LACAIOS MORAIS DE FIDEL 2 – Cubano afirma que governo Lula não lhe deu opção
Por Jamil Chade, Roberto Almeida e Vannildo Mendes, no Estadão:O pugilista cubano Erislandy Lara, deportado em 2007 para Havana com seu colega Guillermo Rigondeaux, após os Jogos Pan-americanos do Rio, disse ao Estado que não quis permanecer no Brasil como refugiado porque seria impedido de viajar para a Alemanha. O país é sede da empresa […]
O pugilista cubano Erislandy Lara, deportado em 2007 para Havana com seu colega Guillermo Rigondeaux, após os Jogos Pan-americanos do Rio, disse ao Estado que não quis permanecer no Brasil como refugiado porque seria impedido de viajar para a Alemanha. O país é sede da empresa que o contratou – a Arena Box, acusada por Cuba de ter “roubado” ao menos cinco de seus atletas.
“Nosso objetivo era ir para a Alemanha. Não nos deixaram fazer isso. Como não havia outra forma, voltamos a Cuba”, afirmou Lara por telefone, de Miami, onde vive hoje. Ele não dá explicações sobre quem teria impedido a viagem deles à Alemanha. “Eu não entendi o que ocorreu”, disse.
Segundo o Estatuto dos Refugiados, os pugilistas poderiam ter pedido refúgio para, em seguida, viajar para a Europa, caso obtivessem uma autorização do governo brasileiro. De acordo com os relatos de Lara, eles não foram contemplados com a opção e voltaram a Cuba, de onde fugiriam novamente.
O primeiro a deixar a ilha foi Lara. O pugilista contou que usou uma lancha, em praia afastada, no meio da noite, e conseguiu chegar ao México. De lá foi para a Alemanha. Neste ano, mudou-se para Miami, onde está treinando. “Minha próxima luta é em abril”, afirmou.
Rigondeaux também usou o México como plataforma para depois chegar a Miami, há uma semana. “Guillermo (Rigondeaux) também está já treinando”, contou Lara.
Sempre que consultado, o ministro da Justiça, Tarso Genro, ressalta que o caso foi acompanhado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e pela Procuradoria da República.
Contudo, apenas um procurador, Leonardo Luiz Figueiredo Costa, entrevistou os atletas pessoalmente. Os membros da OAB que acompanharam o caso, Wadih Damous, presidente da seccional fluminense, e o conselheiro Cláudio Pereira de Souza Neto, não tiveram acesso aos cubanos.
“Nos afirmaram enfaticamente (o procurador e dois delegados federais) que não houve pedido de refúgio e que eles (boxeadores) tinham a pretensão de voltar para o país deles”, relembrou Souza Neto.
Procurado pela reportagem, Damous não quis se manifestar sobre o caso. Em nota publicada à época dos acontecimentos, disse que “não havia motivos para duvidar da palavra de um procurador da República e, por isso, não houve insistência em ver os atletas”.
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