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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Recado a um Zé Mané

Um Zé Mané manda um chororô nos comentários, lembrando que, em 1999, cinco médicos cubanos foram contratados para trabalhar na cidade de Arraias, em Tocantins. E diz ele: “Reinaldo Azevedo não falou nada”. Sugere que o que acho ruim no governo do PT eu achava bom no governo FHC. Vá catar coquinho na beira do […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 05h32 - Publicado em 26 ago 2013, 20h12

Um Zé Mané manda um chororô nos comentários, lembrando que, em 1999, cinco médicos cubanos foram contratados para trabalhar na cidade de Arraias, em Tocantins. E diz ele: “Reinaldo Azevedo não falou nada”. Sugere que o que acho ruim no governo do PT eu achava bom no governo FHC. Vá catar coquinho na beira do brejo, rapaz! Desconheço as condições em que chegaram aqueles cinco médicos a Tocantins (e não 4 mil). Se o ente remunerado era o governo cubano, não eles próprios; se obedeciam às ordens de Cuba, não às do Brasil; se estavam impedidos de ir e vir e se não passaram por nenhum teste de proficiência, então era a mesma porcaria, só que em escala ínfima. Se não critiquei, é porque nem fiquei sabendo.

Mas qual é a sua hipótese, Zé Mané? Por que você não procura saber tudo o que escrevi sobre o governo FHC nas revistas República e Primeira Leitura, antes de sair boquejando por aí? Dirigindo esta última, publiquei, por exemplo, primeira grande reportagem (de capa) antecipando a crise de energia de 2001, chamando a atenção para todos os erros que o governo havia cometido. Também editei o primeiro texto de fôlego com uma análise nada lisonjeira do bolsismo, que resultaria no Bolsa Família. E tudo no governo FHC.

Você, rapaz, que mandou o comentário, é leitor, está na cara, daquelas revistas, blogs e sites sustentados com dinheiro de estatais e de gestões petistas e pensa que todo mundo é igualmente vagabundo. Lá, sim, encontram-se ex-notórios críticos do petismo e que se tornaram agora fanáticos defensores. Não por acaso, com patrocínio, entre outros, da Caixa Econômica Federal. Há lá naquele meio gente que Lula processou pessoalmente por calúnia e difamação. Hoje, o ex-presidente não pode tomar um banho de mar, com a água, ali, pouco abaixo da linha da cintura, sem que eles morram afogados.

Pensava sobre o governo e sobre o estado, na gestão tucana, o mesmo que penso sobre o governo e o estado na gestão petista. Pensava sobre o PT de oposição o mesmo que penso sobre o PT de situação. Se você está a fim de enfiar o dedo na cara de alguém, vá procurar essa corja que você anda lendo que acusava Lula e os petistas de cometer os piores crimes quando eles estavam fora do poder. E que, agora, com eles no poder, os consideram a própria emanação, quem sabe encarnação, do divino. Mas com o patrocínio de bancos federais e gestões petistas.

Essa gente pode até ter criticado o PT de graça lá no passado remoto — isso não sei. Mas que o elogio tem preço, ah, isso tem. Tanto quanto tem preço o ódio que devotam a setores da oposição e da imprensa. Entendeu, Zé Mané, ou agora quer um desenho?

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