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Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura
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Uma tese original na Folha: o Plano Real é culpado pelo número de presos no Brasil. É sério: está escrito lá

A Folha tem um colunista chamado Marcos Nobre. É filósofo formado na USP e professor da Unicamp. Uma vez o jornal fez uma reportagem sobre a nova direita, onde me incluiu, e Nobre apareceu como uma espécie de guia: ele aparecia categorizando quem era quem. Moço esperto. Escreve às terças no jornal. Poderia deixar pra […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 22h16 - Publicado em 7 ago 2007, 07h23
A Folha tem um colunista chamado Marcos Nobre. É filósofo formado na USP e professor da Unicamp. Uma vez o jornal fez uma reportagem sobre a nova direita, onde me incluiu, e Nobre apareceu como uma espécie de guia: ele aparecia categorizando quem era quem. Moço esperto.

Escreve às terças no jornal. Poderia deixar pra lá. Mas não vou. Abaixo, em vermelho, seguem trechos de seu artigo de hoje no jornal. Comento em azul;

A INVISIBILIDADE é o ambiente ideal para a proliferação de organizações criminosas.Começou assim. Achei que fosse falar da extradição indecente dos dois cubanos, que Lula mandou entregar a Fidel Castro. Era outra coisa. Segue-se um trololó sobre a sociedade não reconhecer seus presos etc e tal. Até chegar a este ponto:Tudo parece calmo novamente. As prisões voltaram a ser invisíveis. No entanto, os números insistem em desafiar essa aparente calmaria. Entre 1995 e 2007, em valores aproximados, o número de presos subiu de 68 mil para 320 mil. Nesse mesmo período, o número de encarcerados por 100 mil habitantes saltou de 74 para 183. O déficit de vagas no sistema prisional está hoje próximo de 130 mil. Isso mostra que a resposta habitual -penas mais severas e mais longas- não conseguiu até agora resolver o problema.É mentira. Caiu o número de crimes em São Paulo, o que foi reconhecido pela Folha em editorial. Vou começar a achar que só eu leio os editoriais do jornal. O nobilíssimo faz supor que o número de presos por cem mil habitantes é muito grande no Brasil. Não é. No rico Japão, de fato, é bem mais baixo: 54 por 100 mil. Já no não menos rico Canadá, é mais do que o dobro: 116. Na Grã-Bretanha, 143. O México está perto do Brasil: 169. Nos EUA, são 715 presos por cem mil!!!A criminalidade nos EUA diminuiu drasticamente, acreditem, quando se passou a prender mais. Não quero deixar Marcos Nobre chocado: mas bandido preso é melhor do que bandido solto — para quem não é bandido, é claro. Ele segue, naquela que é uma das maiores imposturas que já li:Esses números mostram o preço social da estabilização brasileira. A superlotação das prisões é a outra face do Real e do modelo de desenvolvimento que inaugurou. As exportações e o investimento externo continuam crescendo na mesma proporção do aumento da violência. A desigualdade não cede senão em alguns milímetros.Sim, ele dá aula para os nossos filhos. O Plano Real é o culpado por haver mais presos no Brasil. Está dito ali. Ele estabeleceu uma relação entre investimento externo e exportação e violência. O que faz supor que, se exportarmos menos e se investirem menos no Brasil, a violência diminui.

(…)
Presos são cidadãs e cidadãos brasileiros que, além de privados de liberdade, são também privados de seus direitos políticos. Não podem votar. Se pudessem, a sociedade seria obrigada a ouvir o que têm a dizer.
Eu não quero ouvir o que os presos têm a dizer. Marcos Nobre quer. O que o impede? Presos são cidadãs e cidadãos que pagam o preço de terem cometido um crime. Têm de ser tratados com dignidade, mas não estão na posição de dar lição de moral à sociedade.

Hoje, o único canal de expressão que têm é a manipulação por parte de organizações como o PCC.
Como se vê, ele põe o PCC como uma espécie de desdobramento necessário — em sentido filosófico — da existência de presos. Isso faria supor que, onde quer que existam presos, existe uma organização criminosa que os coordena. É outra mentira.

É possível que uma eventual concessão do direito de voto aos presos venha a ser manipulada também. É possível que o resultado não seja nem um pouco bonito de ver. Mas o que não adianta é achar que a culpa é do espelho
Que espelho? No trecho que omiti do artigo — leiam a íntegra —, o filósofo diz que é a exclusão social que conduz ao crime. Isso explica a sua conclusão: nós, os que estamos fora da cadeia e não cometemos crimes nenhum — a sociedade —, somos os culpados pelos crimes cometidos pelos bandidos. Nobre também? Vejam bem… Como ele tem consciência do problema, já fez a sua parte. Ainda bem que a academia, de vez em quando, contribui com o jornalismo, não é mesmo? Ou ficaríamos privados dessa iluminação.

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