No socialismo bolivariano, sobra uísque importado, mas falta leite
Da Reuters, no Estadão de hoje: O operário venezuelano Gustavo Arteaga, pai de duas crianças, tem de sair mais cedo do trabalho para um empreendimento mais complicado – comprar leite. Gustavo, como a maioria dos venezuelanos, luta há meses para encontrar produtos de primeira necessidade, como óleo de cozinha e carne, além do leite, apesar […]
Da Reuters, no Estadão de hoje:
O operário venezuelano Gustavo Arteaga, pai de duas crianças, tem de sair mais cedo do trabalho para um empreendimento mais complicado – comprar leite. Gustavo, como a maioria dos venezuelanos, luta há meses para encontrar produtos de primeira necessidade, como óleo de cozinha e carne, além do leite, apesar de o presidente Hugo Chávez prometer esses produtos a preço baixos para os pobres. “É um milagre encontrar leite”, diz, depois de passar duas horas na fila de um mercado no bairro pobre de Eucaliptus, em Caracas. A escassez aumentou o ceticismo da população em relação à política econômica de Chávez. As empresas dizem que os preços tabelados dos alimentos de primeira necessidade são tão baixos que não vale a pena produzi-los ou vendê-los. O governo alega que o problema é causado pela demanda crescente da população pobre, que se beneficia dos programas sociais de Chávez, o pânico criado pela imprensa e o comportamento de empresas inescrupulosas, que estariam estocando os produtos. As prateleiras dos supermercados continuam repletas de uísque e vinho importado, mas até 25% dos alimentos de primeira necessidade, este ano, tiveram fornecimento irregular, segundo a Datanálisis, grupo de pesquisa econômica e opinião pública. Ao mesmo tempo, a economia mostra sinais de superaquecimento, graças aos recursos provenientes do petróleo. De acordo com a Datanálisis, os venezuelanos perdem várias horas por semana em busca de alimentos. Os produtos são racionados e, em alguns casos, os lojistas carimbam a mão do cliente para ele não entrar duas vezes na fila.
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