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Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura
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IRRESPONSABILIDADE, SEU NOME É FERNANDO HADDAD, UMA RIMA SEM SOLUÇÃO! OU: TENHA AO MENOS A CORAGEM DE VESTIR O CAPUZ, PREFEITO, E SAIR BOTANDO FOGO NA CIDADE!!!

Irresponsabilidade, demagogia, covardia política, pusilanimidade ideológica, oportunismo… Essas são apenas algumas palavras que podem definir uma entrevista concedida à Agência Estado pelo prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), publicada no Estadão Online poucas horas antes de um súcia de celerados sair quebrando tudo o que encontravam pela frente. Em outra entrevista concedida há tempos […]

Por Reinaldo Azevedo
Atualizado em 31 jul 2020, 06h02 - Publicado em 12 jun 2013, 07h09

Na montagem, feita por um leitor deste blog, Supercoxinha aparece vestido a caráter para sair barbarizando. Por enquanto, ele barbariza as ideias…

Irresponsabilidade, demagogia, covardia política, pusilanimidade ideológica, oportunismo… Essas são apenas algumas palavras que podem definir uma entrevista concedida à Agência Estado pelo prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), publicada no Estadão Online poucas horas antes de um súcia de celerados sair quebrando tudo o que encontravam pela frente. Em outra entrevista concedida há tempos a uma revista, Haddad deixou claro que não gosta de mim. Parece que chega a babar. Ainda bem que milhares, muitos milhares, de leitores gostam, não é mesmo? Incomoda-se com o apelido que lhe pespeguei: Supercoxinha. Ironizo, como sabem, a figura, para mim folclórica, inventada por setores da imprensa paulistana: docinha, mas resoluta; suave nos modos, mas supostamente forte na ação; com uma solução sempre na ponta da língua para daqui a 50 anos… De todo modo, o Supercoxinha não deixa de ser a versão benigna do prefeito de São Paulo. Há a maligna, que pode ser politicamente dolosa. Na entrevista concedida à Agência Estado, Haddad se viu tentado a vestir o capuz dos terroristas que estão nas ruas. Pois que vista, então! Que tenha ao menos essa coragem, já que gosta de dar sumiço sempre que a cidade enfrenta um problema grave. Já sabemos que ele fugia das águas. Agora, foge do fogo. Já chego lá.

Bombas caseiras, coquetéis molotov, paus, pedras, ônibus depredado, prédios públicos pichados, um policial linchado — só não foi morto porque sacou a arma. Segundo a PM, a manifestação pode ter juntado mais de 10 mil pessoas na região central de São Paulo. Todos sabem como são essas coisas: começam com um bando de arruaceiros, a que vão se juntando outros. Se as autoridades tiverem vergonha na cara, fica fácil chegar aos autores intelectuais de ações de caráter verdadeiramente terrorista. O grupo que organiza o protesto tem nome: Movimento Passe Livre. O Movimento Passe Livre tem um registro na Internet, que é público. Já executei parte do serviço que cabia às forças de segurança do regime democrático fazer. Está aqui.

O registro “Passe Livre” pertence a uma entidade chamada Alquimídia e tem um responsável: Thiago Skárnio. Se ele nada tem a ver com as ações terroristas que se espalham por várias cidades do país, que explique à polícia por que empresta a marca aos delinquentes. A Alquimídia é financiada pelo governo Dilma: tem patrocínio do Ministério da Cultura, da Petrobras e pode captar recursos da Lei Rouanet. Skárnio pertence a grupos que querem “o controle social da mídia”. Ou por outra: ele quer dinheiro da Petrobras, do Ministério da Cultura e da Lei Rouanet e quer também controlar o que os outros podem ou não noticiar. É evidente que esse negócio já foi longe demais. Os primeiros responsáveis pelos caos são, é evidente, os que o promovem. Mas também há os que respondem solidariamente pela desordem. Como explicar certas reportagens na imprensa que emprestam a bandos delinquentes a dimensão de uma categoria política nova, conferindo-lhes uma legitimidade que obviamente não têm?

De volta ao encapuzado virtual
Fernando Haddad e o PT eram, até havia pouco, aliados desses bandidos. Em 2011, o partido usou essa corja para criar confusão em São Paulo, quando houve um reajuste da passagem. O prefeito continua a justificar os atos de há dois anos, afirmando que a elevação, então, se deu acima da inflação. Ainda que fosse verdade (dado o valor médio dos anos imediatamente anteriores, é mentira) —, cabe perguntar: no caso de um reajuste acima da inflação, então se justificam a baderna, o quebra-quebra, a depredação do patrimônio público, a exposição de milhares de pessoas ao risco? Os vereadores petistas Antonio Donato e José Américo, hoje presidente da Câmara, chegaram a participar dos protestos em 2011 e discursaram na Câmara em apoio aos bandoleiros.

