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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Está criado o PSD. Ou: Muito barulho por nada e por tudo

O Partido Social-Democrata está formalmente criado. A lei exige o registro em nove estados. O partido já está formalizado em 10 Tribunais Regionais Eleitorais. Hoje foi a vez do do Acre, Rio e Mato Grosso. “Ao completarmos essa quantidade mínima de registros estaduais, colocamos por terra a última argumentação dos adversários, que tentaram, por todos […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 10h54 - Publicado em 1 set 2011, 22h58

O Partido Social-Democrata está formalmente criado. A lei exige o registro em nove estados. O partido já está formalizado em 10 Tribunais Regionais Eleitorais. Hoje foi a vez do do Acre, Rio e Mato Grosso. “Ao completarmos essa quantidade mínima de registros estaduais, colocamos por terra a última argumentação dos adversários, que tentaram, por todos os meios, inviabilizar o nascimento do PSD. Agora, aguardamos com confiança a palavra final do Tribunal Superior Eleitoral”, afirmou ao Estado Online o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que vai presidir a nova legenda. Disse ainda o prefeito: “O PSD nasce da vontade e do esforço desses brasileiros de todas as regiões. Quero agradecer também à Justiça Eleitoral, que garantiu a correção dos procedimentos legais exigidos pelo processo desenvolvido até agora. Certamente ainda obteremos registros do PSD em muitos outros Estados”.

Tenho insistido aqui na expressão “o mundo não é plano”.

O PSD nasce grande e espreitado por desconfianças dos dois lados. Setores do petismo acham que Kassab jamais será um deles, embora não comprem briga com a nova legenda porque nunca se sabe o dia de amanhã… O partido, por exemplo,  em seu 4º Congresso, deve listar como adversários apenas o PSDB, o DEM e o PPS — não o PSD. Membros da oposição — o DEM em peso — tratam o partido como expressão do adesismo. O Democratas tentou inviabilizar a legenda liderada pelo seu agora desafeto. O PTB, que é da base do governo, também recorreu a Justiça para tentar impedir a criação do novo partido

Muito bem! A última briga relevante de que me lembro envolvendo a criação de uma legenda se deu entre Ivete Vargas e Leonel Brizola pelo nome “PTB” — ela acabou levando a melhor no que foi considerado pelos brizolistas, à época, um “golpe da ditadura”. Brizola criou, então, o PDT. Hoje ambos poderiam fazer um campeonato pelo troféu da fisiologia.

Nunca antes na história destepaiz se deu tanta importância a esse negócio das “listas”. Imagino o que aconteceria caso se investigasse como se fizeram a de algumas legendas que têm existência não mais do que burocrática, cartorial. Alguém imaginava mesmo que um partido que nasce, vamos ver, com mais de 40 parlamentares, que pode ser a quarta bancada da Câmara, não conseguiria cumprir as exigências legais? E como terão feito aqueles que não chegam a ter dois gatos para puxar pelo rabo? O “partido de Kassab”, como alguns insistem em chamar, é menos legítimo do que alguns pterodáctilos, representantes de si mesmos, que assaltam o horário político, oferecendo seu partido como uma espécie de lojinha de oportunidades? Acho que não, né?

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“As palavras fazem sentido”, é outra frase em que insisto sempre, e sei o que escrevo — pouco me interessa o que me atribuem. Não estou dizendo que as exigências legais devessem ter sido ignoradas, mas é evidente que se superestimaram os tais nomes duplicados em listas ou assinaturas de mortos… Se apurado, isso aparecerá na lista de apoio à criação de qualquer legenda. Aposto que o PSD não inova. Mas atenção! A exclusão de nomes impróprios da lista é parte dos procedimentos. Foi tratada, no entanto, como matéria impeditiva para a criação da legenda. É evidente que representantes dos partidos que tentaram inviabilizar a criação do PSD fariam melhor tentando viabilizar e fortalecer suas respectivas legendas.

Mas qual é a do PSD? É o que vamos ver. Genericamente, diz a legenda que vai apoiar o que for bom para o país e recusar o que for ruim. Bem, não acredito que haja quem, de modo determinado, consciente e confesso, escolha o contrário. Assim fazem todos. É pouco para saber para onde vai a legenda. De resto, as escolhas se dão assim, entre alternativas antitéticas. Peguemos o exemplo da recriação da CPMF. Há muita gente que acha que seria uma coisa boa para o Brasil; há quem diga que não. O que será que o PSD pensa? Peguemos a redução da taxa de juros. É bom para o país porque incentiva a produção, ou a óbvia interferência política no BC emite um sinal preocupante? O que pensa o PSD? Quando se é base do governo, as coisas são mais simples: apóia-se o governo. Quando se é oposição responsável, vota-se segundo os princípios. O PSD não é base — não hoje ao menos; também não se coloca como oposição, responsável ou não. O mundo não é plano.

Um discurso de Kátia Abreu
A senadora Kátia Abreu (PSD-TO) fez um discurso no Senado muito bom quando se desligou do DEM e anunciou sua adesão ao PSD. Se o que está lá for convertido em ação, em doutrina aplicada, o PSD nasce com bons princípios. Lembro um trecho (em azul):

Nosso ideário consagra a defesa da economia de mercado, como único regime capaz de gerar riqueza e sustentabilidade, sem as quais não se erradica a pobreza. Não cremos no Estado-empresário, que consideramos um falso brilhante. A experiência do socialismo real, nos diversos países que o adotaram, o evidencia. Ficaram mais pobres que antes. Nossa postura e votos, no Legislativo, levará sempre isso em conta. Quando esses postulados forem favorecidos, não poderemos nos opor. Quando forem contrariados, combateremos. Mas não só. A defesa do capital e da livre empresa nem é a maior urgência brasileira, já que dispõem de suas próprias defesas e nem chegaram a ser ameaçados pelos governos do PSDB e do PT.

O que vemos como urgência – e isso faz parte da reforma das mentalidades na política – é a defesa da liberdade individual, da liberdade de pensamento, liberdade para fazer suas escolhas (Liberalismo = Liberdade). Vemos cada vez mais o país sendo submetido à ação das patrulhas do pensamento, que impõem os dogmas do politicamente correto, criminalizando os que deles divergem. Liberdade de pensamento é o convívio civilizado com as idéias com que não concordamos, mesmo com as que eventualmente abominamos, nos limites da lei. Ser tolerante é tolerar o intolerável.

Encerro
Vaia ou aplauso ao PSD dependerão da conduta do partido. Vamos ver qual será. O que não me parece aceitável ou prudente é que se tente inviabilizar cartorialmente um partido que quer existir e que existe de fato, goste-se dele ou não. O DEM e o PTB que combatam o PSD, se e quando for o caso, no ambiente em que esses embates se dão: no Parlamento e na sociedade.

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