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Reinaldo Azevedo

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O jornalismo e o Zé

José Dirceu publica o que segue em seu site. Volto em seguida: O valerioduto tucano A matéria de capa da Isto É dessa semana — “Valério revê o jogo” — informa que o publicitário Marcos Valério tem mantido encontros reservados com o delegado da Polícia Federal, Luiz Flávio Zampronha, onde sem entregar os nomes de […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 22h12 - Publicado em 3 set 2007, 20h59

José Dirceu publica o que segue em seu site. Volto em seguida:

O valerioduto tucano

A matéria de capa da Isto É dessa semana — “Valério revê o jogo” — informa que o publicitário Marcos Valério tem mantido encontros reservados com o delegado da Polícia Federal, Luiz Flávio Zampronha, onde sem entregar os nomes de políticos tucanos que se beneficiaram do chamado valerioduto ajudou a PF a entender o funcionamento do esquema.

Segundo a matéria, foram informações relevantes e o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, confirmou que irá encaminhar, ainda em setembro, a denúncia contra o ex-governador de Minas Gerais, o tucano Eduardo Azeredo, por peculato. O relatório interno da PF sobre o braço tucano do valerioduto tem 170 páginas e nele constam outros nomes graúdos. Um deles, o do atual governador de Minas Gerais, Aécio Neves.

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“Há fortes indícios de que o mensalão mineiro abasteceu também as campanhas de Aécio”, diz um dos investigadores do caso. A PF encontrou ainda duas dezenas de funcionários de gabinetes de deputados e vereadores que recebiam dinheiro, também no Banco Rural, só que em Belo Horizonte, para repassá-lo aos políticos com os quais trabalhavam. A Polícia Federal não indiciou ninguém antes de enviar o relatório para o Ministério Público Federal e caberá ao procurador Antonio Fernando escolher as condutas criminais.

Nas investigações feitas pelo delegado Zampronha descobriu-se que a construtora mineira ARG também fez saques de R$ 102 milhões no Banco Rural, na boca do caixa, e a empresa doou recursos a vários candidatos do PSDB – entre eles, o atual governador Aécio Neves, que recebeu uma contribuição declarada de R$ 300 mil.

A matéria diz, ainda, que Marco Valério também ficou muito irritado com as declarações recentes do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que explorou politicamente o julgamento do STF. A vários amigos, Valério sustenta que sua relação comercial com o PSDB, que para muitos é o “embrião do mensalão”, não nasceu apenas em Minas, mas também em Brasília. Afinal, no governo FHC, sua agência já mantinha as contas dos Correios, do Banco do Brasil, da Visanet e do Ministério das Comunicações, então comandado por Pimenta da Veiga, que pode ser considerado um amigo mais do que íntimo de Valério.

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A conferir.

Voltei
É, com efeito, tudo muito interessante. Vamos ver.

– A IstoÉ sobre o “valerioduto mineiro” chegava às bancas praticamente junto com o 3º Congresso do PT, que tirou como uma das “resoluções” o pedido para que se apure o caso;

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– Notem que, segundo o relato que Dirceu faz da matéria da IstoÉ, Valério e um delegado da Polícia Federal estariam mais conspirando do que se dedicando à apuração, certo? Que história é essa de “encontros informais”? Não entendi. Quer dizer que o dito ex-publicitário passa informações apenas para o consumo do delegado Zampronha, e este se encarregará, ao arrepio da instituição a que pertence, de dar a destinação que julgar mais útil? Essas “informações”, se não forem usadas em investigações e diligências, serão usadas para quê? Para fazer chantagem, por exemplo?;

– O PT, parece, desistiu mesmo de ter o governador Aécio Neves como um aliado objetivo seu. Ainda que interessasse ter um político tucano não-hostil à turma, a verdade é que o escorpião não pode negar a sua natureza;

– O que será que quer dizer “relatório interno da PF”? Ele vai ser usado ou não? É um relatório oficial?;

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– Dirceu é mesmo engraçado. Noto que ele nega a existência do mensalão — o do governo federal, evidentemente. Já quando se trata de Minas, usa a palavra sem qualquer preconceito;

– Reitero sobre esse caso duas coisas: que os responsáveis sejam processados e punidos. É o que sempre defendi. Mas não se tente transformar os “recursos não-contabilizados de campanha” com a ação de uma quadrilha que decidiu assaltar não apenas os cofres públicos, mas também a institucionalidade;

– Que os tucanos tenham desassombro diante dessa escalada. Está na cara que, mais uma vez, o PT está disposto a tudo e a recorrer a todos os meios para enlamear a reputação dos adversários. A ordem, no momento, é está: “Somos todos iguais, mas o PT é mais ético”. Mais ainda: tudo começou, até o mensalão, com o PSDB. A culpa, como sempre, é do governo FHC.

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– Ah, sim: a matéria da IstoÉ evidencia o quanto é a falsa a acusação de “golpismo” da mídia, permanentemente feita pelo PT. Eis aí: na semana em que o STF faz o maior julgamento da história, levando 40 para o banco dos réus, a VEJA, por exemplo, deu capa para o assunto, com ênfase na ação de Joaquim Barbosa. Já a IstoÉ preferiu dar destaque para Marcos Valério, aquele que jamais fez uma miserável acusação que pudesse incriminar os petistas, mas que, pelo visto, está especialmente interessado em atingir os tucanos.

– E Dirceu? Acusou a parcialidade da IstoÉ? Ou a da CartaCapital? Não, ué. Imprensa boa, como já filosofou Apedeutakoba certa feita, é imprensa a favor. O resto é golpismo. Isso só evidencia que não existe “a” imprensa, assim, no singular. No caso da IstoÉ, por exemplo, cumpre lembrar que é a revista com a qual Hamilton Lacerda, ex-homem forte de Aloizio Mercadante e um dos operadores do dossiê fajuto contra os tucanos, negociou a entrevista com os Vedoin (lembram-se? São os mafiosos das ambulâncias). A entrevista, como ficou claro, era parte da arquitetura do golpe.

Mas Zé Dirceu é um homem justo. Só fala mal de revista que publica aquilo de que ele não gosta. Quando ele concorda com a matéria, evita debate de mérito.

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