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Reinaldo Azevedo

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Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura
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Se falta de lógica fosse mato, Ciro morreria empanturrado

O que o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) fala não se escreve. E, quando se escreve, ele costuma se estourar. Ciro é, como vocês sabem, a expressão mais sonora do PUN — o Partido Único —, que tem a sua estréia marcada nas eleições de Belo Horizonte. O candidato do arranjo na cidade é uma das […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 19h40 - Publicado em 7 abr 2008, 20h46
O que o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) fala não se escreve. E, quando se escreve, ele costuma se estourar. Ciro é, como vocês sabem, a expressão mais sonora do PUN — o Partido Único —, que tem a sua estréia marcada nas eleições de Belo Horizonte. O candidato do arranjo na cidade é uma das estrelas da lista de Marcos Valério. Mas Ciro é um homem honrado. Esse gênio da política tem uma teoria: essa conversa de dossiê não passa de conspiração de uma “maquina clandestina”, que tem seu epicentro na imprensa de São Paulo. Foi que ele disse nesta segunda em entrevista à Rádio Gaúcha. Segundo o preclaro, a VEJA, que fez a primeira reportagem sobre o caso, seria a ponta de lança desse processo.

Como vocês sabem, a revista realmente foi desmoralizada, não é? Viram só? Já está provado que o dossiê não existe, certo?, embora a Polícia Federal investigue o vazamento. Uau! Se falta de lógica fosse mato, Ciro morreria empanturrado. Como vocês sabem, VEJA também pegava de graça no pé do moralista Renan Calheiros (PMDB-AL).

Mas o que esperar dele, dada a sua trajetória? O filhote dileto da Arena, da ditadura, como diria Leonel Brizola, está hoje no PSB, depois de ter passado pelo PMDB, PSDB e PPS. É um discurso em busca de amigos. Encontrou abrigo no lulo-petismo e está esperando para ver se cai alguma coisa da mesa. Para o Apedeuta, faz festa; para as oposições, mostra os dentes. É de sua natureza.

Segundo o valentão, tudo não passa de uma tentativa de impedir a candidatura de Dilma, “uma mulher de grande valor, que se dedica 24 horas por dia à causa do povo brasileiro”. Mas acrescentou: “E isso não quer dizer que eu não ache que deva ter um esclarecimento de todas estas coisas”. Que coisas? Esclarecer o que não existe? Como é mesmo? Fosse mato…

São PauloNo fim das contas, o que resta de relevante é o ataque feito a São Paulo. Não sei vocês, mas eu já estou com o saco cheio dessa história. Tudo quando é mequetrefe resolve atacar o estado, como se aqui estivesse a razão dos males do Brasil. Quem é Ciro Gomes para falar? O coronel de Sobral? O herdeiro do filhotismo político? O filho de político, o irmão de políticos, o ex-marido de política? Como é que este senhor e os seus ganharam a vida até agora? O que tem para oferecer como exemplo? O Ceará? O Ceará que está lá ou o Ceará fora de lá, com milhares de pessoas banidas pela elite política local, que Ciro hoje representa?

O PUN, o Partido Único, é, assumidamente, uma união antipaulista. E acho que, então, é chegada a hora de os paulistas — na verdade, os que vivem em São Paulo, pouco importa onde tenham nascido — começarem a reagir. Antes que o estado seja prejudicado até quando se debate reforma tributária. Esse regionalismo é uma coisa estúpida, manifestação acabada de imbecis e aproveitadores. Mas a ordem é apanhar calado? Como reagir a este tipo de vilania? Terá chegado a hora de carimbar na testa destes valentes o epíteto “INIMIGO DOS PAULISTAS”?

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O que mais eles querem do estado? Que tal pegarem de volta os seus detentos, por exemplo? Ou suas crianças em idade escolar? Ou seus desempregados? Ou seus sem-moradia? Ou seus sem-saúde? Ou seus supostos sem-terra? Elites regionais aboletadas em esquemas centenários de poder, enquanto seus cidadãos ficam esfaimando, agora deram para atacar um dos estados que, na prática, importam as suas tensões sociais. São Paulo, se for alguma coisa, é amigo das demais unidades da federação. Mas virou a Geni de quem não tem outra coisa a dizer ao povo.

É evidente que estou apenas chamando a atenção para um discurso idiota. São Paulo deve continuar a ser a terra acolhedora que sempre foi. Os escândalos estouram na imprensa paulista (ou paulistana) — e, justiça se faça, também na carioca — porque, afinal, elas cumprem o seu papel de investigar o poder, em vez de adulá-lo. Ciro, claro, não gosta disso. Afinal, ele é o homem da “nova hegemonia moral e intelectual”. Por isso o PUN de Belo Horizonte (com o PSDB de Aécio e o PT de Lula) vai emplacar como candidato um aliado seu, Márcio Lacerda, que figura entre as potestades morais de Marcos Valério.

De fato, a imprensa atrapalha esses caras. Não fosse ela, dá para imaginar o que eles não estariam fazendo.

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