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Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura
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O DIA DA DOBRADINHA PT-DEM PARA IMPEDIR A CPI DA PETROBRAS. UM CUMPRE O SEU PAPEL, JÁ O OUTRO…

Leiam o que vai abaixo. Volto em seguida:Por Christiane Samarco e Eugênia Lopes, no Estadão:A instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobrás rachou a oposição e provocou um bate-boca ontem, no plenário do Senado, entre senadores do DEM e do PSDB. Enquanto os tucanos exigiam a criação imediata da CPI, o DEM sustentava […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 17h38 - Publicado em 15 Maio 2009, 07h37

Leiam o que vai abaixo. Volto em seguida:
Por Christiane Samarco e Eugênia Lopes, no Estadão:
A instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobrás rachou a oposição e provocou um bate-boca ontem, no plenário do Senado, entre senadores do DEM e do PSDB. Enquanto os tucanos exigiam a criação imediata da CPI, o DEM sustentava o acordo fechado com os governistas pela manhã para adiá-la até que o Senado ouça o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli. No início da noite, o primeiro-secretário, Heráclito Fortes (DEM-PI), presidiu a sessão e se negou a ler o requerimento que cria a CPI. Irritados, os tucanos chegaram a trocar ofensas com Heráclito. Em meio aos ânimos acirrados, a senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) pôs fim à polêmica encerrando a sessão.
“Nós do PSDB não topamos acordão. Queremos investigação. Não vamos esperar por nenhuma audiência do Gabrielli”, afirmou ontem à noite o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). A sessão terminou, mas o bate-boca dos tucanos com Heráclito continuou no plenário. Para acalmá-los, o primeiro-secretário garantiu que “na terça-feira estaremos todos juntos”. “Também vou lutar pela instalação dessa CPI”, afirmou. Mas não convenceu. Os tucanos suspeitam que setores do DEM no Senado tenham se aliado ao líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL), que trabalhou para retirar assinaturas de apoio.
O depoimento de Gabrielli só vai ocorrer daqui a duas semanas – na semana que vem, o presidente da estatal vai aos Estados Unidos e à China. Antes de bater o martelo pela instalação imediata da CPI, Guerra e os senadores tucanos Arthur Virgílio (AM) e Tasso Jereissati (CE) se reuniram com Gabrielli, no gabinete do líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP).
Mas de nada adiantaram as explicações do presidente da Petrobrás. “As dúvidas não se resolvem com palavras. Tem de ter uma avaliação mais profunda”, disse Guerra. O PSDB do Senado permaneceu irredutível na decisão de exigir a leitura do requerimento de instalação da CPI, que ontem contava com 32 assinaturas – cinco a mais do que o mínimo necessário. “Não importa que amanhã todos retirem as assinaturas e restem apenas os 13 senadores do PSDB. Hoje, pelo regimento, temos o direito de pedir a leitura para a criação da CPI”, observou o líder Virgilio.
Pela manhã, os líderes partidários acertaram em reunião que a criação da comissão ficaria suspensa até o depoimento de Gabrielli. Os tucanos não participaram da reunião no gabinete do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), mas o líder do DEM, senador José Agripino Maia (RN) informou ao colegiado que falava também em nome do PSDB. No início da noite, Virgilio defendeu-se dizendo que não sabia que os líderes estavam tratando de CPI e que sua bancada não aceitava o adiamento. A proposta acordada pelos líderes partidários prevê o depoimento de Gabrielli em sessão conjunta das comissões de Assuntos Econômicos (CAE), de Infraestrutura e de Constituição e Justiça (CCJ). “Foi um consenso dos líderes: primeiro vamos ouvir o Gabrielli e a instalação da CPI fica dependendo disso”, afirmou o presidente Sarney, deixando claro que a abertura do inquérito dependeria do desempenho de Gabrielli no convencimento dos senadores.

