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OS TUCANOS

É evidente que a posse de Geraldo Alckmin no secretariado de José Serra tem gerado muito mais notícias do que geraria a indicação de qualquer outro nome. Está sendo tomada apenas por aquilo que também é: um lance cujo alcance remete a 2010. E convenham: o governador Aécio Neves não faz por menos, não é? […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 18h16 - Publicado em 27 jan 2009, 04h27
É evidente que a posse de Geraldo Alckmin no secretariado de José Serra tem gerado muito mais notícias do que geraria a indicação de qualquer outro nome. Está sendo tomada apenas por aquilo que também é: um lance cujo alcance remete a 2010. E convenham: o governador Aécio Neves não faz por menos, não é? Está encarecendo a nomeação muito além do razoável. E, parece, ao fazê-lo, expõe-se de um modo um tanto imprudente.

Já escrevi aqui algumas vezes: Aécio tem o direito de se considerar presidenciável e de pleitear a vaga tucana. Mais: governador de Minas em segundo mandato, bem-avaliado pela população, tem também credenciais. Conta ainda com o entusiasmo contido de expressivos setores da imprensa Brasil afora — e com o incontido do jornalismo mineiro. Nunca antes em Minas um governante conseguiu, como vou dizer?, unir tanto a chamada crítica política.

A reação de Aécio à nomeação de Geraldo Alckmin não foi nada boa. E não há como, parece-me, não considerá-la também um tanto estranha. Com efeito, o governador de Minas decidiu ser um fator de influência na disputa pela Prefeitura de São Paulo. Contra o que seria o melhor cenário para Serra. Isso é dado é sabido. A vitória de Gilberto Kassab (DEM) foi lida como a vitória de Serra, que saiu do processo, no entanto, com a ameaça de um estigma: ter consolidado a divisão do tucanato paulista. Era uma fenda que poderia ser devidamente explorada por seus adversários internos. A nomeação de Alckmin, é evidente, solda essa fratura.

No que diz respeito a Alckmin, é evidente que se trata da melhor saída. Com ou sem o acordo com o governador, já era, sempre entendi, o prè-candidato mais forte à sucessão de Serra se este se viabilizar mesmo como o nome tucano à Presidência. Ser um pré-candidato forte não quer dizer a) ser um candidato/ b) ser um candidato vencedor. Ele bem sabe disso. A disputa pela Prefeitura de São Paulo lhe deu uma lição importante: com o partido dividido, suas chances se reduzem drasticamente. Feito o acordo, ele está de volta à primeira divisão da política paulista.

Agora falemos um pouco de Aécio. Achei a sua reação, por intermédio de seus porta-vozes políticos, surpreendentemente desastrada. Não há uma só boa razão para que ele reaja com desagrado à união do PSDB paulista. Por quê? Qual é a tese? O que deveria fazer Serra? Não pode, então, compor politicamente com um seu antecessor no Palácio dos Bandeirantes? O governador de Minas aceitaria que o paulista desse pitaco na sua gestão em Minas? Quando promoveu a união com o PT na disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte, sem jamais esconder que fazia um ensaio que pretendia ter alcance longo, chegando a 2010, foi censurado por isso? O outro, por acaso, expressou qualquer contraposição ou ressentimento?

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Ainda com a ajuda de seus simpatizantes na crônica política, Aécio conseguiu juntar ao imbróglio a questão das prévias, como se a nomeação de Alckmin fosse um movimento “antiprévias”. E ela não é. Não há como ser. Se o partido entender que esse é o melhor caminho para definir o candidato, que assim seja. O que o governador de Minas não pode é reclamar que seus adversários se esforcem para, então, chegar com Mais força à consulta interna.

Do que Aécio está acusando Serra? De fazer política? De unir o partido em seu estado? De fazer um acordo com uma das alas do PSDB que contestava a sua liderança? Nada disso, entendo, faz muito sentido, não é mesmo? Os dois governadores tinham e têm leituras distintas do processo — e, no momento, parece que o de São Paulo conseguiu fazer as melhores escolhas. É só isso. Nada além. Acusar Serra de ter feito “rolo compressor”, como pretendem alguns aecistas, porque reunificou o PSDB paulista é nota de puro surrealismo. Fica parecendo que o governador de Minas só considera legítimos os lances que lhe são favoráveis.

Vamos ver. Há quem diga que Aécio está sendo duro para não perder a posição de pessoa influente no processo eleitoral. Pode ser. Para o PSDB, seria melhor que assim fosse. Mas também há a possibilidade de acusar um suposto jogo sujo — quando ele não poderia ser mais transparente — para ter um pretexto para romper as regras. Dadas origem e trajetória políticas, poucas pessoas, como Aécio, parecem tão destinadas a chegar ao topo. Ele só precisa tomar cuidado para não ser derrotado pelo próprio açodamento. E seu avô, mais do que qualquer outra pessoa, pode lhe dizer isso, ainda que por intermédio da memória.

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