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Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura
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O Jornal Nacional, com a sua competência, pode muito. Mas não consegue mudar o que está no Houaiss. Ou: Por que os violentos estão vencendo

Vejo reportagem no Jornal Nacional sobre os mascarados supostamente “infiltrados” na bagunça desta terça em São Paulo e no Rio. As palavras contradizem as imagens. Como podem estar “infiltrados” se podemos ver os black blocs compondo a linha de frente da marcha? O JN pode muita coisa, mas não pode mudar o sentido das palavras. […]

Por Reinaldo Azevedo
Atualizado em 31 jul 2020, 05h10 - Publicado em 16 out 2013, 22h09

Vejo reportagem no Jornal Nacional sobre os mascarados supostamente “infiltrados” na bagunça desta terça em São Paulo e no Rio. As palavras contradizem as imagens. Como podem estar “infiltrados” se podemos ver os black blocs compondo a linha de frente da marcha? O JN pode muita coisa, mas não pode mudar o sentido das palavras. O particípio “infiltrado” vem do verbo “infiltrar”, na acepção nº 2 do Houaiss, a saber (em azul):
2 ( bit. e pron. ) [prep.: em] fig. introduzir(-se) aos poucos ou sub-repticiamente.
Pode-se ainda recorrer à palavra “infiltrado” mesmo:
que ou aquele que se infiltrou numa organização inimiga; espião

Pergunta-se o óbvio:
1: se, no Rio e em São Paulo, os mascarados compõem uma ala da passeata, sem se esconder de ninguém, pode-se dizer que eles “se introduziram aos poucos ou sub-repticiamente” no movimento?
2: esses “infiltrados”, por certo, não resolveram atuar, de forma sub-reptícia numa organização inimiga. Ao contrário: trata-se de uma organização amiga.

Ainda que o Jornal Nacional não queira, a direção do sindicato dos professores quer: em pronunciamentos e até numa nota oficial, considera os black blocs amigos da causa. Estão juntos. Há fotos provando. Há vídeos provando. Há textos provando.

William Bonner destacou, quase escandindo as sílabas, para que a gente entenda di-rei-to que os sindicato teve o cui-da-do de deixar claro o momento em que terminou a manifestação, no curso da qual, em companhia dos black blocs, não houve violência nenhuma. Pois é…

Quem, amante de manifestação pacífica, faz ato conjunto com black blocs? A pergunta nasce da lógica elementar. Anunciar, com to-das as sí-la-bas o momento em que o protesto acaba, meu caro William Bonner, funciona, então, como uma senha para, dali a pouco, o início do quebra-quebra.

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Se os sindicalistas repudiam a ação dos black blocs, basta, então, expulsá-los da manifestação. Não só não expulsam como ainda os defendem sem pudor.

Finalmente
Em São Paulo, os que foram às ruas, informou a reportagem, se manifestavam contra Sérgio Cabral (???) e Geraldo Alckmin. Suas faixas foram levadas ao ar. Uma vitória e tanto para quem marchou junto com os black blocs, numa parceria, deixando um rastro de destruição na cidade.

Na semana que vem, eles fazem de novo: afinal, os organizadores do protesto serão chamados de “pacíficos”, os black blocs de “infiltrados”, e, como gorjeta preciosa, suas palavras de ordem são exibidas em rede nacional. O que mais se pode querer? Ah, sim: e ainda cabe a representantes da segurança pública se explicar diante da opinião pública.

Questão final: os blac blocs criticam a Globo e até danificaram uma câmera da emissora nesta terça. O Reinaldo Azevedo critica a abordagem do Jornal Nacional. Uma alma simples poderia concluir: se a crítica vem dos dois extremos, a verdade está no meio. Ainda que eu fosse o extremo oposto dos mascarados (em certa medida, sim: ando de cara limpa, não bato em ninguém nem quebro nada), a conclusão seria errada. A minha informação, que não é opinião, está ancorada no que dizem as próprias lideranças do sindicato e no sentido das palavras. De resto, nem sempre a virtude está no meio. Estivesse em qualquer caso, só 50% do caminho nos distanciariam, por exemplo, de terroristas, não é? Ou de quadrilheiros e bandoleiros. E eu reivindico, para os homens de bem, 100% de distância dessa gente.

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