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Ricardo Rangel

Atenção: cabeça de golpista é diferente

Há democratas demais com a certeza de que não haverá golpe. Não estão vendo o que risco em que estão colocando a si mesmos.

Por Ricardo Rangel Atualizado em 3 Maio 2022, 23h17 - Publicado em 3 Maio 2022, 19h51

A guerra fria acabou há 30 anos. Ninguém precisa se defender do comunismo, que fracassou há décadas. A comunidade internacional não reconheceria um governo ilegal e teríamos dificuldades com nossas exportações. O dólar dispararia e sérios problemas econômicos que o governo enfrenta se agravariam.

Não é fácil nem simples se fazer um golpe nos dias de hoje. Todo brasileiro, inclusive jornalistas, parlamentares e ministros do Supremo, tem um celular, uma câmara e um zap na mão. É impossível censurar a imprensa ou fechar o Congresso, e muito difícil fechar o Supremo. É fácil organizar a resistência, e os brasileiros iriam para a rua.

Por fim, as Forças Armadas não estão unidas contra a democracia e a favor de uma ruptura institucional. Há muitos generais legalistas que não adeririam a um golpe.

Logo… golpe é algo que não faz nenhum sentido, e ninguém em sã consciência tentaria desfechar um.

O problema é que… o golpista não está em sã consciência. O golpista acredita que o comunismo não acabou e que as potências estrangeiras querem invadir ou internacionalizar a Amazônia. O golpista não entende absolutamente nada de economia, nem se incomoda se o país se fechar para o mundo, acha até bom.

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O golpista não entende o que é a democracia, regime que afirma defender, mas que na verdade despreza. Acredita que vivemos uma “ditadura do Judiciário”. Que o Supremo é um partido político de esquerda, interessado em fraudar a eleição para reinstalar Lula no poder. Que as Forças Armadas são uma espécie de Poder Moderador, e que, em caso de impasse institucional, o artigo 142 da Constituição dá direito aos militares de intervir.

Também é importante lembrar que o amor dos militares pela Corporação é maior do que tudo. O golpista aposta que, na hora do impasse, as Forças Armadas preferirãos se unir no golpe a rachar. Considerando-se nossa tradição, a aposta não é ruim. Afinal, nossos militares já se envolveram em golpes e tentativas de golpe contra a democracia uma dúzia de vezes.

Há democratas demais dando de barato que não há condições para golpe. E parlamentares demais, especialmente do Centrão, dando de barato que conseguem controlar Bolsonaro (até agora, perderam todas).

Tais pessoas não estão entendendo o risco em que estão colocando o país.

E a si mesmas.

 

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