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Meu “Blue Label” não é ecstasy. Não mesmo!

Aí, um dos que seguem o raciocínio perturbado de que uísque, cigarro, ecstasy, cocaína ou Prozac são “tudo a mesma coisa” me manda uma pergunta — na verdade, uma provocação. Segue em vermelho (eu dei uma arrumada no texto dele…). E eu vou de azul. Prezado Reinaldo,Se proibirem o consumo e comércio de álcool (não […]

Por Reinaldo Azevedo
Atualizado em 31 jul 2020, 22h23 - Publicado em 18 jun 2007, 18h13
Aí, um dos que seguem o raciocínio perturbado de que uísque, cigarro, ecstasy, cocaína ou Prozac são “tudo a mesma coisa” me manda uma pergunta — na verdade, uma provocação. Segue em vermelho (eu dei uma arrumada no texto dele…). E eu vou de azul.

Prezado Reinaldo,
Se proibirem o consumo e comércio de álcool (não faltam estudos que comprovam os danos dessa substância à saúde), o senhor entregaria seus Blues Labels à polícia? Qual seria sua reação se um amigo escondesse umas garrafas e o convidasse para apreciar a bebida em um sábado à noite? O senhor aceitaria o convite?

Respondo
– A proibição do álcool, assim, como você diz, não vai acontecer. Portanto, é uma hipótese levantada por quem quer ter razão a qualquer custo. Mas vá lá: se for proibido, sim, eu entregarei os meus “Blues Labels” (também o Black, o Green, o Gold…). Red não. Red eu não bebo. Vermelho, nem o uísque.

– Se um amigo me convidasse para consumir uma substância proibida, acho que eu não iria. Se eu fosse, não esperaria que o estado arcasse com o custo de uma opção que eu fiz.

Gracejo à parte, vamos ao que interessa. É claro que as pessoas têm o direito de se matar: com cigarro, ecstasy, sexo de risco ou água, até estourar os rins. Não é problema de ninguém. Só do suicida. Começa a ficar chato quando se transferem responsabilidades, e o conjunto da sociedade é obrigado a arcar com as opções feitas pelos indivíduos.

No caso em debate, acho de uma irrelevância danada que exista um grupo empenhado no consumo responsável de ecstasy. Cada um com as suas seitas secretas, não é mesmo? Mas glamourizar o consumo de droga, usando, para tanto, verba pública? Ah, aí não dá. Insistir na picaretagem de que qualquer droga pode, a depender do caso, ser benéfica para o organismo é sustentar uma mentira.

Mentira tanto mais grave no caso do projeto “BALA DA BOA”. Porque vem com uma suposta chancela científica, universitária. Basta ler o material de divulgação para constatar que, depois dele, o ecstasy passa a ser algo menos assustador. Como observa um dos folhetos, essa gente está interessada em acabar com um “mito”, como se as conseqüências sociais do consumo de cigarro fossem as mesmas do consumo do ecstasy ou de cocaína. Trata-se de uma mentira deslavada.

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Aí vem a conversa mole: “Ah, mas na Holanda…” Conheço essa história. A Holanda tentou tratar o consumo de drogas pesadas como algo corriqueiro, punindo apenas o tráfico. Resultado: áreas de Amsterdã transformaram-se numa espécie de Vale dos Caídos da Europa. A escória foi pra lá, e o país teve de mudar a sua política.

Informo a quem não sabe: em São Paulo, há ONGs dedicadas a essa prática. Elas distribuem seringas e cachimbos de crack aos drogados. Acho um despropósito, é claro. A “Cracolândia”, em São Paulo, se fez sob as vistas dessa gente. A região central de São Paulo era seu grande laboratório. Isto, sim, deveria estar sendo estudado pela USP: a farta distribuição de seringas e cachimbos reduziu os danos? Não! Contribuiu para transformar a área em zona livre do tráfico e do consumo, o que está sendo corretamente atacado pela administração de Gilberto Kassab.

O aspecto mais perverso do tal “BALA DA BOA” não é só o equívoco conceitual, não é a prática já desmoralizada pela realidade. É mais grave: com dinheiro público, trata-se de proselitismo, que busca falsear o desastre moral, ético e social representando pelas drogas. Além de mentir: quero saber em que circunstâncias o ecstasy e a cocaína podem ser benéficos para a saúde.

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