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Reinaldo Azevedo

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Do Milagre de Delfim ao Milagre de Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa durante encontro com os oficiais-generais no Clube do Exército (foto Antonio Cruz/ABr)A promessa de Lula de que não vai mais criticar o governo FHC o coloca, naturalmente, numa sinuca: sem o antecessor, perde definição, contorno, razão de ser. Ele se pretende mesmo o anti-FHC. E, em muitos […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 22h53 - Publicado em 16 dez 2006, 07h00
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa durante encontro com os oficiais-generais no Clube do Exército (foto Antonio Cruz/ABr)
A promessa de Lula de que não vai mais criticar o governo FHC o coloca, naturalmente, numa sinuca: sem o antecessor, perde definição, contorno, razão de ser. Ele se pretende mesmo o anti-FHC. E, em muitos aspectos, não devemos duvidar de que seja verdade. A palavra ainda está fresquinha, foi dita durante a cerimônia de diplomação, na quinta. Não poderia, um dia depois, voltar a se comparar ao tucano sem criar algum constrangimento. Como sabemos, sempre que o Apedeuta faz isso, ele jura que cospe mais longe, como naqueles competições usuais quando se é moleque…

Lula participou ontem de uma solenidade no clube do Exército e falou a oficiais-generais. Quem não tem cão — ou tucano — caça com gato. O alvo da vez foram dois presidentes do Regime Militar: Emílio Garrastazu Médici (1968-1973) e Ernesto Geisel (1974-1979) O petista é incorrigível. Parece ter decidido trocar o passado de referência para se justificar. O homem já descobriu que a única maneira de seu governo parecer virtuoso é piorando esse passado.

Segundo o nosso sociólogo improvisado, Médici não distribuiu renda, e Geisel deixou a dívida externa crescer excessivamente. Ele deveria chamar seu neo-amigo Delfim Netto, agora que ambos estão no centro (temperar com risos, a gosto), para que este explicasse a economia durante o governo Médici ao menos, quando o homem reinou absoluto. Já sobre o governo Geisel, Delfim sabe pouco. O “Alemão” o detestava e lhe arrumou um “exílio” na embaixada brasileira em Paris entre 1975 e 1978.

Agora, com Lula… Bem, com Lula, podemos não ter crescimento, mas temos distribuição de renda — o que é um milagre ainda maior do que o de Delfim Netto. Os três juízos — sobre o governo Médici, sobre o governo Geisel e sobre o seu próprio governo — são vesgos, desinformados, oportunistas. O que é de hábito.

Sim, sim, todos somos contra ditaduras detestáveis. Já escrevi demais isso aqui. Mas a história de que o regime militar — em especial, na fase do Milagre — não distribuiu renda é uma dessas falácias acalentadas pelas esquerdas brasileiras. A verdade é que o extraordinário crescimento da economia, de mais de 11%, criou uma sólida classe média e um operariado urbano consumidor. Pôs o Brasil no mundo moderno. Havia desigualdade? Havia. E há ainda hoje. Agora sem crescimento.

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Sob Lula, certa redução da distância entre a classe média e os pobres se dá… pelo empobrecimento da classe média. Ouvido pelo Estadão, o ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros foi ao ponto: “O governo Lula não gerou renda porque o crescimento foi medíocre. Logo, não distribuiu nada.” E observou: o que este governo fez foi transferir renda dos segmentos acima de três salários mínimos para o segmento abaixo de 1,5 salário. Coisa de gênio. Ademais, essa história de igualdade é uma cascata. Cuba e Guatemala, por exemplo, são mais “igualitárias” do que o Brasil. Alguém quer trocar? Se o quesito é igualdade, só não vale a pena ser boliviano no Brasil. A ditadura era uma porcaria, mas o crescimento era uma beleza.

Quanto ao governo Geisel, o que houve foi uma explosão do endividamento externo, de fato, por conta de duas crises do petróleo, uma no começo, em 1973, e outra no fim, em 1979. E as fragilidades do modelo abraçado, sem dúvida, começaram a aparecer, o que não quer dizer que se tenha feito tudo errado na economia naquele período. Muito ao contrário. O que temos de Brasil moderno é, de certo modo, ainda herança daquela expansão, uma vez que faz nada menos de 26 anos — ATENÇÃO: 26!!! — que o crescimento do país é pífio, ficando abaixo das médias mundiais. E isso inclui o governo Lula, com sua média de expansão de prováveis 2,7% em quatro anos.

O revisionismo em relação aos regimes militares está na moda na América Latina. Na parte sensata de sua fala desta sexta, num entrevista depois da solenidade militar, Lula afirmou ser contrário à revisão da Lei da Anistia. Pelo visto, quer usar o Regime Militar não para um choque político — o que não teria apelo popular por aqui —, mas para um confronto de modelos, tentando provar que esse negócio de crescimento econômico é balela: importante mesmo é ter bons sentimentos e deixar os menos pobres mais pobres para que os mais pobres, tornados relativamente menos pobres, tenham um pouco mais de conforto… espiritual!

Sei não: acho que atacar o Regime Militar no Brasil não dá Ibope. Dou largada agora à contagem regressiva para ver quanto tempo demora para Lula volta a atacar FHC.
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