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Reinaldo Azevedo

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Lula e o Foro de São Paulo: eleições e terrorismo

Clóvis Rossi relata na Folha deste domingo que Lula, no Peru, onde participou de um seminário, referiu-se ao Foro de São Paulo. Leia trecho da reportagem. Retomo em seguida: Por fim, o presidente brasileiro falou do Foro de São Paulo, conglomerado de organizações de esquerda criado pelo PT em 1990. Disse que “esse foro foi […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 19h29 - Publicado em 18 Maio 2008, 08h01
Clóvis Rossi relata na Folha deste domingo que Lula, no Peru, onde participou de um seminário, referiu-se ao Foro de São Paulo. Leia trecho da reportagem. Retomo em seguida:

Por fim, o presidente brasileiro falou do Foro de São Paulo, conglomerado de organizações de esquerda criado pelo PT em 1990. Disse que “esse foro foi educando a esquerda a disputar eleições e ganhá-las de forma democrática”, em vez de recorrer à luta armada.Não citou, no entanto, o fato de que as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) fazem parte do foro e não foram ainda educadas para disputar eleições, tanto que mantêm a luta armada e, pior, tornaram-se o pivô de uma crise triangular entre os governos da Colômbia, do Equador e da Venezuela.Lula elogiou ainda o crescimento do país do presidente Alan García (o maior da América do Sul, na faixa dos 9%), em uma frase que provocou sorrisos maliciosos em parte dos espectadores: “A gente vê na rua o crescimento do Peru”.

Comento
Entre os dias 22 e 25 deste mês, acontece no Uruguai o 14º Encontro do Foro de São Paulo. Integram a organização, entre outros, o MAS (Movimento ao Socialismo), do presidente da Bolívia, Evo Morales; o Pátria Livre, do presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, e o Partido Socialista Unido da Venezuela, de Hugo Chávez. O Alianza País, de Rafael Correa, do Equador, vai mandar representantes e deve ser admitido no grupo. Não custa lembrar que Evo já deu uma tungada no Brasil, tomando a Petrobras, sob os auspícios de Chávez, e que Lugo está prestes a fazer o mesmo, obrigando os brasileiros a pagar mais por aquilo que lhes pertence de direito: energia. Será que é uma surpresa para Lula? Tudo indica que não. Como já deixaram claro o próprio Apedeuta, Celso Amorim (Relações Exteriores) e Marco Aurélio Top Top Garcia, o assessor para assuntos internacionais, o Brasil reconhece a legitimidade do pleito dos mais pobres. É claro que é conversa mole. Na prática, o lulismo usa dinheiro que não lhe pertence para fortalecer a posição dos esquerdistas do continente, seus aliados ideológicos.

Na reunião do Uruguai, as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), grupo cujas credenciais terroristas, a esta altura, não precisam ser mais apresentadas, estarão presentes. Como sabemos, Lula ainda não conseguiu, como é mesmo?, converter o grupo à democracia. Não há mais máscara possível para as Farc: dedicam-se à produção e ao tráfico de cocaína, recorrendo — quanta ousadia! — até a submarinos para fazer o produto chegar aos Estados Unidos, conforme informa a VEJA na mais recente edição (ver post de ontem). E, no entanto, o PT dividirá alegremente a mesa com bandidos que mantêm um campo de concentração na selva, onde estão mais de 700 prisioneiros.

Há mais. O Foro se reúne, desta feita, depois de a Interpol ter provado que os arquivos dos computadores de Raúl Reyes — o terrorista pançudo morto pelo Exército da democracia colombiana — são verdadeiros. E, por verdadeiros, resta, então, evidente que os governos de Chávez e Correa colaboram com o terrorismo. O bandoleiro que governa a Venezuela planejava enviar US$ 250 milhões aos narcotraficantes. Nada distingue o coronel dos líderes do chamado “Eixo do Mal”, que colaboram com o terrorismo no mundo.

Aqui e ali se diz que os petistas — e, portanto, o governo brasileiro — mantêm prudente distância das Farc. Conversa mole! O governo Lula jamais condenou de forma inequívoca a guerrilha. Na mal chamada “invasão” do território equatoriano pelas forças colombianas, que resultou na morte de Reyes, o Brasil foi enfático no repúdio à ação colombiana, sem relevar o fato de que o Equador, afinal, abrigava os bandoleiros. E, revelam os computadores, com arquivos autênticos, tratava-se mesmo de colaboração ativa com os terroristas — categoria em que o Brasil não inclui as Farc. Indagado pelo jornal francês Le Figaro se a organização é terrorista ou força beligerante, Marco Aurélio teve a cara-de-pau de afirmar que não é nem uma coisa nem outra. Segundo ele, o Brasil é “neutro” nessa questão.

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Neutralidade diante dos seqüestros? Neutralidade diante da execução de civis? Neutralidade diante do narcotráfico? Vivesse este valente na Europa no fim da década de 30, talvez defendesse que o melhor seria tentar convencer aquele austríaco esquisitão a aderir à democracia — certamente consideraria que confrontá-lo poderia não ser uma boa solução…

A fala de Lula é indecente e bem mais perigosa do que parece. O Foro de São Paulo, que a imprensa brasileira, com raras exceções, insiste em ignorar — Lula, volta e meia, fala dele com orgulho; justiça se lhe faça, ele não esconde nada… —, é a entidade que confere articulação e inteligência (a possível) à esquerda da América Latina. Os vários movimentos que ele congrega têm pouca coisa em comum quanto à sua origem. Mas isso não tem grande importância. O que conta é a convergência de agendas. E cada um dos governos comprometidos com o Foro vai até onde lhes permitem os limites institucionais, mas sempre dispostos a afrontá-los e a transgredi-los.

E por que classifico de “perigosa” a fala de Lula? Porque eleições, por si mesmas, não esgotam o compromisso com a democracia. Lideranças como Chávez, Corrêa e Morales não recuam, como vemos, nem diante do risco de uma guerra civil. Nos três países, o regime democrático foi só o rito de passagem para governos autoritários. No Brasil, o desapareço pelas instituições é mais sutil e aparentemente ameno. Mas não é difícil encontrar políticas públicas que pretendem opor brasileiros a brasileiros, em claro desrespeito aos princípios básicos da Constituição.

A fala de Lula deve ser lida como uma declaração cínica: os esquerdistas reunidos pelo Foro, que ele criou em companhia de Fidel Castro — isso é história, não opinião —, concluíram que a luta armada, de fato, não é mais uma boa estratégia. As eleições são armas mais eficientes. Uma vez no poder, usam a democracia para solapar as bases da… democracia!

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Entre os dias 22 e 25 deste mês, o PT, em suma, volta a se reunir com terroristas — as Farc — e com representantes de dois governos que apóiam o terrorismo: Venezuela e Equador. E, mais uma vez, na prática, o governo do Brasil estará dizendo que se trata de democratas interessados numa suposta união da América Latina. É possível que representantes do peronismo de Cristina Kirchner compareçam. Cristina, a presidente da Argentina, é aquela que recebeu uma mala com US$ 800 mil enviados por Chávez e que mobiliza bandoleiros para atacar adversários e a imprensa do país.

Esses governos, como ficará claro pela enésima vez, obedecem a uma coordenação: o Foro de São Paulo. E, no Foro, Lula é estrela de primeira grandeza.

Ah, claro, vai ver escrevo isso tudo porque, dizem, sou de direita. Talvez a esquerda tenha uma boa explicação humanista para o PT dividir a mesa com terroristas e seus financiadores e apoidores.

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