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Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura
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Dirceu está bravo com William Bonner, Fátima Bernardes e com a TV Globo. Está provado: fez-se, de fato, jornalismo

José Dirceu — que nunca deixou o PT, que nunca deixou de mandar no PT, que nunca deixou de interferir no governo — não gostou do desempenho de Lula na entrevista. Também nesse caso, como sempre, a culpa não é “deles”. É dos outros. Ele está bravo com William Bonner, com Fátima Bernardes e com […]

Por Reinaldo Azevedo
Atualizado em 31 jul 2020, 23h20 - Publicado em 11 ago 2006, 15h43
José Dirceu — que nunca deixou o PT, que nunca deixou de mandar no PT, que nunca deixou de interferir no governo — não gostou do desempenho de Lula na entrevista. Também nesse caso, como sempre, a culpa não é “deles”. É dos outros. Ele está bravo com William Bonner, com Fátima Bernardes e com a Rede Globo. Nem tudo o que Dirceu censura é bom, mas digamos que é um sinal e tanto. Dirceu é fã de Fidel Castro e da “América Latina rebelde e profunda”. Essa expressão e deliciosamente cafona e reveladora de certas concepções políticas que são cadáveres adiados que procriam.

O homem nos diz por que as câmeras revelaram um Lula com olhar inicialmente cordial e, segundos depois, a cara fechada, a irritação incontida. Tudo estava na palavrinha “candidato”. Dirceu — e, portanto, Lula e o PT — considerou “desrespeito”. Errado. Como apontei logo de cara neste blog, foi o primeiro acerto da noite. Não era o presidente que estava sendo entrevistado ou prestando conta de seus atos. Até porque, como presidente, o Babalorixá não concede entrevistas a não ser cercado das salvaguardas inventadas por André Singer. Ou, então, faz chicanas com radialistas tão ou mais ignorantes do que ele próprio.

Causídico, Dirceu observa que a Constituição faculta a Lula, como presidente, ser também candidato. Então ele é as duas coisas, ora essa. E ontem era dia de entrevistar o candidato. Mas é óbvio: o homem percebeu aquilo como ofensa, como se lhe tivessem roubado alguma coisa. Há muito tempo desconfio de que Lula se considera portador de uma espécie de “direito divino” que o faz ser quem é. Imaginem alguém tratando Luiz 14 como um simples ser humano. De fato, era inaceitável.

Dirceu solta os cachorros também contra a Rede Globo com uma frase enigmática: “Parece que a Rede Globo esta querendo provar que é independente, de quem? “ O que ele quer dizer com isso? Que a rede, por qualquer razão que só ele saberia, não é independente? Na seqüência de sua análise, o homem se dedica à própria defesa, atacando a tese de Bonner de que um procurador geral da República costuma oferecer denúncia depois de convencido de que houve mesmo irregularidade. Considerou a questão impertinente. Lembro que Bonner deu a Lula a chance de desclassificar a denúncia — e poderia tê-lo feito. Mas não o fez. Ao contrário, reiterou que demitiu os “envolvidos”. Foi Lula quem chamou Dirceu de “envolvido”.

Eu apontei a dureza de Bonner e de Fátima Bernardes com o candidato tucano. Observei que ambos foram “jantados” — foi a expressão que usei — pela esquerdopatia de Heloísa Helena. E reconheci ontem que foram tão duros com Lula quanto foram com Alckmin. Sabem a diferença, dentre milhões de outras, entre este blog e o seu avesso (o de Dirceu)? É que, no dia em que o JN deglutiu o tucano, o post de Dirceu se chamava “Alckmin foi nocauteado e ficou sem resposta no JN”. Não houve um só comentário sobre a qualidade das perguntas. Os petistas estão bravos porque Lula, o “candidato”, não foi tratado como Lula, “o presidente”.

Deveriam se dar por satisfeitos. Chega a ser injusto que Alckmin — sobre quem se pode ter muitas críticas, mas não qualquer suspeita que diga respeito à ética e à moralidade pessoal — seja tratado como Lula. No governo de São Paulo, nunca houve uma autoridade para apontar a existência de 40 quadrilheiros. O máximo de crítica que se tem contra o ex-governador é que ele é católico demais, um tanto carola. Dirceu, faça o seguinte: junte-se a seu chefe e vão os dois para uma igreja. Mesmo que os eleitores os reconduzam ao poder, isso não quer dizer absolvição segundo certo tribunal. O povo já elegeu antes gente com uma biografia ainda mais carregada.

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Vai que o Tribunal de Execução do “companheiro” Fidel não seja a instância máxima da justiça, meu caro. Não custa fazer um hedge com o divino… Embora, sinceramente, eu não vislumbre grandes esperanças… Lmbre-se do Canto 21 do Inferno, na Divina Comédia.
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