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Reinaldo Azevedo

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Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura
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Dilma, o passado, uma mentira histórica e uma mentira factual

“Ah, por que você só contesta o que considera mentiras do PT?”, pergunta um indignado que ainda não descobriu que seu blog é outro, embora eu entenda as razões por que lê o meu: sempre há a chance de aprender alguma coisa, comigo ou com os internautas habituais desta página — milhares deles, hehe… Por […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 14h37 - Publicado em 6 ago 2010, 21h08

“Ah, por que você só contesta o que considera mentiras do PT?”, pergunta um indignado que ainda não descobriu que seu blog é outro, embora eu entenda as razões por que lê o meu: sempre há a chance de aprender alguma coisa, comigo ou com os internautas habituais desta página — milhares deles, hehe…

Por quê? Porque o petismo faz da mentira uma indústria, uma moral, um norte conceitual. E a imprensa, na fase do aspismo, não corrige, em benefício do leitor, as imposturas que são veiculadas. Querem um bom exemplo e querem ver como é fácil desmascarar essa gente? Leiam trecho de um texto que está no Estadão Online. Temos aí falando a candidata Dilma Rousseff. Ela está negando que faça política apenas voltada para o retrovisor, como acusou seu adversário tucano, José Serra. Ela vai em vermelho. A verdade, em azul.

“Eu acho extremamente confortável e estranho (não falar do passado), porque a pessoa alega experiência. Ele foi ministro por duas vezes, inclusive poderoso ministro da área econômica (de Fernando Henrique). Eu não vejo o que tem de retrovisor o fato de a gente discutir os diferentes projetos que ocorreram neste País”, afirmou Dilma, em São Paulo. “Não é questão de me vangloriar, mas eu tenho o que apresentar.”
Então… “A pessoa” a quem ela se refere é Serra. Que tem a mostrar, como caudatário, então, segundo ela, do governo FHC, nada menos do que o Plano Real. Projeto? Houve um partido, certa feita, com um projeto: era contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, contra o Proer, contra as privatizações, contra a reforma da Previdência, contra o superávit primário… Esse era o projeto. Venceu. E governou com qual “projeto”? Com o do  partido do adversário que ela ataca agora. Digamos que sua fala é mais do que uma mentira factual: estamos diante de uma mentira histórica.

Dilma lembrou ainda que o DEM, que está na coligação de partidos que apóiam Serra, entrou na Justiça para pedir a inconstitucionalidade do ProUni (programa que concede bolsas de estudo em instituições privadas de educação superior) e que, até pouco tempo, chamava o Bolsa Família de Bolsa Esmola. “Nós somos diferentes e isso não é uma questão pessoal. Nós achamos que só se cresce distribuindo renda”, afirmou.
Fala fácil para seduzir quem não tem memória, não é mesmo? Ou quem está alinhado com o partido na imprensa — a maioria. Quem chamava o Bolsa Família de esmola era Lula. Há um vídeo famoso a respeito. Segundo ele, o auxílio que o governo FHC oferecia despolitizava os pobres, entenderam? E é mentira que o dem tenha pedido a inconstitucionalidade do ProUni. Mentira deslavada. O partido recorreu contra os mecanismos racialistas embutidos nos critérios de acesso ao ProUni, não contra o programa em si.

A imprensa sabe disso? Acho que sim. Se não sabe, pode chegar à verdade em, no máximo, 15 segundos. Mas estamos na fase do aspismo, lembram-se? Especialmente quando se trata do PT.

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Antigamente, no tempo em que verdade e versão não estavam em pé de igualdade, o jornalista usava o sublead —    quase sempre, o segundo parágrafo — para fazer uma pequena memória do caso em questão, situando o leitor no FATO. A prática desapareceu. Petistas podem mentir à vontade.

A propósito: a mesma jornalista que, na Folha Online, tratou como mera acusação da oposição o documento que Dilma de fato assinou, contratando a mulher do terrorista Olivério Medina, retrata assim a petista:
“A candidata, que chegou a cantarolar enquanto esperava a organização do evento preparar a coletiva de imprensa, negou que estivesse mais ‘leve’ ou aliviada por ter passado por seu primeiro debate político. “Eu não estou triste nem estou feliz, estou em campanha”. Mas seu bom-humor era visível.”

Viram? Na próxima, Dilma vai negar que esteja mais bonita, charmosa e inteligente. Apesar de isso tudo ser, claro, muito “visível”, certo???

Ah, sim: chamo o que Dilma disse sobre o DEM e o ProUni de “mentira”. Não creio que me processe ou que recorra ao TSE. Nesse caso, o fato nem mesmo dá margem à subjetividade ou interpretação de juízes. Como não há controvérsia sobre o fato de que assinou o documento transferindo a  mulher de Medina para o Ministério da Piaba. Uma mentira é uma mentira é uma mentira. Até no TSE, quero crer…

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