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Ministério da Doença – Se nada for feito, febre amarela urbana deve voltar

Por Sergio Torres, na Folha: A população brasileira está “totalmente exposta” às doenças ao mosquito Aedes aegypti.Em entrevista a Folha, Fonseca, 51, assessor da Vice-Presidência de Serviços de Referência e Ambiente da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) alerta sobre o risco de retorno da febre amarela urbana.Além disso, o especialista prevê que muito em breve haverá, […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 19h41 - Publicado em 7 abr 2008, 05h23

Por Sergio Torres, na Folha:

A população brasileira está “totalmente exposta” às doenças ao mosquito Aedes aegypti.
Em entrevista a Folha, Fonseca, 51, assessor da Vice-Presidência de Serviços de Referência e Ambiente da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) alerta sobre o risco de retorno da febre amarela urbana.
Além disso, o especialista prevê que muito em breve haverá, em alguma grande cidade brasileira, uma epidemia de dengue mais grave do que a atual, em curso no Rio. Desta vez provocada pelo vírus tipo 4, existente em países fronteiriços e no Caribe e que não é registrado no Brasil desde 1982. “Se estivesse sendo feita alguma coisa não teria voltado o 2″, disse ele, referindo-se à epidemia no Rio, responsável pela morte de 44 pessoas até sexta-feira no Rio e 67 em todo o Estado.

FOLHA – O sr. fala que essa epidemia demonstra o despreparo das autoridades de saúde. Por quê?
ANTÔNIO SÉRGIO DA FONSECA –
Uma doença como a dengue tem mecanismo de transmissão conhecido. Tem as formas de prevenir, de atuar, conhecidas. Tem previsibilidade do que pode vir a acontecer. Logo, você tem de tentar montar uma estratégia que seja mais eficaz.
Por mais que se esperasse, havia um despreparo completo. Isso é fundamental. Certamente nossa rede não estava preparada para isso. Em tese, era de se esperar que não houvesse nenhum óbito.
Se a gente pegar a história desde quando começou, em 1986, há uma série de elementos que vão prevendo a sucessão de coisas que aconteceram nesses 22 anos. No final da década de 70 já se falava sobre o risco da urbanização da febre amarela, por conta do ressurgimento do Aedes aegypti e da população que vinha aumentando. Existia a preocupação da entrada da febre amarela.
Um mosquito que tinha sido eliminado foi reintroduzido.
Em 1986, em Nova Iguaçu, nos primeiros casos, que tive oportunidade de atender, achávamos até que era febre tifóide. Era uma família inteira, todas próximas do mesmo local. A gente não estava acostumado. Dengue a gente sabia de livro.
Até que o vírus foi isolado na Fiocruz, era o dengue 1. Isso se estendeu rapidamente pelo município do Rio.
(…)

FOLHA – Por que não se adotou uma estratégia específica?
FONSECA –
Ela foi muito focada na responsabilização do cidadão. “O culpado é você porque tem bromélia, o culpado é você porque deixa água empoçada, que não tampa as caixas d’água”. É falho.
Outra coisa falha é que as medidas têm que ser contínuas e acompanhadas de grandes exemplos. Quando você identifica um depósito de carros oficiais abandonado com água dentro, ora, como você vai poder falar com uma mãe que tem que botar terrinha no vaso? Ela faz isso, e a filha fica doente porque do outro lado o poder público não deu conta de eliminar um grande criador.
FOLHA – O vírus 4 já ameaça?
FONSECA –
A epidemia de dengue de 2002 entrou em janeiro. Quando voltei para trabalhar depois do Ano Novo eu estranhei: vai estourar alguma coisa. Em 2002 a coisa foi muito mais explosiva. Era a entrada de um vírus. A população toda está exposta. É o risco que a gente corre com a entrada do 4.
(…)

FOLHA – Por que a febre amarela urbana não chegou ainda?
FONSECA –
A urbanização da febre amarela é outro capítulo. É doença de primatas, silvícola. O homem entra acidentalmente quando penetra nesses ambientes. Para ter a urbanização, precisa, primeiramente, uma quantidade de pessoas contaminadas vindas dessas áreas e uma população maior de Aedes do que tem hoje. O que a gente costuma dizer é que se nada for feito daqui a alguns anos será inevitável a urbanização.
(…)
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