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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

No momento em que Lula entra na campanha, Haddad, que acha que matar depois de ler livros é melhor do que matar antes, parte para a baixaria contra Serra

Muito bem! Agora eles entraram em campo. Fernando Gugu-Dadá Haddad está dizendo a que veio. E, acreditem, não é a sua primeira barbaridade. Também não é a primeira baixaria de João Santana, o marqueteiro. E tudo acontece no momento em que Lula anuncia a sua entrada na campanha. A que me refiro? Leiam o que […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 08h10 - Publicado em 9 ago 2012, 06h33

Muito bem! Agora eles entraram em campo. Fernando Gugu-Dadá Haddad está dizendo a que veio. E, acreditem, não é a sua primeira barbaridade. Também não é a primeira baixaria de João Santana, o marqueteiro. E tudo acontece no momento em que Lula anuncia a sua entrada na campanha. A que me refiro? Leiam o que informa Bernardo Mello Franco na Folha de hoje. Volto em seguida:

*
O site da campanha de Fernando Haddad (PT) à Prefeitura de São Paulo levou ao ar um vídeo em que um rapper faz gesto obsceno para José Serra (PSDB) e liga o tucano a Adolf Hitler (1889-1945). O videoclipe, intitulado “E agora, José?”, foi reproduzido com destaque na capa do portal petista, a cargo do publicitário João Santana.

Em algumas imagens, Serra é retratado como vampiro, profeta do apocalipse e sósia do sr. Burns, o empresário ganancioso da série “Os Simpsons”. Uma sequência de fotos o compara a Hitler e ironiza o episódio da campanha de 2010 em que o tucano disse ter sido atingido por um objeto atirado por petistas. O rapper MC Mamuti 011 ergue o dedo médio ao ouvir o nome do candidato do PSDB e canta: “Cê [sic] tem nojo do nosso povo, num finge que não/Fácil querer ser bom moço perto da eleição”.
(…)
A assessoria de Haddad disse inicialmente que o candidato não tem responsabilidade pelo vídeo. Isso também é dito, em letras pequenas, na página do portal. Em um segundo contato, porém, a assessoria afirmou que o vídeo foi publicado sem autorização dos coordenadores da campanha e que o responsável seria demitido.

Voltei
Eis aí do que são capazes. Trata-se de uma tática. O vídeo é posto no ar para que seja depois divulgado pela rede suja e pelos patrulheiros da Internet. Chamo o candidato petista de Gugu-Dadá numa referência a seu arzinho cúti-cúti, carinha de bom menino, do tipo que brinca sem sujar o shortinho. Mas ele é capaz de barbaridades — e não só teóricas.

Em agosto de 2011, criticando a reação dos inconformados com o livro do “nós pega os peixe”, ele fez este estupefaciente comentário:
“Há uma diferença entre o Hitler e o Stálin que precisa ser devidamente registrada. Ambos fuzilavam seus inimigos, mas o Stálin lia os livros antes de fuzilá-los. Essa é a grande diferença. Estamos vivendo, portanto, uma pequena involução, estamos saindo de uma situação stalinista e agora adotando uma postura mais de viés fascista, que é criticar um livro sem ler”.

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Está tudo dito aí. Fuzilar depois de ler é moralmente superior a fuzilar antes de ler, entenderam? Fuzilar depois de ler é uma “evolução”. Sem contar que resta a sugestão de que, se leu, pode ter fuzilado por bons motivos.

João Santana, responsável pela campanha, não teve dúvida em pôr a propaganda no ar. Já mergulhou no esgoto antes. Por que não o faria agora? Foi dele a ideia de perguntar no ar, na campanha de Marta em 2008, se o prefeito Gilberto Kassab era casado e tinha filhos. Imaginem qualquer campanha similar nesse sentido feita por Serra, satanizando o petismo. A imprensa paulistana, majoritariamente “haddadiana”, não abandonaria mais o assunto.

Entendam: a moral petista é a da necessidade. O partido precisa sair do atoleiro eleitoral em que está? Precisa! O que eles topam fazer para isso? Qualquer coisa! Não estão de braços dados com Maluf? O vídeo será agora reproduzido pela Al Qaeda eletrônica.

Haddad, claro, vai dizer que não sabia de nada, que o material entrou sem o seu conhecimento. Assim como desconhecia os vídeos do kit gay que, sob o pretexto de combater o preconceito, fazia proselitismo. Esse rapaz, que nunca sabe de nada, pretende ser o novo norte moral de São Paulo. Estamos vendo.

E não há como ignorar: isso ocorre no momento em que Lula, na prática, toma as rédeas da campanha. “Lula seria capaz disso?” Em três letras e um ponto: sim!

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