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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

TSE apenas reconheceu um fato: o PSD existe. OU: Oposições têm de achar um rumo por sua conta

Já escrevi aqui na sexta passada o que penso sobre o cerco ao PSD, o dito “partido de Kassab”, como a imprensa passou a chamá-lo, numa tentativa de desmerecê-lo. Não que a associação ao nome do prefeito leve a isso por si. É que se trata de um óbvio esforço para emprestar à legenda uma […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 10h38 - Publicado em 28 set 2011, 00h01

Já escrevi aqui na sexta passada o que penso sobre o cerco ao PSD, o dito “partido de Kassab”, como a imprensa passou a chamá-lo, numa tentativa de desmerecê-lo. Não que a associação ao nome do prefeito leve a isso por si. É que se trata de um óbvio esforço para emprestar à legenda uma artificialidade particular — uma tese falsa: em que ele é diferente das demais legendas médias ou grandes do país? Na origem, o DEM se descolou do PDS, e o PSDB do PMDB. Ou não? Há, já na largada, mais de 40 deputados federais, um governador, dois vice-governadores, senadores, um monte de vereadores, deputados estaduais etc. Pode se tornar o terceiro partido da Câmara. Havia um clima evidente de perseguição à nova legenda, que beirava, como apontei, o ridículo.

Ora… O PSD é o 28º partido brasileiro. Quantas dessas legendas existem de fato? Não preenchem os dedos de uma das mãos. Quantos desses partidos, com acesso ao fundo partidário e com direito a tempo no horário político — e tudo isso quer dizer dinheiro público — existem mesmo? Há agremiações que expressam, no máximo, o estado demencial de seus dirigentes. Aquele monte de “PQPs” que se tornaram um meio de vida, um jeito de bater a carteira do erário, tiveram as suas listas rigorosamente checadas, com esse excesso de cuidados que se dispensou ao “partido de Kassab”?

Já posso antever algumas pessoas esfregando as mãos: “Olhem o Reinaldo flertando com a ilegalidade; já que a lei não foi seguida nos outros casos, que não se siga neste caso também!” Errado! Eu nem sei se houve procedimentos impróprios antes. Eu estou partindo de uma evidência lógica: se os pterodáctilos representantes de si mesmos conseguiram cumprir as exigências, por que não conseguiria aquela que nasce como a terceira agremiação do país? O que queriam? Chamar um por um os 510 mil que assinaram as listas?

Atenção: o paralelo entre o PSD e esses partidecos que mal existem não é perfeito, claro! A razão é simples: O PSD EXISTE! Cada um daqueles parlamentares representa milhares de eleitores. Ninguém precisa gostar da legenda. Precisa é acatar as regras da democracia. Se isso vai ser bom ou ruim para a A, B ou C, essa é outra questão. Há uma monte de legendas por aí que, fosse pelo meu gosto, não existiriam. Mas o meu gosto não regula o mundo.

O ministro Marco Aurélio de Mello votou contra. Cabe a um colegiado decidir. Segundo as regras, vence a maioria; não é preciso haver unanimidade. Seus argumentos me parecem suficientemente contestados pelos outros seis. Ainda que muitos considerem que não é assim, assim será porque a democracia delegou a decisão àquele grupo.

O DEM e o senador Demóstenes Torres
Já fiz aqui diversos elogios ao senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Aprecio a sua atuação no Senado em diversas áreas. Mas ele certamente pisou feio na bola quando acusou o ministro Ricardo Lewandowski — de quem costumo discordar de modo muito enfático — de “dançar na boquinha da garrafa”. Parece-me impróprio que um senador da República se refira desse modo a um ministro do TSE e do Supremo. E agora? O senador do Democratas dirá que os outros cinco também “dançaram na boquinha da garrafa”? Seria esse o tribunal de um único justo — Marco Aurélio de Mello — porque votou o ministro conforme a pretensão de Demóstenes? Nem uma coisa nem outra. A divergência é parte das regras do jogo.

Eu, sinceramente, prefiro o senador propondo, como fez, uma emenda para que o Conselho Nacional de Justiça não seja fulminado por pressões corporativistas. Há um vasto Brasil a ser posto nos trilhos, senador Demóstenes! O DEM disse que vai recorrer. Ao fazê-lo, entendo, amesquinha-se. O PSD já existe. Ponto final.

E o que será do partido?
Para onde vai o PSD? Bem, esse é outro debate, que nada tem a ver com os critérios para sua existência legal. Será mesmo independente? Será força auxiliar do Planalto? Será ora governista, ora oposicionista? O eleitor vai julgar. Escrevi nesta manhã um texto bastante duro sobre o PSDB e critiquei há pouco a postura do DEM. Diga-se do PSD, quando conhecermos a sua atuação, o que se queira dizer, uma coisa é certa: ele nada tem a ver com a falta de rumo da oposição, não é mesmo? Estivessem alguns de seus líderes menos ocupados em alvejar um aliado, talvez a coisa andasse melhor por lá, e o PSDB não estaria fazendo agora uma oposição com dez anos de atraso, preparando-se para fazer um novo mea-culpa daqui a outros dez — se não morrer antes.

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