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O pancadão do Geraldo

A campanha do tucano Geraldo Alckmin à Prefeitura de São Paulo não está em crise, como podem sugerir algumas notícias. Ela nunca saiu da crise porque é “a” crise. A questão de fundo é uma só: por que ele é candidato? A resposta é a mesma que poderia ter sido dada em 2006, quando praticamente […]

Por Reinaldo Azevedo
Atualizado em 31 jul 2020, 19h01 - Publicado em 9 set 2008, 16h48
A campanha do tucano Geraldo Alckmin à Prefeitura de São Paulo não está em crise, como podem sugerir algumas notícias. Ela nunca saiu da crise porque é “a” crise. A questão de fundo é uma só: por que ele é candidato? A resposta é a mesma que poderia ter sido dada em 2006, quando praticamente impôs a sua candidatura ao PSDB — ou o partido rachava: porque ele acha que pode. O resto é conseqüência.

No jogo da política, é raro que um opositor reconheça o mérito essencial de quem disputa com ele um cargo. É da natureza do jogo: se você considera que o outro fez o que tinha de ser feito, por que então dizer: “Ele não”? Ora, Gilberto Kassab é o prefeito que governa São Paulo junto com o partido de Alckmin. Se formos pegar as posições-chave na cidade, quase se pode dizer o contrário: Kassab é que governa junto com o PSDB. Se Alckmin ataca a gestão, atira contra o próprio patrimônio partidário.

Escrevi acima “próprio” em negrito. Será mesmo “próprio”? Alckmin se transformou numa pequeno partido dentro do PSDB, respeitado mais por seu passado — afinal, próximo de um mito de Piratininga chamado Mário Covas — do que por seu presente ou futuro. Digamos que ele vença a disputa em São Paulo: isso vai contribuir para construir o PSDB? Acho que não. Aí, creio, seria a vitória da crise e de quem aposta na dissolução do partido.

Mas retomo o ponto. É natural que adversários se estranhem e não reconheçam os méritos um do outro. Não se pode acusar a prática de depredação da política. Mas aliados que atiram bombas no próprio território, que se dedicam, de forma deliberada, ao fogo amigo…, bem, aí já se trata mesmo de sabotagem. É evidente que num país de muitas carências — e São Paulo também —, basta andar um pouco, e se vai tropeçar em problemas. O que interessa a quem defende a cidadela, e não a quem a ataca, é responder a algumas perguntas:
a) está melhorando?;
b) medidas de longo prazo estão sendo tomadas?;

A resposta, no caso da gestão Kassab, é “sim” e “sim”. Marta não vai reconhecer porque está no seu papel — mas notem que até ela fala em “melhorar” o que está aí com uma nova “atitude”. Esse é um papo-furado de alcance internacional. A grande aposta dos “progressistas” em Barack Obama e nessa nova “atitude”. O que é? Sei lá eu. Pois bem: Marta tem de bater em Kassab, mas evita o choque mais violento. A Prefeitura é aprovada pela larga maioria dos paulistanos.

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Ah, para Alckmin, não. O personagem em busca de um texto precisa atacar o aliado — sim, do PSDB, Kassab é aliado — para ter o que dizer à população. Será que não se dá conta do jogo que está fazendo? Acho que sim. O problema, entendo, é que não se trata só de um destrambelhamento, mas de uma ação deliberada. Observem: para que ele aceitasse a vaga para disputar o governo de São Paulo em 2010, seria preciso que estivesse trabalhando nessa alternativa, certo? Qual alternativa? Ele disputaria os Bandeirantes, e Serra, a Presidência. Mas é por isso que ele luta? Essa é sua perspectiva? Acho que o Maquiavel de Pindamonhangaba (o pessoal da cidade não se ofenda, nem Alckmin: eu sou o Machado de Assis de Dois Córregos…) tem outros planos.

Por isso, o seu jogo não é de construção, mas de depredação. Amanhã, os tucanos fazem um jantar de apoio à candidatura de Alckmin. O governador José Serra, que divide a gestão da cidade com Kassab, é convidado. Noves fora, o encontro serve pra quê? “Ah, vamos nos unir para tirar esse PSDB do poder e, no lugar, botar o PSDB do Alckmin”. Sei: tira-se da Prefeitura o partido de Serra para põr o de Chalita.

Brincam, às vezes, os leitores que eu deveria ser político… Eu? No lugar de Serra, jamais iria a tal encontro. Mas ele vai porque política supõe engolir esses sapos. O jogo de Alckmin será plenamente mal-sucedido apenas se Kassab dor eleito. Caso Marta vença o pleito, o “PSDB do Geraldo” dirá, no dia seguinte, que só perdeu por falta de apoio — e não porque, afinal de contas, o candidato se esqueceu de que é preciso ter o que dizer.

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