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Reinaldo Azevedo

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NUNCA ANTES NESTEPAIZ. OU: CUIDADO COM O EXCESSO DE PACIÊNCIA

Dilma Rousseff tem um adversário pessoal importante, como todos sabem, que é a doença — que, a dar crédito aos médicos, não representa, felizmente, grande perigo. À parte essa questão, outro inimigo, aí político, pode ser a própria Dilma. Entre os nomes mais citados como possíveis candidatos, segundo o Sensus, ela tem a segunda maior […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 17h32 - Publicado em 2 jun 2009, 07h11

Dilma Rousseff tem um adversário pessoal importante, como todos sabem, que é a doença — que, a dar crédito aos médicos, não representa, felizmente, grande perigo. À parte essa questão, outro inimigo, aí político, pode ser a própria Dilma. Entre os nomes mais citados como possíveis candidatos, segundo o Sensus, ela tem a segunda maior rejeição (só perde para Ciro Gomes): entre os 72% que disseram que a conhecem, 32,4% dizem que não votam nela. E essa é a rejeição mais importante (a dos que conhecem), não aquela geral (23,3%), que também não é baixa. E pronto! As dificuldades da candidata oficial acabam aí. O resto só joga a favor. Diria mais: o resto até faz campanha para a ministra.

 

Enquanto escrevo, na madrugada, continua no ar o título do Estado Online que anuncia empate técnico entre a petista e o tucano José Serra na pesquisa do Sensus. Empate? É! Empate, embora, no primeiro turno, ele tenha 17 pontos de vantagem (40,4% contra 23,5%) e vença o segundo turno com grande folga: 49,7% a 28,7%”. Optou-se, no entanto, por dar destaque ao voto espontâneo: ainda segundo o Sensus, Serra aparece com 5,7%, e a ministra, com 5,4%. A ministra, que já não é cobrada pelos desaforos do PAC, agora merece também uma leitura inédita das pesquisas, que se espalhou, claro, pela rede.

 

Sim, as pesquisas Datafolha e Sensus, em que pese a brutal diferença nos números referente a Dilma (seria de mais de 9 milhões de eleitores!), trazem alguns fatos, digamos, políticos:

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1 – Dilma ascendeu ou está em ascensão;

2 – Serra está mais ou menos estacionado, variando praticamente na margem de erro, mas pode estar em queda;

3 – Aécio começa a ser cada vez menos uma opção tucana; a despeito da grande exposição da imprensa nacional, a candidatura não decola.

Assim, é razoável que o destaque seja dado ao encurtamento da distância. Mas atenção!

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É INÉDITO NA HISTÓRIA DO NOTICIÁRIO SOBRE PESQUISAS — E A INTERNET ESTÁ AÍ PARA PROVAR — CONSIDERAR O ÍNDICE DO VOTO ESPONTÂNEO O DADO MAIS IMPORTANTE DE UM LEVANTAMENTO. E É INÉDITO PORQUE É ERRADO MESMO. POR MAIS QUE A CITAÇÃO ESPONTÂNEA POSSA INDICAR QUE UM CANDIDATO ESTÁ SE TORNANDO POPULAR. Evidentemente, a opção indica uma disposição e, vamos dizer, um “clima” que preservam a ministra de sua própria estatura político-eleitoral. Está para nascer o especialista em pesquisa que considere esse dado mais relevante do que, por exemplo, o índice de rejeição.

 

Tucanos

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Essa “pegada” do jornalismo eletrônico é, por si mesmo, mais um motivo para que os tucanos se preocupem. Ontem, José Serra esteve num evento comemorativo dos 21 anos do PSDB e, segundo noticia a Folha, citou uma frase de Lênin para dizer como pretende reagir à pressão do PT — e do PSDB — por uma campanha antecipada, coisa a que ele se opõe. Segundo o jornal, foi assim: “Para ser um bom bolchevique, é preciso duas coisas: paciência e ironia. Vamos ter de ter as duas coisas neste ano e no ano que vem”. Que eu saiba, o facinoroso russo considerou essas as duas virtudes do “revolucionário”. Dá quase na mesma.

 

Começo observando que o poeta Carlos Drummond de Andrade poderia responder ao governador que “não é fácil ter paciência diante dos que têm excesso de paciência”. Acho que ele deveria levar o poeta em conta quando pensa em possíveis aliados para a batalha. Os impacientes procuram alternativas. Quanto à lembrança, eu recomendaria cuidado ao governador. Recorrer a Lênin para defender uma tática de resistência ao PT — e justamente a um Lênin que prega a ironia como arma (ele gostava mesmo é da outra) — tem, obviamente, um caráter intencionalmente irônico. Trata-se de um humor sutil, metalingüístico até, no país tomado pela literalidade mais bruta, mais bocó, mais analfabeta. Tenho dúvidas se funciona. Com paciência, sem dúvida, acho que é hora de começar a falar de futuro.

 

É claro que o PSDB tem dificuldades. A esta altura, um partido que tivesse unidade e propósito claro deveria, mesmo sem o lançamento explícito da candidatura, estar unido em torno daquele que reúne condições objetivas de enfrentar a impressionante máquina eleitoral petista, com sua óbvia infiltração na imprensa. É o que o outro lado já fez: escolheu a personagem e a está construindo dia a dia. Na oposição, aqui e ali, o esforço de certas alas vai na contramão: desconstruir o que já está construído.

 

Se Serra decidisse dizer amanhã: “Sim, eu vou para a disputa”. Aécio responderia: “Não sem as prévias. Números não são importantes”. E, para o governador de São Paulo, isso não deixa de ser um conforto, já que entende que ainda não é hora de começar o embate. Mas notem que isso é uma dança que só faz sentido no ninho do próprio tucanato. E não é a disputa interna que vai decidir quem vai ficar com as batatas, mas a externa, aquela contra a candidata do PT.

 

Dilma está colhendo, sim, os benefícios do uso impressionante da máquina, da exploração eleitoral descarada que se fez e se faz da sua doença, do alinhamento óbvio de amplos setores da imprensa com a sua candidatura… Mas também se beneficia do fato de que está jogando sozinha. Pouco importa se Serra comparece ou não para a partida. De fato, os petistas preferem que ele não compareça. O horizonte político-escatalógico do partido é mesmo um jogo sem adversários.

 

Ridículo

Não deixa de ser ridículo que os tucanos levem adiante, por mais tempo, essa fantasia da disputa interna. Até porque a lógica indica que uma saída virtuosa só seria possível depois de um desastre. Explico: seria preciso que a candidatura de Serra se esfarelasse para que a de Aécio, então, surgisse como “alternativa”. Ocorre que, se Serra se esfarelar, Dilma já terá tomado conta do cenário. Assim, a opção Aécio é refém de uma possibilidade que inviabiliza o partido. Ademais, como se nota, os cabos eleitorais de Dilma Rousseff estão assanhadíssimos.

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Se o PSDB não evidenciar logo a unidade e começar a travar uma guerra de valores com o PT, com uma agenda voltada para o futuro, as coisas vão se complicar para os tucanos. A sucessão já começou. Não adianta fingir.

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