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Reinaldo Azevedo

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Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura
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O PSDB ainda não descobriu a Primeira Epístola de São Paulo sobre os “corintianos”

Já explico. Antes os números. Pesquisa Ibope encomendada pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) para a Prefeitura da capital traz a ex-prefeita Marta Suplicy (PT) com 31% das intenções de voto, seguida de Geraldo Alckmin (PSDB), com 23%, e do prefeito Gilberto Kassab (DEM), com 14%. Foram entrevistadas 805 pessoas entre os dias 20 […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 19h40 - Publicado em 7 abr 2008, 17h23
Já explico. Antes os números.

Pesquisa Ibope encomendada pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) para a Prefeitura da capital traz a ex-prefeita Marta Suplicy (PT) com 31% das intenções de voto, seguida de Geraldo Alckmin (PSDB), com 23%, e do prefeito Gilberto Kassab (DEM), com 14%. Foram entrevistadas 805 pessoas entre os dias 20 e 23 de março. Os números foram publicados hoje no Diário do Comércio, jornal da ACSP. Na seqüência, aparecem os seguintes nomes: Paulo Maluf (PP), com 11%; Luiza Erundina (PSB), com 5%; Paulinho da Força (PDT) e Soninha (PPS), com 2%. Os brancos e nulos somam 9%. Não sabem ou não opinaram 3% dos ouvidos. Os números acima são da pesquisa estimulada.Quando o eleitor é chamado a dizer espontaneamente em quem vai votar, sem a apresentação de lista, Marta tem 15%; Kassab, 10%, e Alckmin, 4% — um ponto à frente de Maluf, com 3%.

São Paulo, o apóstolo, não a cidade
Como entender estes números. Huuummm. Tenho uma, vá lá, técnica. Sempre que estou diante de algum dilema ou que algo me parece obscuro no campo da ciência moral ou das divergências humanas, eu leio São Paulo, o Apóstolo. Alckmin é versado nas coisas da religião. Deveria fazer o mesmo. E é na Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios que acho a resposta:

Da mesma sorte, se as coisas inanimadas, que fazem som, seja flauta, seja cítara, não formarem sons distintos, como se conhecerá o que se toca com a flauta ou com a cítara? Porque, se a trombeta der sonido incerto, quem se preparará para a batalha? Assim também vós: se, com a língua, não pronunciardes palavras bem inteligíveis, como se entenderá o que se diz? Porque estareis como que falando ao ar.
(I Cor, 14, 7-9)

Ora, cedo ou tarde — e foi mais cedo do que tarde —, o eleitorado percebeu que a aliança PSDB-DEM que governa a cidade de São Paulo está cobrando do eleitorado que faça a distinção entre a cítara e a cítara, entre a flauta e a flauta. E, de fato, a diferença que faz diferença é aquela existente entre a flauta e a cítara.

Então se pede ao eleitorado que faça a distinção entre uma administração do PSDB e uma promessa de administração do… PSDB??? O PT, nos seus melhores sonhos, não contaria com tamanha ajuda dos adversários.

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Devagar
É evidente que os votos de Alckmin e Kassab podem ser considerados, com perdas que suponho pequenas, votos anti-PT ou anti-Marta. Assim, a situação da ex-prefeita, a estarem certos os números, é menos confortável do que parece. Mas é inequívoco que as pesquisas apontam uma tendência: a petista está em ascensão, e o tucano, em queda.

“E por que o DEM não fecha logo com a gente, e então Alckmin põe seu bloco na rua?”, perguntar-se-ia, com sua retórica sempre enérgica, um Silvio Torres da vida. A resposta é quase aborrecida: porque política tem fila e se dá mal com fatos consumados. E foi o que Alckmin fez com Kassab: “Sou candidato do meu partido e posso ser da nossa aliança; você vem junto?” O outro ou se sujeita ou cuida de seu jogo. Como, entre parceiros, a sujeição é relação de mando, o acordo emperrou. E Marta vai tirando vantagem do imbróglio.

E olhem que a campanha nem começou. Se sou do PT, oriento a candidata a mostrar que “nem eles se entendem, como querem governar São Paulo?”, fazendo tábula rasa de uma boa administração, que, para começo de conversa, saneou as contas de uma cidade, que Marta deixou pendurada numa dívida superior a R$ 2 bilhões. Convenham: as forças não-petistas estão pedindo para sair, não é mesmo?

HistóricoTambém é preciso ver o histórico. Acho difícil um candidato petista, com uma campanha bem feita e o apoio de Lula, não alcançar um terço das intenções de voto . E um terço votará contra o PT, sempre. A questão é ganhar aquele terço que fica entre os dois extremos. O esforço dos adversários do PT para perder a eleição é gigantesco.

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Sabem o que penso. Acho que o grupo de Alckmin agiu muito mal. Tratou o aliado natural a pontapés e resolveu botar o bloco na rua na certeza de que estava diante de um potentado eleitoral — o que também não é verdade caso se estude o histórico. Candidaturas e campanhas têm de ser construídas.

Reitero: acho que a soma do eleitorado “alckmista” e “kassabista” vence Marta Suplicy. Ainda vence. Se a história corresse de forma linear, sem desvios e sobressaltos, os três sairiam candidatos, e os dois se juntariam no segundo turno contra a petista. Mas, entre a primeira e a segunda rodadas eleitorais, há a campanha. A chance de um curto-circuito na relação PSDB-DEM será gigantesca. Talvez seja fatal. O Alckmin que vence Marta com relativa facilidade no segundo turno é uma realidade pré-primeiro turno.

Talvez a vitória do PT em São Paulo faça parte de alguns cálculos. Ou não é mesmo uma aparente comédia de erros o PSDB de Minas estar de casamento marcando com o PT, enquanto os tucanos de São Paulo se preparam para disputar uma eleição contra os… tucanos?

É… As forças que governam a cidade não andam lendo a I Epistóla de Paulo aos Coríntios. E, resta evidente, está deixando de prestar atenção ao humor dos “corintianos”.

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