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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

“É TUDO IGUAL!” NÃO É, NÃO!

Petistas em particular e muitos jornalistas sentem um grande alívio quando podem decretar: “Todo mundo é igual. Que bom!” Os primeiros se regalam porque podem continuar na sua impressionante saga de ilegalidades acusando o adversário de fazer o mesmo, e os outros se sentem moralmente justificados porque a suposição de que a lambança é o […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 15h24 - Publicado em 3 Maio 2010, 15h44

Petistas em particular e muitos jornalistas sentem um grande alívio quando podem decretar: “Todo mundo é igual. Que bom!” Os primeiros se regalam porque podem continuar na sua impressionante saga de ilegalidades acusando o adversário de fazer o mesmo, e os outros se sentem moralmente justificados porque a suposição de que a lambança é o grande redutor das identidades lhes dá a certeza de que qualquer escolha moral ou ética é desnecessária.

A Folha de hoje traz uma reportagem sobre o patrocínio de um evento evangélico em Santa Catarina, a que o tucano José Serra esteve presente. Não destaquei na madrugada porque não tinha visto. Ou o teria feito. Os petralhas estão me acusando de ter “escondido” a reportagem. Meu blog, com efeito, tem milhares de leitores, mas nem eu me tenho em tão alta conta: nem eu acho que basta a coisa não aparecer aqui para estar “escondida”. Vamos à reportagem. Comento em seguida:
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Por Graciliano Rocha:
O encontro religioso em que pastores da Assembleia de Deus pediram orações pela eleição de José Serra (PSDB) e o saudaram como “futuro presidente”, no sábado, em Santa Catarina, recebeu dinheiro de administrações do PSDB.

Juntos, o governo de Santa Catarina e a Prefeitura de Camboriú (84 km de Florianópolis), ambos administrados por correligionários de Serra, destinaram R$ 540 mil para a realização do 28º Congresso Internacional de Missões.

O patrocínio das administrações tucanas representou dois terços dos R$ 800 mil orçados para o encontro -que, segundo os organizadores, reuniu 160 mil pessoas em dez dias.

O governador tucano Leonel Pavan repassou R$ 300 mil ao evento através de um fundo de fomento ao turismo do Estado. Também convidado a discursar, Pavan, que tenta viabilizar sua candidatura à reeleição em Santa Catarina, foi aplaudido no sábado quando anunciou o repasse feito pelo governo do Estado à organização do congresso evangélico.

A prefeita de Camboriú, Luzia Coppi (PSDB), bancou R$ 240 mil dos gastos do encontro religioso. A administração custeou instalação de banheiros químicos, climatização do ginásio, aluguel de cadeiras e propagandas na mídia local. Além disso, o município arcará com a despesa de energia elétrica resultante do evento religioso.

Governo e prefeitura negam que o fato de Pavan e Coppi serem do PSDB tenha relação com a liberação de dinheiro público (leia texto abaixo).

Promovido pela ONG (organização não governamental) Gideões Missionários, que é ligada à igreja pentecostal Assembleia de Deus, o encontro reservou ao pré-candidato do PSDB à Presidência um tratamento de convidado de honra. Aqui

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Comento
Em primeiro lugar, o PT é livre para recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral, como, aliás, vai fazer. E, de novo, o Ministério Público pode atuar se considerar a coisa imprópria. Mas não venham aqui com a baba hidrófoba tentando arrancar de mim a declaração de empate. Não a obterão.

Eu sou contra o apoio oficial a encontros religiosos. O estado é laico. Não tem de dar dinheiro oficial a religião nenhuma — ao catolicismo tampouco. Assim, a minha restrição ao que se deu em Santa Catarina é mais geral. Ocorre que, e isso é fato, como informou o governo de Santa Catarina, o apoio existe desde 2003, não foi dado agora com o objetivo de fazer uma festa para apoiar a candidatura de José Serra. A festa das centrais, neste ano, foi anunciada como uma declaração de apoio a Dilma.  Essa é uma primeira diferença importante.

Outra: Lula foi convidado — e já compareceu a diversos encontros do gênero. Não pôde ir e mandou a senadora Ideli Salvatti (PT-SC). E essa é uma segunda diferença. Tucanos não tinham como pôr os pés nos palanques das centrais. Agora a terceira: dois ou três dias antes do encontro, a assessoria de Serra nem sabia qual seria o seu destino no Primeiro de Maio. De um lado, uma festa meticulosamente preparada; de outro, uma tentativa de ajustar a agenda.

Serra pediu força para enfrentar os desafios etc e tal, mas não se referiu às eleições como fez Lula no encontro das centrais, com o seu “vocês sabem quem eu quero [na Presidência]”. Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical, não só tentou puxar um coro em defesa de Dilma como ainda satanizou o pré-candidato tucano, que, segundo ele, “não gosta de trabalhador”. E o fez com o apoio da Petrobras, do Banco do Brasil, da CEF, do BNDES…

É tudo igual? Não é, não! Embora eu ache que políticos não devam comparecer a eventos que tenham contado com patrocínio oficial, é bom deixar claro.

Não só
A lambança das centrais é grave, sim. Até porque a ilegalidade, entendo, não está só no uso do dinheiro das estatais. Os sindicatos também são entidades suprapartidárias por definição; parte dos seus recursos vem de um IMPOSTO pago por todos os trabalhadores, mesmo aqueles que não são filiados a partido nenhum. Entrar na campanha eleitoral a favor de um candidato é indecoroso.

De toda sorte, como deixei claro aqui, mais grave ainda do que a exploração eleitoreira do Primeiro de Maio foi a fala de Lula em rede nacional de rádio e televisão para fazer proselitismo político e campanha eleitoral oblíqua. É esse o evento que simboliza a degradação do estado.

“Ah, mas eu quero dizer que é tudo igual”. Então vá procurar a sua turma.

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