Veja Digital - Plano para Democracia: R$ 1,00/mês
ReVEJA Por Blog Vale a pena ler de novo o que saiu nas páginas de VEJA em quase cinco décadas de história

Janeiro de 1969: Edward Albee e uma incrível constelação de talentos em cartaz nos palcos brasileiros

Paulo Autran e Fernanda Montenegro e muitos outras estrelas estavam em cartaz quando estreou em São Paulo 'Tudo no Jardim', do dramaturgo americano

Por Daniel Jelin Atualizado em 30 jul 2020, 21h49 - Publicado em 18 set 2016, 16h13
Roteiro recomendado por VEJA em janeiro 1969: agenda cheia e superestrelada
Roteiro recomendado por VEJA em janeiro 1969: agenda cheia e superestrelada

Edward Albee, o grande dramaturgo americano morto na sexta-feira, aos 88 anos, teve diversas peças encenadas com sucesso no Brasil, a começar pela mais célebre delas, Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, de 1965, que Cacilda Becker trouxe ao Brasil no mesmo ano e encenou ao lado de Walmor Chagas, Lilian Lemmertz e Fulvio Stefanini.

Quatro anos depois, Maria Della Costa trouxe Tudo no Jardim, que Albee adaptara de Giles Cooper, sobre ‘maridos com pouco dinheiro e esposas que se prostituem’. Com direção de Flávio Rangel, a montagem teve no elenco Sérgio Viotti, Sebastião Campos e Dina Lisboa e a própria Maria Della Costa, conforme VEJA reportou em 1 de janeiro (“Ed Albee ainda assusta?”).

Tudo no Jardim estreou em 7 janeiro de 1969, menos de um mês após a edição do Ato Institucional nº 5, que fechou o Congresso, suspendeu a garantia de habeas corpus e deu início à fase mais brutal da ditadura militar. A agenda cultural daqueles dias, conforme roteiro recomendado por VEJA de 8 de janeiro daquele ano, atesta a vitalidade da cena teatral brasileira que a perseguição política e a censura viriam a asfixiar.

Jô Soares dirigia A Última Virgem, de Nelson Rodrigues, no Teatro Ruth Escobar, em São Paulo, com Jofre Soares, Yolanda Cardoso e Ruthinéia de Moraes.

Marília Pera, que meses antes havia sido agredida durante montagem de Roda Viva, por fanáticos do Comando de Caça aos Comunistas, estava em cartaz no Teatro (Sesc) Anchieta com a comédia musical A Moreninha, que Miroel Silveira adaptou de Joaquim Manuel de Macedo. Também no elenco: Perry Salles e Sônia Oiticica

Antônio Abujamra e Benjamin Cattan dirigiam O Segundo Tiro, no Teatro Aliança Francesa, com Íris Bruzzi, Maurício Nabuco e Sílvio Rocha.

Continua após a publicidade

Augusto Boal, que mais tarde seria preso, torturado e exilado, assinava a direção de Macbird!, com Renato Consorte e Etty Fraser, no palco do Ruth Escobar.

'Galileu Galilei': estreia no dia do infame AI-5
‘Galileu Galilei’, com Cláudio Correia e Castro e direção de José Celso Martinez Corrêa: estreia no dia do infame AI-5

Enquanto isso, no Rio, Fernanda Montenegro batia ponto no Teatro João Caetano, com Marta Saré, texto de Gianfrancesco Guarnieri, música de Edu Lobo e direção de Fernando Torres.

Paulo Autran estava em cartaz com O Burguês Fidalgo, de Molière, com tradução de Sérgio Pôrto, no teatro Gláucio Gil.

Cláudio Correia e Castro fazia na Maison de France Galileu Galilei, peça que havia estreado no mesmo dia em que o foi editado o AI-5, sob a direção de José Celso Martinez Corrêa – que também seria preso, torturado e exilado.

Na semana seguinte, enquanto crítica de VEJA massacrava a peça de Albee (“um anacronismo desbotado”), voltava ao cartaz um dos espetáculos de maior sucesso de 1968, Cemitério dos Automóveis, de Fernando Arrabal, no antigo Teatro 13 de Maio (que depois virou o Café Piu-Piu), com Stênio Garcia e Selma Caronezzi.

Havia ainda recomendações de peças em Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador… E ao contrário de tantas peças que agora penam para ficar em cartaz sexta e sábado, a maioria dos espetáculos daqueles dias tinha sessão de terça-feira a domingo, semana atrás de semana.

A partir de 1969, a repressão política sufocaria consideravelmente a cena teatral. Em Cem Anos de Teatro em São Paulo (1875-1974), Sabato Magaldi e Maria Thereza Vargas concluíam que o problema ‘verdadeiramente grave do teatro brasileiro, na década de 1970, foi trazido pela censura’. ‘Qualquer ousadia logo se castrava, numa sufocação gradativa da dramaturgia brasileira’, escreveram. ‘Sem liberdade, não há teatro, que pode ser considerado sinônimo dela.’

Continua após a publicidade

Publicidade

Essa é uma matéria exclusiva para assinantes. Se já é assinante, entre aqui. Assine para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Essa é uma matéria fechada para assinantes e não identificamos permissão de acesso na sua conta. Para tentar entrar com outro usuário, clique aqui ou adquira uma assinatura na oferta abaixo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique. Assine VEJA.

Plano para Democracia

- R$ 1 por mês.

- Acesso ao conteúdo digital completo até o fim das eleições.

- Conteúdos exclusivos de VEJA no site, com notícias 24h e acesso à edição digital da revista no app.

- Válido até 31/10/2022, sem renovação.

3 meses por R$ 3,00
( Pagamento Único )

Digital Completo



Acesso digital ilimitado aos conteúdos dos sites e apps da Veja e de todas publicações Abril: Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Placar, Superinteressante,
Quatro Rodas, Você SA e Você RH.

a partir de R$ 9,90/mês

ou

30% de desconto

1 ano por R$ 82,80
(cada mês sai por R$ 6,90)