Lula na TV 2 – Não dá para ser populista com os mortos
De saída, vai o que me parece bastante objetivo, ainda que possa coincidir com a minha torcida, que não sou de ficar dando truque em leitor. Acho que o pronunciamento foi mais negativo do que positivo para Lula. Por quê? Porque intuo que praticamente todos os brasileiros estavam informados do acidente, mas nem todos sabiam […]
Depois de mais de três dias de silêncio, vimos o homem tentando fazer o que mais sabe: apelar às emoções dos brasileiros. Mas algo, vejam só, desta feita, parecia girar um tanto em falso. É relativamente fácil apelar às misérias dos vivos para acenar com amanhãs que cantam. Foi o que Lula fez a vida inteira. É um especialista nisso. Sempre que foi necessário, recorreu à sua própria biografia, o imigrante sofrido etc e tal. Mas o que falar sobre a morte? A morte é sempre um redutor muito importante de qualquer debate. Dificulta o proselitismo. Chegou a dizer que sofre como pai, esposo e presidente. Esposo? De fato, o discurso era mais uma mímica emocional do que propriamente emoção. Esse “esposo” denunciava a fajutice.
Em seguida, pediu calma, ponderação, para que não se acuse “quem quer que seja”. Recomendou serenidade, garantindo rigor na investigação. E contou uma pequena inverdade: Congonhas atende a todas as normas de segurança. Não atende. Ou, muito provavelmente, não teria ocorrido o acidente. Deixando claro quem está, de fato, politizando a tragédia, agradeceu aos bombeiros, à polícia, aos funcionários do IML, mas não ao governo de São Paulo, que foi quem organizou o socorro.
Pela primeira vez, acho que o circo não funcionou. Por mais que os puxa-sacos tenham ficado furiosos, Lula foi obrigado a ir para a TV, em horário nobre, três dias depois da tragédia, e na defensiva. Para coroar o dia, Marco Aurélio Garcia, seu assessor especial, deixou claro quem, de fato, politiza cadáveres.







