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Reinaldo Azevedo

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Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Uma sugestão aos nadadores americanos: A VERDADE. Ou: Justiça, PF e Polícia Civil fazem o certo

Não se trata de apelar à patriotada contra “uzamericânu”, mas de fazer valer a lei

Por Reinaldo Azevedo 18 ago 2016, 08h03 | Atualizado em 30 jul 2020, 22h04
Uma sugestão aos nadadores americanos: A VERDADE. Ou: Justiça, PF e Polícia Civil fazem o certo Priorizar nos meus resultados Google

 

Como sabem os leitores, tenho horror a patriotada e levo a sério a máxima de Samuel Johnson segundo a qual “o patriotismo é o último refúgio do canalha”. Feita a ressalva, cumpre observar: até agora, o comportamento da Polícia Civil do Rio, da PF e da Justiça foi impecável no caso do suposto assalto de que teriam sido vítimas quatro nadadores americanos.

Não serei aqui peremptório sobre o que ainda está em investigação, mas a coisa tem todo o cheiro de falsa comunicação de crime. E é o que está sendo investigado.

Nesta quarta à noite, agentes da PF, por ordem da Justiça, retiraram do avião os atletas Gunnar Bentz e Jack Conger, duas das supostas quatro vítimas. Eles estavam no voo UA 128, da United Airlines, com destino a Houston. Tiveram apreendidos seus passaportes.

Os outros dois são Jimmy Feigen, que não foi encontrado, e o astro da turma, Ryan Lochte, que já voltou para os EUA.

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A história contada pelos rapazes parece não parar de pé. Esqueceram-se, tudo indica, de combinar a versão. Estavam voltando de uma noitada e dizem ter tido US$ 400 roubados, mas os bandidos não levaram credenciais, celulares, carteira, nada…

Um deles diz que foram assaltados por um homem, depois de parados numa falsa blitz. Outro, por sua vez, viu vários homens armados. Em seguida, afirmam ter pegado um táxi, mas não dizem como fizeram o pagamento se estavam sem dinheiro. O taxista também não aparece.

Mais contradições? Já nos EUA, em entrevista à NBC, Lochte mudou a versão contada aqui. A falsa blitz some do relato. Todos estariam num táxi e pararam num posto de gasolina para usar o banheiro. Ao voltar, teriam sido abordados por bandidos usando farda policial. Ah, sim: no Brasil, ele disse que uma arma teria sido apontada contra a sua cabeça; à emissora americana, negou que isso tivesse acontecido.

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Sem exageros
É claro que não é o caso de criar uma celeuma internacional, mas tudo indica que os quatro rapazes resolveram apenas se divertir um pouco. Só que apelaram a uma coisa séria.

A violência na cidade no Rio, em período não olímpico, é proverbial. Casos escabrosos correram o mundo nos dias antecederam o início do evento. E mesmo depois disso. Esse tal assalto, por exemplo, mereceu ampla cobertura internacional.

Não é o caso de bater o pezinho e dizer: “Essezamericânu tão pensânu o quê? Isso aqui não é uma bagunça, não!”. Vamos ser claros, né? O país é meio bagunçado, mas o trabalho de segurança dos Jogos Olímpicos parece que tem sido feito com seriedade e competência.

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Talvez o quarteto imaginasse que ninguém iria se importar muito com um assalto a mais ou menos no Rio. Ou que isso já faz parte da nossa “cultura”, integrando, como diria aquele técnico francês, as nossas “bizarrices”.

Pois é… Pode-se arriscar a sorte achando isso e atuando como se fosse verdade absoluta. Mas é preciso arcar com as consequências.

Pode ser também que a moçada tenha se dedicado a folguedos remunerados e achado apenas uma maneira de explicar o sumiço de US$ 400.

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Uma coisa resta inescapável: o caso certamente cresceu mais do que eles imaginavam, e todos acharam que a melhor escolha era se mandar do país sem prestar depoimento.

Bem, não pode ser assim, não é?

Tenho uma sugestão a dar a eles: contar a verdade.

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