Governo Lula cobra muito caro para agir: vidas humanas
No Estadão On Line. Volto em seguida: A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, acaba de confirmar que o governo federal determinou a construção de um novo aeroporto para desafogar o tráfego aéreo em Congonhas. No prazo restrito de 90 dias, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) deverá apresentar um estudo com locais e […]
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, acaba de confirmar que o governo federal determinou a construção de um novo aeroporto para desafogar o tráfego aéreo em Congonhas. No prazo restrito de 90 dias, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) deverá apresentar um estudo com locais e viabilidades para a instalação do novo aeroporto.
Segundo Dilma, as medidas anunciadas para o Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, “são emergenciais e de curto prazo, e visam aumentar o grau de confiança na utilização do aeroporto”. A ministra ressaltou, entretanto, que as medidas estão sendo adotadas, embora o governo acredite que as operações no aeroporto estão sendo feitas dentro das normas de segurança.
Dilma Roussef disse ainda que o Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac) está mudando substantivamente a vocação do Aeroporto de Congonhas, que passará a ter apenas vôos diretos ponto a ponto e não servirá mais como ponto de distribuição (hub).
A ministra citou que o alto tráfego no terminal aeroportuário paulista se deve ao interesse dos usuários, que preferem utilizar este aeroporto, que é mais central, do que utilizar o Aeroporto de Guarulhos (Cumbica).
Segundo a ministra, é justamente essa procura que torna Congonhas incompatível para ser um ponto de distribuição. “Esse é um processo longo. As empresas vão ter que se acostumar e se adequar a isso”, disse Dilma.
Ela reconheceu, entretanto, que o acidente envolvendo o Airbus A-320 da TAM também motivou esta decisão. “Obviamente que estamos sensibilizados, como todos os brasileiros, com este desastre que aconteceu com o avião da TAM. Mas nós achamos que, com a leitura das caixas pretas, as razões do acidente serão objetivadas”, afirmou.
Dilma anunciou ainda que o Conac fará uma readequação da malha aérea para os vôos internacionais. “Não é algo trivial, por isso tem prazo para ser feito. Mas a idéia do Conac é fazer mudanças significativas no curto prazo”, relatou.
Ainda durante a coletiva, Dilma afirmou que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) também reduzirá o peso das aeronaves que utilizarem a pista principal de Congonhas. Segundo ela, esta medida já estava sendo adotada para a pista auxiliar e explicou que o peso varia de aeronave para aeronave.
Voltei
Todo mundo de juízo que conhece o setor era favorável a que Congonhas fizesse apenas os vôos diretos, deixando de ser um ponto de distribuição, o que contribuirá para desafogar o aeroporto. Por que não foi feito antes? Porque não havia o peso de 196 mortos. Governos que “planejam” suas ações são assim: decidem sobre uma montanha de cadáveres. É a competência brasileira. Vocês sabem: outros povos têm o péssimo hábito de se adiantar às tragédias, de agir de forma preventiva.
Novo aeroporto? Estou achando que isso tem o objetivo de provocar impacto e ganhar manchete. É perfeitamente possível ampliar os aeroportos de Guarulhos e Viracopos, aquele primeiro com ainda mais facilidade do que este outro. Qualquer que seja a escolha, o passageiro paulistano, por exemplo, estará mesmo longe da cidade. Mais razoável, barato e funcional seria aproveitar a infra-estrutura que já existe.
A mudança do caráter de Congonhas e eventuais restrições ao peso das aeronaves serão as primeiras medidas de fato concretas desde o início do caos aéreo.
Este governo cobra um preço muito alto para agir: vidas humanas.







