam”, contou a VEJA.

E, quanto mais popular o jogador, mais sucesso faz seus acessórios ou até a camiseta. É o caso do atacante Luan. A camiseta número sete esgotou na loja oficial do Grêmio no estádio. Em menos de 24 horas, 249 000 reais em camisetas “do Luan” foram vendidas.

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