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Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura
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Um caso explícito de censura na TVE, agora sob a ditadura da TV Lula

Lembram-se de Franklin Martins, o ministro da Informação e Propaganda, que disse não aceitar “aula de democracia”? Pois é. Não aceita mesmo. Nem a democracia. De novo: a TV Pública nem começou a operar, mas o terrorismo já está no ar. Atenção para o que segue. Desde abril de 2006, o jornalista e professor (de […]

Por Reinaldo Azevedo
Atualizado em 31 jul 2020, 20h08 - Publicado em 30 nov 2007, 18h50

Lembram-se de Franklin Martins, o ministro da Informação e Propaganda, que disse não aceitar “aula de democracia”? Pois é. Não aceita mesmo. Nem a democracia. De novo: a TV Pública nem começou a operar, mas o terrorismo já está no ar. Atenção para o que segue.

Desde abril de 2006, o jornalista e professor (de Teoria do Jornalismo!!!) da Universidade Federal Fluminense Felipe Pena participa, toda quinta, como debatedor, do programa Espaço Público, da TVE. Há cerca de dois meses, diz ele, vinha recebendo indiretas para moderar o tom das críticas ao governo.

Ontem, a recomendação nada teve de indireta. Foi direta mesmo, na presença de três outros professores universitários, entre eles o cientista político Geraldo Tadeu Monteiro. No intervalo do terceiro para o quarto blocos, a apresentadora Lúcia Leme foi ao ponto: “Felipe, maneira nas críticas ao governo. A TV Pública tá vindo aí. Eu vou ser demitida”.

E o que Felipe Pena havia dito de tão exótico?
– criticou a chantagem do governo, que suspendeu o envio do Orçamento ao Congresso para pressionar os senadores a votar a CPMF;
– o programa também debatia o desencanto dos jovens com a política. Pena observou que se surpreenderia se fosse o contrário. Como se encantar com um governo que faz acordo para salvar Renan Calheiros e que cria coisas como a TV Pública?

Ao receber a “dica” da apresentadora, Felipe Pena ficou justamente indignado. Na volta do intervalo, observou, diante dos colegas: “Você, Lúcia, não pode me pedir para moderar minhas críticas porque corre o risco de ser demitida. E não é só você. Nos corredores da TVE, todos estão com medo e evitam criticar o governo. O pior é que tudo que eu estou falando aqui será cortado na edição do programa, e o público não saberá de nada. E isso é uma TV pública”. O professor tirou o microfone, levantou-se e saiu.

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A gravação do programa termina 40 minutos antes de ir ao ar. O quarto bloco foi reeditado sem a resposta de Pena, é claro. Ele simplesmente desapareceu.

Atenção
Isso tudo me foi relatado pelo próprio Pena. E fico feliz que ainda existam professores em Berlim. A clima de terror já estava instalado na TVE, é bom que se diga. Nem estou demonizando a apresentadora, não. Certamente estava apenas passando adiante a pressão de que ela própria estava sendo objeto.

Eis aí. Assim nasce a TV Pública de Franklin Martins, Tereza Cruvinel e Helena Chagas — sob a chefia, evidentemente, do Tirano de Siracusa que dá plantão no Palácio do Planalto. Imaginem se algo parecido acontecesse na Rede Globo. O mundo viria abaixo.

Ninguém dá aula de democracia a Frankin Martins. Não mesmo! Com a palavra, os partidos de oposição.

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