UMA QUESTÃO DE CIVILIZAÇÃO, MEUS CAROS LEITORES!
Escrevi ontem um post intitulado EU E VOCÊS em que trato da questão da divergência e de como lido — ou lidamos — com ela neste blog. Respondi àqueles que dizem que excluo os comentários do que discordam de mim. Deixei claro que isso é mentira. E mandei ver: “Eu excluo quem diverge da civilização”. […]
Escrevi ontem um post intitulado EU E VOCÊS em que trato da questão da divergência e de como lido — ou lidamos — com ela neste blog. Respondi àqueles que dizem que excluo os comentários do que discordam de mim. Deixei claro que isso é mentira. E mandei ver: “Eu excluo quem diverge da civilização”. Aí vieram os protestos: “Ah, então você é que decide agora quem é quem não é civilizado?” Eu poderia ser simples, seco, dispensando-me de qualquer didatismo e responder simplesmente: “Isto mesmo! No meu blog, sou eu que decido”. Mas tenho uma alma generosa. Até um determinado ponto, pego na mão do vivente. Se noto que não adianta, solto no mundo…
Não falo da “civilização” naquele sentido de certa antropologia que considera que a diferença entre uma borduna e a Monalisa é meramente valorativa… Sei que é valorativa. Só que não é “meramente”. E fiquem tranqüilos que entendo perfeitamente bem que, não conseguindo alcançar a Monalisa, muitos prefiram se agarrar à borduna… Adiante. Falo de um padrão de vida civilizada que, obviamente, pressupõe alguns, lá vai a palavra de novo, VALORES.
Acho que rejeitar a democracia representativa, por exemplo, ou relativizar a sua importância — reconhecendo que, em certos casos, uma ditadurazinha até que vai bem —, atenta contra o que CONSIDERO civilizado. E, por isso, os que tentam emplacar aqui essa cascata autoritária são logo chutados. Também mando plantar favas o sujeito que vai chegando pianinho, com aquela conversa mole segundo a qual “Pô, Rei (petralha, às vezes, acha que, se me chamar de “Rei”, amacia meu coração…), a “privataria” do governo FHC… “Privataria”? Isso é coisa de quem não sabe fazer conta e acha que a opinião pode substituir a matemática e os fatos. Não! Isso não é coisa de gente civilizada porque, de saída, já se trata de uma mentira. E quem quer mentir tem lugar de sobra para fazê-lo. Por que aqui?
Isso quer dizer, de maneira clara, inequívoca, sem qualquer ambigüidade, que eu realmente não considero que “todas as opiniões são válidas”. Eu não quero dialogar com esses caras, entenderam? Eles não têm nada a me dizer, não têm nada a dizer a meus leitores, não têm nada a dizer ao mundo, acho eu. Mas isso é com eles. Que se virem com aqueles que lhes dão atenção. Outra delinqüência de pronto mandada para os blogs que a pariram é aquela ladainha contra a “mídia”. É o sujeito chamar imprensa de “mídia” — eles geralmente colam o adjetivo “conservadora” ao substantivo —, e eu nem leio o resto. Ademais, sabem os leitores deste blog, se há algum problema na “mídia” (como eles dizem), é seu renitente esquerdismo do miolo mole, não seu conservadorismo.
Não aceito, em suma, gente que tenta entrar no blog para fazer a defesa de idéias que, se postas em prática, estreitariam o espaço da divergência em vez de ampliá-lo. Até porque, meus caros, todos os governos são iguais quando é para concordar com eles.
Quando se trata de CONCORDAR COM O GOVERNO, as diferenças existentes entre Brasil, Coréia do Norte, Estados Unidos, Gabão, França ou China são irrelevantes. As diferenças começam a ficar relevantes NA HORA DE DISCORDAR. E eu repudio, de modo peremptório, absoluto, inegociável, os que gostariam de ver o Brasil mais perto da China do que dos EUA quando o assunto é DIVERGÊNCIA.
Um senhor e um escravo podem dizer SIM da mesma maneira. O que os distingue de verdade é a liberdade de dizer NÃO.







