Assine VEJA por R$2,00/semana
Imagem Blog

Reinaldo Azevedo

Por Blog
Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura
Continua após publicidade

JORNALISTA LULISTA, CHAPA-BRANCA E ESPERTO QUER FICHAR OS QUE ACHAM O GOVERNO “RUIM OU PÉSSIMO”

Mandam-me um post de Ricardo Kotscho, um lulista crítico, independente e isento, que se chama “Que Brasil é este dos 5% do contra?”. O blogueiro começa assim: “O tema do Balaio deste domingo vale uma pesquisa em profundidade, uma tese acadêmica  ou mesmo uma capa de revista: que Brasil é este dos 5%? Entra pesquisa, […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 15h11 - Publicado em 31 Maio 2010, 14h01

Mandam-me um post de Ricardo Kotscho, um lulista crítico, independente e isento, que se chama “Que Brasil é este dos 5% do contra?”. O blogueiro começa assim:

“O tema do Balaio deste domingo vale uma pesquisa em profundidade, uma tese acadêmica  ou mesmo uma capa de revista: que Brasil é este dos 5%? Entra pesquisa, sai pesquisa, eles estão sempre lá do mesmo tamanho. São os que consideram o governo Lula ruim ou péssimo. A aprovação do presidente e do governo pode variar entre 70 e 80%, conforme o instituto, os restantes ficam na categoria regular e, invariavelmente, temos os 5% de insatisfeitos com os rumos do país, tanto faz o que esteja acontecendo naquele momento de bom ou ruim.
Quem são eles, onde vivem, o que fazem, o que pensam ? Já que ninguém se atreve a investigá-los, disponho-me aqui a encontrar algumas respostas sobre o perfil deste minoritário, mas sólido contingente de brasileiros que não mudam de opinião, mesmo remando contra a maré.”

É um troço fabuloso! Parece que Kotscho está propondo que os lulistas críticos, independentes e isentos como ele façam o que setores da Polícia Federal, ao arrepio da lei, já tentaram fazer sem sucesso: FICHAR os 5%, segundo algumas pesquisas, que acham o governo Lula “ruim ou péssimo”. São nove milhões de brasileiros, diz Kotscho. Ele quer saber o que são e como vivem. Entendo a sua curiosidade: não devem ser os banqueiros, não devem ser os industriais que contam com isenção fiscal, não devem ser aqueles que prestam serviços sem licitação para a máquina pública, não devem ser os jornalistas de revistas sustentadas pela propaganda oficial, não devem ser filhas de jornalistas chapa-branca com contrato na TV sem público do Lula. Quem será essa gente, meu Deus? Precisamos, como diz Kotscho, empregando o verbo sem dúvida correto e se sentido inequívoco: “INVESTIGAR” essas pessoas.

Stálin, por exemplo, tinha essa mesma curiosidade científica do “companheiro jornalista”. E dava eficiência prática à sua inquietação intelectual: levava no bolso uma caderneta com o endereço dos dissidentes — no caso, quem estava em qual campo de trabalhos forçados. No Brasil, talvez não se chegasse a tanto. No máximo, é preciso identificar onde estão essas pessoas esquisitas para que passem por aquilo que o neo-socialista Gabriel Chalita chamaria de “Pedagogia do Amor”.

Kotscho ainda não “investigou” essas pessoas, mas ele já tem o perfil dos “doentes”:
“Confundem o país com o governo, a vida real com o noticiário do poder, ao reproduzir o que lêem nas manchetes e nos editoriais dos grandes veículos, nos blogs da Veja.com, nas colunas de O Globo ou ouvem dos comentaristas da CBN e da Jovem Pan. Se você fala bem de alguma coisa acontecendo no país, logo te chamam de vendido, chapa-branca, idiota.”

Continua após a publicidade

Eis aí… O valente já está identificando alguns endereços para o sonhado “Pogrom do Kotscho” — como se nota, ele quer nos pegar para nos mostrar a verdade. No mesmo post em que ele propõe que a “SA do Amor” identifique onde estão os esquisitos, elogia o trabalho de dois jornalistas, embora, no trecho acima, ela ataque os grandes veículos, especialmente editoriais e manchetes. É uma forma de agredir a grande imprensa, porém preservando a “categoria”. Afinal, ele continua na ser um bom rapaz da corporação.

Ao ser despertado para esta indagação espantosa — “Mas quem são esses 5%?” —, Kotscho expressa o seu inconformismo com o fato de o governo não contar com os ambicionados 100% de aprovação. Lembro que Saddam Hussein vencia eleições no Iraque com apenas 97% dos votos. E não consta que corresse atrás dos 3% que diziam “não”. Faltava-lhe um Ricardo Kotscho para dar a idéia.

E o homem do balaio já se defende: não é  “vendido, chapa-branca ou idiota”. Eu nunca disse que ele é idiota. Ao contrário, acho que está na categoria dos espertos.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 39,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.