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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Não dá! Já que Britto não pode mudar de família, ou a família muda de rumo e de ramo, ou ministro tem de renunciar

Ok, já que todo mundo finge ser normal, não é necessário mais um. Então digo: não é normal! Aos poucos, vamos todos nos acostumando às lambanças, sempre concedendo, emprestando um tantinho mais da nossa tolerância… E os absurdos, assim, vão se naturalizando, sendo encarados como coisa corriqueira. À medida que vamos perdendo a capacidade de […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 14h04 - Publicado em 2 out 2010, 07h25

Ok, já que todo mundo finge ser normal, não é necessário mais um. Então digo: não é normal!

Aos poucos, vamos todos nos acostumando às lambanças, sempre concedendo, emprestando um tantinho mais da nossa tolerância… E os absurdos, assim, vão se naturalizando, sendo encarados como coisa corriqueira. À medida que vamos perdendo a capacidade de nos indignar, os “espertos” vão estabelecendo limites novos. Num processo assim, um convento de gente pia pode se transformar num lupanar. E sem a reação indignada de ninguém, mesmo dos descontentes… A decadência vai se dando de modo lento, quase imperceptível.

Não serei eu a pôr uma corda no pescoço do ministro Ayres Britto, do Supremo Tribunal Federal, o sogro do notório Adriano Borges, o advogado que pediu R$ 4,5 milhões a Joaquim Roriz para tirar Britto no julgamento do Ficha Limpa. Não! Mas que as coisas se complicam, ah, isso é inegável! Porque não é só o genro, não! É também Adriele, a filha, advogada e parceira do marido em causas, como podemos chamar?, polêmicas.

Sabe-se agora que Borges é também advogado de Expedito Júnior (PSDB), candidato ao governo de Rondônia e com problemas com o tal Ficha Limpa. Ao cobrar aquela dinheirama de Roriz, “o genro” usou como parâmetro o valor que teria sido acertado com Expedito,  que nega o pagamento.

Leiam um trecho de reportagem de Matheus Leitão, Fernanda Odilla e Felipe seligman. Volto em seguida:
Se [o caso Roriz] tivesse dado certo, contudo, não seria a primeira vez que Borges seria empecilho para o sogro votar. No caso de Expedito Júnior, Britto alegou impedimento duas vezes: no STF e no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). No ano passado, Britto foi sorteado relator de um inquérito no Supremo que investiga Expedito. Uma semana depois, Borges entrou na causa e obrigou o ministro a se declarar impedido. Para atuar na Justiça Eleitoral, Borges foi contratado em 2006, quando o tucano foi acusado de comprar votos para se eleger senador em Rondônia. No ano passado, ele foi cassado pelo TSE em julgamento que não contou com a presença Ayres Britto, impedido de votar.
(…)
Em agosto, Borges e a mulher Adriele entraram para a lista de advogados que defendem pelo menos cinco dos oito magistrados suspeitos de desvio de cerca de R$ 1,4 milhão do Tribunal de Justiça do Mato Grosso. Eles foram aposentados pelo Conselho Nacional de Justiça e recorreram da decisão no STF. Assim, teoricamente, Britto deverá se declarar novamente impedido.

Comento
Isso é intolerável.  Fica óbvio, então, que agora é Borges e Adriele que decidem quando o ministro vota ou não. Tudo vai depender da eficácia de ambos em conseguir clientes. O ministro seria dono de uma autonomia delegada pela família.

Poderiam ser advogados de outra área e tal. Mas não! Seus clientes são justamente aqueles  enrolados com o STF. Vamos devagar aí! São apenas 11 pessoas com esta distinção: ministro do Supremo Tribunal Federal. É inaceitável que o genro de um ministro e sua filha circulem com essa desenvoltura em Brasília. Já que Britto não pode mudar de família, ou a família muda de rumo e de ramo, ou o ministro renuncia.

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