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Ricardo Rangel

Bolsonaro ganhou de novo

O método de Bolsonaro não é secreto. Mas nossos congressistas permitem que sempre dê certo

Por Ricardo Rangel Atualizado em 29 abr 2022, 21h09 - Publicado em 29 abr 2022, 17h56

O método de Bolsonaro não é segredo para ninguém. Ele ataca a democracia, todo mundo reclama, ele recua (enquanto não reclamam, continua avançando). Quando recua, nunca volta ao ponto onde estava, fica sempre um pouco à frente. A democracia sempre sai pior do que estava.

Com o material gerado, ele incendeia as redes mostrando que é um herói na cruzada contra o que chama de “ditadura do Judiciário”. O que ajuda no processo de desmonte das instituições.

Esta semana não foi diferente.

Bolsonaro baixou um decreto inegavelmente inconstitucional. Foi um ataque violento e frontal ao STF, única instituição que ainda defende a democracia no país. Em vez de apoiar o Supremo, o presidente da Câmara, Arthur Lira, preferiu submergir no silêncio. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, fez pior: veio a público afirmar que o decreto era constitucional.

Como ninguém reclamou, o bolsonarismo continuou avançando. Deputados bolsonaristas elegeram Daniel Silveira para nada menos do que cinco comissões na Câmara, incluindo a CCJ. Um tapa na cara do Supremo.

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No mesmo dia, em um acintoso evento de desagravo a Silveira, Bolsonaro usou um amontoado de mentiras para atacar o TSE e as urnas eletrônicas, aventou usar as Forças Armadas para fiscalizar as eleições (o que configuraria golpe de Estado) e pôs sob suspeição não apenas a eleição para presidente, mas também as eleições para o Legislativo.

Lira e Pacheco finalmente despertaram de seu torpor cúmplice e correram a defender o processo eleitoral. Bolsonaro imediatamente recuou, tirou onda de bom moço e mentiu que “nunca quis peitar” o Supremo. Mas já tinha peitado, já tinha desmoralizado mais um pouco o processo eleitoral e avançado uma casa em seu caminho para melar o pleito de outubro.

Ganhou de novo.

Enquanto certos parlamentares sonolentos e cúmplices não acordarem, Bolsonaro vai continuar ganhando uma atrás da outra até outubro, quando o Brasil terá seu “momento capitólio”.

Hora de acordar, senhores parlamentares.

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