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Sapucaí, 1987: Roberto Carlos chora, Luma brilha e Jandira samba

A emoção de Roberto Carlos, a ascensão de Luma de Oliveira, o beijo roubado a Chico Buarque e o desfile de Jandira Feghali: relembre o carnaval de 1987

Por Da redação Atualizado em 4 mar 2017, 02h25 - Publicado em 4 mar 2017, 02h16
Leia reportagem de VEJA de 11 de março de 1987
Leia reportagem de VEJA de 11 de março de 1987 Reprodução

Trinta carnavais atrás, reportagem de VEJA registrava: Roberto Carlos vencia o medo da folia para desfilar pela escola Unidos do Cabuçu, cujo enredo o homenageava. Antes da apresentação, um imprevisto aparentemente banal deixou todos apreensivos: “Rompeu-se um elo do pesado cordão de prata que o cantor há anos carrega no peito e que sustenta um avantajado medalhão com a imagem de Cristo”, relatava a reportagem. “Temia-se que Roberto, que coleciona uma extensa lista de superstições e já desmarcou shows por motivos bem mais banais, visse no acidente um mau presságio e desistisse de participar do desfile”. Mas o cantor consertou a tempo o cordão, usando os próprios dedos como pinças. “No final deu tudo certo. Vestido com um terno branco, envolto por rolos de fumaça de gelo seco que às vezes encobriam sua silhueta, Roberto ensaiou tímidos passos de samba e, acenando para a plateia, foi ovacionado do início ao fim do Sambódromo.”

O cantor chorou ainda na concentração, ao ser aclamado pelos integrantes da escola. E chorou no fim: “Esperava ficar emocionado, mas não tanto”. Durante o desfile, quem debulhou-se em lágrimas foi a atriz Myriam Rios, então mulher do cantor, que do camarote agitava uma bandeira da Unidos do Cabuçu. “E a mãe do cantor, a Lady Laura, encarapitada num carro alegórico batizado de Amante à Moda Antiga, também exibia os olhos cheios d’água”, narrava a reportagem de VEJA.

O encerramento do desfile foi tumultuado: “Ao final do desfile, a equipe de segurança da Riotur fechou a Praça da Apoteose para que Roberto descesse do carro. O local, porém, foi rapidamente invadido por fãs, que se misturaram aos robustos guarda-costas do cantor e às centenas de passistas da Unidos do Cabuçu que ainda permaneciam ali. Resultado: um truculento festival de safanões e bordoadas que só terminou quando Roberto, auxiliado por uma empilhadeira industrial e, portanto, 5 metros acima do chão, foi transportado para fora dos limites da avenida dos desfiles”.

Apesar dos muitos aplausos à Cabuçu e seu enredo ‘Roberto Carlos na cidade da fantasia’, a escola não chegou a brigar pelo título do Carnaval de 1984: acabou com 10ª nota, empatada com a São Clemente. Em 2017, a Cabuçu foi vice-campeã da Série B, terceira divisão do Carnaval Carioca, com desfiles realizados na estrada Intendente Magalhães, zona norte da escola.

Chico Buarque no Carnaval de 1987
Chico Buarque no Carnaval de 1987 Reprodução
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Mangueira campeã

O título de 1987, para muitos surpreendente, foi para a Mangueira e sua homenagem a Carlos Drummond de Andrade. Na superestrelada comissão de frente da escola, desfilaram Chico Buarque (atacado pelo Beijoqueiro), Aldir Blanc, João Nogueira, Carlos Cachaça e Hermínio Bello de Carvalho. Drummond viu todo o desfile pela TV. “Com 84 anos de idade, um enfarte sofrido no final do ano passado (1986) e sob estreita vigilância de um cardiologista e um geriatra, o poeta homenageado não compareceu ao Sambódromo. Mas acordou cedinho e assistiu a tudo de sua poltrona: ‘Eu não quis dar palpites no enredo, pois queria que tudo saísse da imaginação dos sambistas'” Drummond morreria poucos meses depois, em 17 de agosto de 1987.

Jandira Feghali na Sapucaí Reprodução

A sátira da Caprichosos

Quem também desfilou em 1987 foi a então deputada estadual Jandira Feghali, do PCdoB do Rio, então com 29 anos. Ela mesma se escalou para sair pela Caprichosos de Pilares, ao saber que seu enredo, batizado ‘Eu Prometo’, satirizava a demagogia eleitoreira.

“Coberta de purpurina, ostentando uma fantasia que reproduzia manchetes de jornais, Jandira sambou do início ao fim do desfile com graça e garra”, relatava reportagem de VEJA. “Estou demonstrando que brigo, mas também brinco”, disse a hoje deputada federal. E a reportagem observava: “Percorridos os 900 metros da avenida, usou da mesma retórica satirizada pela Caprichosos: “Os desfiles são uma prova de que o povo unido jamais será vencido’.”

Luma de Oliveira desfila pela Caprichosos
Luma de Oliveira desfila pela Caprichosos Reprodução

Luma brilha

A grande revelação da Caprichosos na Sapucaí, contudo, foi outra: Luma de Oliveira. “Ao entrar na Marquês de Sapucaí, na noite de domingo, no posto de madrinha da bateria, a modelo de 22 anos era conhecida apenas como a irmão mais jovem da atriz Ísis de Oliveira”, observava a reportagem. “Ao final do desfile, havia se transformado na mais estonteante revelação feminina do Carnaval.”

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