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Reinaldo Azevedo

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Lula não é Moisés; no PT, todos adoram o bezerro de ouro

Os setores petistas da imprensa e o Luiz Fernando Verissimo, que já é uma categoria de pensamento na sabujice, perdem tempo em ficar separando petistas éticos de petistas não-éticos. Eles próprios não aceitam essa distinção. São todos iguais. Qual é? Até parece que Lula subiu o Sinai pra receber as tábuas da lei, enquanto seus […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 22h12 - Publicado em 31 ago 2007, 14h00
Os setores petistas da imprensa e o Luiz Fernando Verissimo, que já é uma categoria de pensamento na sabujice, perdem tempo em ficar separando petistas éticos de petistas não-éticos. Eles próprios não aceitam essa distinção. São todos iguais. Qual é? Até parece que Lula subiu o Sinai pra receber as tábuas da lei, enquanto seus subordinados morais ficaram cá embaixo, adorando o bezerro de ouro. A única coisa que Lula e Moisés têm em comum é a fala um tanto prejudicada. Aquele era gago, e este tem a língua presa. Matéria de Vera Rosa, que está no Estadão On Line, informa que a chapa a que pertence o Patriarca Barbudo — Construindo um Novo Brasil — prepara para hoje, na abertura do 3º Congresso, um ato de desagravo a José Dirceu e a José Genoino.

Desagravo? Então é um ato de afronta ao Judiciário. E ponto final. Como deixou claro Luiz Dulci, o “duce” só se subordina à vontade das urnas. Na democracia desses valentes, o eleito tem direito, inclusive, de esbulhar as leis. Ora, fizeram rigorosamente isso por ocasião do mensalão, do dossiê dos aloprados e, agora, quando processados pelo Supremo Tribunal Federal. A síntese foi dada pelo deputado Chico Vigilante, presidente do PT no Distrito Federal: “Não tem mais ético e menos ético no PT. O PT é um só, é um projeto de todos.” Eu acredito em Vigilante. A ocasião faz o Delúbio.

E sabem quem propôs originalmente o desagravo, logo aceito por todos? O deputado José Nobre Guimarães, irmão de Genoino, aquele cujo assessor foi preso com a cueca recheada de dóalres e carregando uma mala de dinheiro. Segue texto de Vera Rosa:*A abertura do 3º Congresso do PT, na noite de hoje, contará com um desagravo ao ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e ao deputado José Genoino (SP), que se tornaram réus em processo criminal aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por corrupção ativa e formação de quadrilha no escândalo do mensalão. O ato começou a ser preparado ontem, em caráter sigiloso, durante reunião da chapa Construindo um Novo Brasil, grupo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de Dirceu e Genoino.

“Não tem mais ético e menos ético no PT”, afirmou Chico Vigilante, presidente do partido no Distrito Federal, ao cobrar manifestação de solidariedade de outras correntes. “O PT é um só, é um projeto de todos.”

“Estamos todos no mesmo barco e, se esse barco afundar, afundaremos todos”, disse Francisco Rocha, um dos coordenadores do encontro.

O deputado José Nobre Guimarães (CE) foi o primeiro a pedir um gesto de apoio aos petistas que o STF despachou para o banco dos réus, “principalmente a Dirceu e Genoino, que são ex-presidentes do PT”. A platéia o aplaudiu de pé.

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Irmão de Genoino, Guimarães teve o nome envolvido em outro escândalo, no dia 8 de julho de 2005, quando seu assessor José Adalberto Vieira da Silva foi preso, em São Paulo, transportando US$ 100 mil na cueca e R$ 209 mil numa mala. Um dia depois, no auge da crise do mensalão, Genoino renunciou à presidência do PT.

O presidente do PT do Paraná, André Vargas, também reforçou ontem o coro dos que apelaram para a solidariedade aos réus do mensalão. Dirceu presidiu o PT com mão-de-ferro de 1995 a 2002. Foi sucedido por Genoino. “Não posso aceitar denúncia de corrupção ativa e muito menos de integrar quadrilha”, disse Genoino. “As únicas coisas que tenho na vida são sonhos, idéias e causas.”

O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), tentou desconversar quando questionado sobre o desagravo. “Eu acho que o Congresso do PT deve se dedicar à sua pauta, que não é essa”, resumiu Berzoini. Na prática, dirigentes do PT temem que uma manifestação assim crie embaraços, domine o encontro e seja mal interpretada pelo grupo do ministro da Justiça, Tarso Genro, adversário de Dirceu. “Um desagravo pode provocar constrangimentos”, afirmou o secretário de Relações Internacionais do PT, Valter Pomar. “Manifestações vão acontecer, mas esse não é o centro do nosso congresso”, emendou o secretário de Comunicação, Gleber Naime. “O que nós temos de fazer é unificar o partido para a sucessão do Lula, em 2010.”

Na prática, haverá um acordo tácito entre a maioria das correntes para evitar o suicídio político. A resolução que será aprovada no encontro vai abordar a crise do mensalão e admitir “erros” do partido, mas um bom pedaço do escândalo é debitado na conta das deficiências do sistema político e à falta de financiamento público das campanhas.

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Lula atuou nos bastidores para impedir que o estoque de mazelas petistas domine a pauta do 3º Congresso, de hoje a domingo, e exponha irremediavelmente o governo. Até ontem à noite, todas as articulações do ex-Campo Majoritário – grupo de Lula e Dirceu que detinha a hegemonia no partido até 2005 – eram feitas para evitar embate fratricida entre as tendências.

Na tentativa de construir o acordo, a chapa incluiu em sua proposta, antes mesmo do julgamento do STF, trechos nos quais admite que a crise vivida pelo PT também é “decorrente de opções feitas pelo partido”. Diz que os erros, “previsíveis”, começaram no primeiro mandato de Lula, em 2003, quando o PT excluiu o PMDB da base aliada e ficou “refém” dos pequenos partidos.

Embora não mencione a palavra “fisiologismo”, o texto afirma que as alianças do primeiro mandato foram firmadas sem a referência de um programa mínimo “e muito marcadas por interesses em cargos, emendas orçamentárias” – situação que se repete agora, mas, segundo o partido, não está ocorrendo.

Com 51% dos 931 delegados do 3º Congresso, o ex-Campo Majoritário deve contar com o apoio de outras correntes nessa tese, fazendo uma votação em torno de 75%. O grupo tenta resumir o escândalo do mensalão – mais grave crise política do PT e do governo Lula – a um “esforço temerário” do partido para ajudar financeiramente as campanhas dos aliados, sem admitir a compra de apoio de parlamentares, em troca de votos no Congresso.

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“Mensalão pode ser uma definição que cada um aplica a seu gosto e eu não entro nessa terminologia”, disse o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (SP), um dos principais nomes da corrente Movimento PT.

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