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Ucrânia: quando o óbvio se lembra de acontecer

Era tão evidente o que estava para acontecer na Ucrânia que a gente custa a acreditar que tenha acontecido conforme o roteiro. Nunca antes na história deste mundo, Estados Unidos e Europa estiveram entregues a líderes tão fracos, patéticos mesmo. Comecemos pelo óbvio: a Crimeia já era! Vladimir Putin, o presidente russo, pode até abrir […]

Por Reinaldo Azevedo
Atualizado em 31 jul 2020, 04h20 - Publicado em 4 mar 2014, 05h39

Era tão evidente o que estava para acontecer na Ucrânia que a gente custa a acreditar que tenha acontecido conforme o roteiro. Nunca antes na história deste mundo, Estados Unidos e Europa estiveram entregues a líderes tão fracos, patéticos mesmo. Comecemos pelo óbvio: a Crimeia já era! Vladimir Putin, o presidente russo, pode até abrir mão de ocupar o resto da Ucrânia, o que não se faria sem um custo político gigantesco, mas a República Autônoma da Crimeia segue sendo autônoma, só que agora se reporta à Rússia.

É claro que Putin está indo além de suas sandálias e rasgando um tratado internacional ao ocupar — ainda que sem tiros — a Crimeia. Ocorre que isso era certo como dois e dois são quatro, a menos, claro!, que Estados Unidos e algumas nações da Europa decidissem ir à guerra. Por causa da Ucrânia? Não vai acontecer! Os europeus se mostram reticentes até mesmo em retaliar economicamente a Rússia — especialmente num momento em que a economia exibe alguns sinais de recuperação.

Quando Viktor Yanukovich, o agora presidente deposto da Ucrânia, aceitou negociar, inclusive com antecipação de eleições, o sensato teria sido aceitar a proposta — até porque, a despeito de sua biografia pouco recomendável, havia sido eleito num pleito que foi considerado limpo e legítimo. Sempre se pode dizer “Não!”, eu sei, mas aí é preciso saber quais armas estão à disposição, inclusive as da diplomacia, para aguentar o tranco. E o Parlamento ucraniano disse “não” e derrubou o presidente. Mas não tinha, e não tem, um plano para o momento seguinte.

Como as coisas andavam um tanto confusas por lá, a diplomacia dos EUA e a dos países europeus relevantes deveriam ter feito chegar o recado: “Se Putin reagir, não há muito o que gente possa fazer. Melhor seguir com a negociação”. Não se fez isso. Não de modo eficaz ao menos. Tanto EUA como Europa foram surpreendidos pela deposição de Yanukovich, quando se imaginou que um acordo estava próximo.

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A minha simpatia por Vladimir Putin e pela, se me permitem a brincadeira, democradura russa é abaixo de zero. Não estou tentando livrar a cara do herdeiro da truculência soviética, não! Ao contrário! Mas também cumpre ser realista nessas coisas — até porque, com frequência, poupam-se muitas vidas.

Ao mandar soldados para a Crimeia, mas não ainda para outras partes da Ucrânia, Putin está deixando claro que considera essa área inegociável. Essa já é uma parte que não compreende mais negociação — ainda que a região conserve uma autonomia de fachada. Os quase 60% de russos que formam a população da área tornam tudo mais fácil.

E uma última nota sobre a tragédia intelectual brasileira. É impressionante como os sites e blogs de partidos e grupelhos de esquerda, muitos deles alinhados com o governo petista, passaram a fazer uma defesa entusiasmada, ensandecida mesmo!, da Rússia e de Putin. O que aquele país ou seu líder conservam da esquerda? Fora a truculência, nada! Então por que essa postura? Ah, é que essa gente sempre torce contra os EUA, pouco importa quem esteja do outro lado. Não custa lembrar que alguns deles chegam a tratar o carniceiro Bashar Al Assad, da Síria, quase como herói. A burrice pode até ter cura. O mau-caratismo não.

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