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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Dois exemplos: Quênia e África do Sul

Cobram-me que fale sobre a tragédia que se seguiu ao resultado eleitoral no Quênia. Dizer o quê? É o produto da falta de democracia. Nada além. Qual democracia? Ora, aquela vigente na África do Sul, por exemplo: um homem, um voto. O Quênia, como boa parte da África não-islâmica, está envolvido numa guerra tribal, pré-democrática, […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 20h01 - Publicado em 2 jan 2008, 02h19
Cobram-me que fale sobre a tragédia que se seguiu ao resultado eleitoral no Quênia. Dizer o quê? É o produto da falta de democracia. Nada além. Qual democracia? Ora, aquela vigente na África do Sul, por exemplo: um homem, um voto. O Quênia, como boa parte da África não-islâmica, está envolvido numa guerra tribal, pré-democrática, em que as questões étnicas, tão prezadas pelos multiculturalistas, se sobrepõem aos valores universais da democracia. Não é o que tanto prezam estes gênios? Não é o que vêem como a expressão da mais genuína vontade popular na Bolívia?

Hoje, na África, qual é a única nação que vive, a despeito de todas as dificuldades e problemas, a democracia plena? A África do Sul. E por quê? Porque se universalizaram, para toda a população, as regras que só vigiam para os brancos. Sim, o apartheid, vejam que interessante, era “democrático” para os que eram acolhidos por ele. Eliminado, o que passou a proteger o conjunto dos sul-africanos não foram as regras tribais dos negros, mas a democracia dos brancos. Como se trata de um regime político que independe de cor, está dando certo. Os zulus reivindicaram e obtiveram leis especiais. Mas não podem impor aos outros a sua vontade.

O que estou dizendo, sim, com todas as letras é que a democracia de perfil ocidental já havia chegado e se consolidado entre os brancos da África do Sul. E foi adotada como modelo de governo pelos negros, com todos os seus problemas, com todas as suas deficiências. As demais nações africanas resolveram “inventar” seus próprios meios, adaptando o regime democrático às culturas locais, sobrepondo questões étnicas aos valores universais do regime democrático. Deu no que deu: em morticínio.

Aliás, esse contraste entre a África do Sul e seus vizinhos – que, volta e meia, protagonizam carnificinas – deveria servir de exemplo aos neo-racistas brasileiros, que pretendem transformar cor de pele em categoria política. Vejam lá: na democracia sul-africana, brancos e negros aprenderam a conviver; nos demais países, negros não conseguem se entender com negros.

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