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Empreiteiro pagou a Dirceu e conseguiu ter acesso a Chávez! A classe petralha é internacional

Como é mesmo que se dizia antigamente, quando eu era da JBS (Juventude Barba & Bolsa), numa alusão às origens remotas do socialismo? Ah, lembrei: “A classe operária é internacional!”. Isso acabou. O lema, tudo indica, é outro: “A classe petralha é internacional”. Por que digo isso? Aldo Vendramin, dono da construtora Consilux Tecnologia, concede […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 01h49 - Publicado em 20 mar 2015, 16h42

Como é mesmo que se dizia antigamente, quando eu era da JBS (Juventude Barba & Bolsa), numa alusão às origens remotas do socialismo? Ah, lembrei: “A classe operária é internacional!”. Isso acabou. O lema, tudo indica, é outro: “A classe petralha é internacional”. Por que digo isso?

Aldo Vendramin, dono da construtora Consilux Tecnologia, concede uma entrevista a Graciliano Rocha, da Folha Online. Ele está entre os clientes da empresa de consultoria de José Dirceu, que faturou R$ 29,3 milhões entre 2006 e 2013 — R$ 1,22 milhão desse total oriundo justamente da Consilux. Dinheiro de propina? O empreiteiro diz que não. Sua explicação é outra. Prestem atenção:
“Trabalhar na Venezuela não é simples. Estamos na Venezuela desde 2006 construindo casas populares, mas trabalhar lá não é simples. Tivemos bastante problema com fluxo de caixa, pagamentos que atrasavam e contratamos a consultoria do ex-ministro. O José Dirceu nos aproximou do governo [do então presidente Hugo] Chávez. Ele tinha um trânsito muito grande com ministros e com o próprio presidente. Ele conhece todo mundo, e a gente estava numa situação complicada com os atrasos de pagamento. Às vezes, faziam a medição e levavam muito tempo para liberar o pagamento. Ele foi muito eficiente. Ele me levou três vezes para conversar com o Chávez, e, depois disso, o dinheiro começou a sair mais rápido. Continuaram atrasando, mas menos. Antes destas conversas, o governo levava seis, oito meses para pagar. Depois que o Dirceu entrou no circuito, isso caiu pra dois, três meses.”

Isso tudo pode não passar de um truque só para livrar a cara de Dirceu, evidenciando que, afinal, a consultoria aconteceu? Huuummm… Em primeiro lugar, se as coisas se deram como diz o empresário, Dirceu atuou como lobista, não como consultor. O que ele fez foi usar a sua influência junto ao ditador para liberar o dinheiro. Não é preciso ser muito sagaz para supor que atrasar pagamentos passava a ser uma boa forma de o governo venezuelano forçar a contratação de Dirceu.

Em segundo lugar, fica evidente, mais uma vez, que a relação dos petistas com as protoditaduras da América Latina e com a tirania cubana não se limita à questão ideológica, ao alinhamento político, ao combate ao imperialismo ou a qualquer outra desculpa esfarrapada que tente enobrecer a aliança espúria. Não! Elas estão no terreno dos negócios propriamente. A classe operária pode não ser mais internacional como os marxistas sonhavam que seria um dia. Mas a gente nota que a classe petralha, ah, essa é internacional, sim.

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Querem saber? Acho que o dono da Consilux está falando a verdade. Só que isso não depõe a favor de Dirceu, mas contra. Atenção! De 2009 a esta data, o BNDES já financiou quase US$ 5 bilhões em projetos na própria Venezuela, além de Cuba, Angola e Equador. Os três primeiros países são ditaduras escancaradas; o quarto está a caminho. No Brasil, essas operações merecem a classificação de “sigilosas”. Luciano Coutinho, presidente do banco, se move nos bastidores para impedir a instalação de uma CPI sobre o assunto.

Tudo indica que, além de toda a roubalheira que conhecemos no episódio do petrolão, há outra coisa em curso: o negócio está se fazendo passar por ideologia, e a ideologia, por negócio.

Ah, sim! É sempre comovente saber que Dirceu franqueia o acesso a ditadores e assassinos.

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