Comento
O DEM teve ontem o seu dia de PT — do pior PT: aquele que manobra para impedir a realização de uma CPI sem deixar claro para a opinião pública o motivo. Pior do que isso: fez jogo ambíguo. Dos seus 14 senadores, 12 meteram o nome no requerimento, mas bem poucos querem, de fato, a investigação.

Conversei no fim da noite com o senador José Agripino (RN), líder do partido. Ele sustenta que o DEM não está voltando atrás e diz que não há a menor chance de haver retirada de assinaturas: “Isso eu posso assegurar”. Mas defendeu que a Casa ouça primeiro o presidente da Petrobras. Segundo entendi, essa escolha unifica mais a bancada. Perguntei a Agripino quem, então, no partido, não quer a CPI, embora tenha assinado o requerimento. Ele insistiu que isso não existe e que a legenda está unida em defesa da instalação da comissão. Será?

Havia falado antes com a senadora Kátia Abreu (TO). Ela, de fato, quer a CPI. Mostrou-se muito convicta. Perguntei sobre seus colegas: “Ah, a posição dos outros, não sei. Sei a minha. É CPI. E já! Que eu saiba, há 12 assinaturas do meu partido. Penso que quem assinou o requerimento quer a mesma coisa. Ou, então, explique por que assinou, né!?”. Pois é.

Este blog apurou que o entusiasmo é mesmo pequeno no partido. Tão pequeno quanto é grande o poder da Petrobras. Entre aqueles pouco animados ou contrários à comissão estão Gilberto Goellner e Jaime Campos, ambos do Mato Grosso. Cedem ao apelo do governador Blairo Maggi, mobilizado pelo Planalto para tentar detonar a CPI. Demóstenes Torres (GO), Marco Maciel (PE), Eliseu Resende (MG) e Rosalba Ciarlini (RN) também não se mostram animados. Rosalba é uma aliada de Agripino, o que talvez revele menos ânimo do que seria de se esperar do próprio líder do Democratas no Senado.

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A tropa de choque do governismo entrou com tudo para inviabilizar a comissão — e, no Senado, contou, como se lê acima, com a ajuda do DEM. A dobradinha Heráclito Fortes (DEM-PI)-Serys Slhessarenko (PT-MT) foi muito eficiente. Heráclito está sempre em relação transitiva com as musas petistas da Casa. Quando não está brigando com Ideli Salvatti (PT-SC), está dançando um minueto com Slhessarenko. Quem poderia invejá-lo, não é mesmo?

Sarney disparou telefonemas para os senadores do DEM. Ameaça com apocalipse, fazendo repercutir as palavras de Sérgio Gabrielli, o loquaz presidente da Petrobras e grande animador de quadrilhas juninas, segundo quem uma comissão paralisaria a empresa. Também se instalaria o caos no mercado financeiro, dada a importância da empresa na Bolsa. E as oposições arcariam com essa responsabilidade… Sei! Quando governistas se preocupam com a reputação dos oposicionistas, um dos dois grupos está fazendo a coisa errada. Ou ambos. Para Gabrielli, não existe um fato determinado para a CPI. É verdade. Existem muitos.

Uma coisa é certa: o desespero que tomou conta do governo e dos governistas para impedir a instalação da comissão fornece um bom indício político de que é preciso instalar a comissão. Abaixo, publico os e-mails dos senadores do DEM. Se acharem conveniente, mandem-lhes mensagens respeitosas dizendo o que acham. Até os petralhas podem aproveitar para enviar elogios, não é? Algo como: “É isso aí, DEM. O PT está muito grato!”
adelmir.santana@senador.gov.br
acmjr@senador.gov.br
demostenes.torres@senador.gov.br
efraim.morais@senador.gov.br
eliseuresende@senador.gov.br
gilberto.goellner@senador.gov.br
heraclito.fortes@senador.gov.br
jayme.campos@senador.gov.br
jose.agripino@senador.gov.br
katia.abreu@senadora.gov.br
marco.maciel@senador.gov.br
maria.carmo@senadora.gov.br
raimundocolombo@senador.gov.br
rosalba.ciarlini@senadora.gov.br

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