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Muito bem! Com a bandidagem ideológica tocando o terror na cidade, Haddad concede a entrevista à Agência Estado em que diz que pedirá ajuda à presidente Dilma para baixar as passagens em São Paulo. Notem bem: não que não possa fazer esforços nesse sentido. Afirmar isso agora, no entanto, é tentar apagar o incêndio com gasolina; corresponde a conferir aos manifestantes e a seus métodos mais do que um sinal de aprovação. Está, na prática, dizendo que estão no caminho certo, que sua “luta” está rendendo frutos..

Assim, São Paulo tem um prefeito que, por vias oblíquas — ainda que, na aparência, mas de forma muito leve, quase preguiçosa, diga o contrário —, está afirmando que linchar policiais vale a pena, que quebrar estações do metrô vale a pena, que depredar ônibus vale a pena, que pichar e atacar prédios públicos vale a pena, que provocar incêndios vale a pena, que pôr em risco a segurança de milhões de pessoas — porque é disso que se trata — vale a pena.

Inquérito militante
A conversa conduzida pelo repórter Artur Rodrigues, é bem verdade, não é exatamente uma entrevista, mas um inquérito militante. Estivesse em seu lugar um “militonto” do Passe Livre, não poderia sair melhor para o movimento. O rapaz não economiza e pergunta ao prefeito: “Pelo menos seis cidades conseguiram baixar a tarifa. Quando São Paulo fará isso?”. Observem que ele não pergunta de São Paulo, que já torrará neste ano R$ 1,2 bilhão em subsídios em transporte público, tem condições de baixar a tarifa. Não! Vai direto ao ponto: QUANDO SÃO PAULO VAI BAIXAR??? E reduzir a tarifa, como sabem, é praticamente o único item da pauta do movimento. Num outro momento, o curioso quer saber: “É impossível zerar a tarifa?”. Haddad, para dar a medida sobre o que se fala, poderia ter respondido com uma indagação: em que país do mundo existe transporte gratuito, cem por cento financiado pelo Estado? Nem na Coreia do Norte! Aqueles pobres coitados desembolsam alguma coisa para andar em carrocerias abertas de caminhão… A Coreia do Norte é socialista, como a turma do Passe Livre…

Leiam esta sequência:
O senhor já chegou a falar em municipalizar o imposto de combustíveis…
Eu sou favorável. Tirante aí os atos de violência completamente injustificáveis, eu penso que esse fenômeno relativamente novo tem um fundamento interessante, que dialoga com a questão da mobilidade urbana, da emissão de carbono, com a questão social. Apesar de estar dialogando com uma agenda importante, o movimento está defasado no que diz respeito ao debate público, porque os prefeitos já estão fazendo uma proposta concreta de subsídio à tarifa de ônibus a partir da municipalização da Cide, que é o imposto sobre gasolina. Essa proposta é mais avançada do que tudo que se discutiu.
Seria possível baixar a passagem?
Seria, depende do mix que você faz. Você teria uma situação muito favorável ao transporte coletivo e, na minha opinião, uma situação justa. Se fizesse um plebiscito, até os proprietários de veículos veriam vantagens nessa proposta.
(…)

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Retomo
Ainda que esse debate possa prosperar, isso é coisa que primeiro se negocia. Se der certo, muito bem! O Supercoxinha, como leem, reserva não mais do que uma linha para condenar os atos de violência e se entrega, depois, a conjecturas que têm como centro justamente a pauta daqueles que vão para a rua botar pra quebrar. É evidente que acaba incentivando novas manifestações. Outra já está marcada para quinta-feira. E por que age assim? Ah, porque, afinal, ele é, como é mesmo?, o “homem novo”…

E quem é obrigado a arcar com o ônus da irresponsabilidade — inclusive de setores do PT, que agora estão apoiando as ações delinquentes? Ora, o governo do estado, que tem de cumprir a sua parte e acionar a Polícia Militar. Dado o andamento das coisas, a única atitude decente do prefeito teria sido condenar severamente a violência — não da maneira molenga como fez —, deixando claro que não dialoga com pessoas que promovem atos verdadeiramente terroristas.

Ocorre que Hadad está doidinho para cair nos braços do Movimento Passe Livre e dos mascarados que estão nas ruas. Afinal, como esquecer ser ele o “pensador” que, elogiando a atuação do MST, escreveu em livro: “São iniciativas dessa natureza [como as do MST], progressivas em todas as dimensões da vida social, que devem sempre chamar a atenção dos socialistas e lhes servir de inspiração para sua conduta política”. O MST é aquele movimento que, na semana passada, voltou a fazer numa fazenda da Cutrale os que os delinquentes fizeram em São Paulo nesta quarta.

Os terroristas que ameaçam a segurança dos paulistanos já estão na antessala do prefeito. Logo serão recebidos como dignos representantes do povo. E seus métodos serão, então, reconhecidos como bons e eficazes — a exemplo do que acontece com o MST. Pois é… O governo Dilma e a Petrobras já financiam a ONG que é dona do domínio do Passe Livre na Internet, certo?

Texto publicado originalmente às 4h48
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