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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

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Huuummm… Eu estou convencido de que Marcelo Branco, o rapaz que comanda a campanha da petista Dilma Rousseff (PT) na Internet, é um agente tucano infiltrado no petismo. Sei que até presto certo favor à candidata do PT, mas tenho de escrever: sua equipe faz tanta besteira que chega a parecer sabotagem. Ontem, o blog […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 15h24 - Publicado em 3 Maio 2010, 06h45

Huuummm… Eu estou convencido de que Marcelo Branco, o rapaz que comanda a campanha da petista Dilma Rousseff (PT) na Internet, é um agente tucano infiltrado no petismo. Sei que até presto certo favor à candidata do PT, mas tenho de escrever: sua equipe faz tanta besteira que chega a parecer sabotagem.

Ontem, o blog da candidata pôs no ar uma “entrevista” sua sobre cultura. Os interlocutores são Carla Bisol e, bem…, o próprio Branco, com o seu modelito “Mamãe quero ir para Seattle”. O vídeo está abaixo. Acho que vocês não terão paciência para ver tudo. Destaco algumas coisinhas.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=LcXLkCOqMck?wmode=transparent&fs=1&hl=en&modestbranding=1&iv_load_policy=3&showsearch=0&rel=1&theme=dark&w=425&h=344]

A primeira patetice está em fazer a conversa parecer uma entrevista. Nenhum deles consegue disfarçar o que está acontecendo ali. E o conjunto acaba apelando mais à comédia do que ao jornalismo. Dilma já começa bem:
— Primeiro, eu queria cumprimentar os internautas: “Oi, internautas!”
— Oi, Dona Dilma!
Digam-me: estão ou não estão de sacanagem com ela? Não é possível!

Notem que os olhos da candidata não se voltam para a interlocutora, mas para o teleprompter, onde lê as respostas. Já escrevi aqui que não é nada fácil afetar naturalidade fazendo isso. Requer traquejo. Resultado: o ritmo de sua fala é o da leitura. Ela começa a responder a primeira pergunta aos 45s e vai até 2min32s sem tirar os olhos de um mesmo ponto. Às vezes, chega a contraí-los para enxergar melhor.

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E a coisa vai se desenvolvendo entre o patético e o cômico, com Branco estreando como entrevistador: gagueja e erra numa pergunta de uma linha. Dilma inova no plural com as “lans houses”, e Carla Bisol faz cara de interessada.

O grande momento se dá quando o câmera opta por um plano mais aberto e enquadra Branco enquanto Dilma, com aquela espontaneidade muito característica, lê uma das respostas.

Reparem, a partir dos 4min30s, que ele não resiste e decide acompanhar o texto linha a linha na máquina. Lê com os lábios as palavras que Dilma está pronunciando com aquela naturalidade habitual. Entre 4min48s e 5min05s, a gente chega a sentir, assim, aquela tal vergonha alheia.

Na segunda parte da entrevista, Dilma fala sobre cinema, fazendo uma pequena digressão sobre o filme Vidas Secas. Segundo ela, retrata “a saída das pessoas do Nordeste PARA o Brasil”. Padre Vieira até chegou a sugerir que se vendesse Pernambuco, embora tenha pregado pelo “bom sucesso das Armas de Portugal contra as de Holanda”. Mas não obteve sucesso. O Nordeste segue sendo Brasil, né? Ademais, Vidas Secas, livro e filme, não narra “a saída das pessoas do Nordeste”. A história de Sinhá Vitória, dos dois meninos sem nome, de Fabiano e da imortal Baleia narra fragmentos de história de pessoas que estão fugindo da seca em direção… bem, em direção a lugar nenhum!

Os tucanos têm de começar já uma campanha: “Fica, Marcelo Branco, fica!”. É o que eu chamo de campanha limpa na Internet.

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