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Reinaldo Azevedo

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Dá-lhe, Sarko!

No Estadão On Line. Volto em seguida:O candidato conservador Nicolas Sarkozy e a socialista Ségolène Royal vão disputar no próximo dia 6 de maio o segundo turno das eleições presidenciais na França. Segundo dados divulgados pelo Ministério do Interior francês, com 83,71% das urnas apuradas, Sarkozy tinha 30,77% dos votos, enquanto Ségolène registrava 25,28% da […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 22h31 - Publicado em 22 abr 2007, 19h57
No Estadão On Line. Volto em seguida:
O candidato conservador Nicolas Sarkozy e a socialista Ségolène Royal vão disputar no próximo dia 6 de maio o segundo turno das eleições presidenciais na França. Segundo dados divulgados pelo Ministério do Interior francês, com 83,71% das urnas apuradas, Sarkozy tinha 30,77% dos votos, enquanto Ségolène registrava 25,28% da preferência dos eleitores.
Em uma eleição com comparecimento excepcional, o candidato centrista François Bayrou apresentava 18,46% e o de ultradireita Jean-Marie Le Pen tinha 10,93% dos votos.
Apenas esses quatro candidatos tinham chances reais de estar entre os mais votados e seguir ao segundo turno, marcado para o dia 6 de maio.
A estimativa é de que 87% dos eleitores franceses tenham comparecido às eleições nas eleições deste domingo para escolher o sucessor do atual presidente, Jacques Chirac. Esta foi uma das eleições mais imprevisíveis dos últimos tempos, depois de uma frenética campanha que teve dezenas de candidatos e que deixou muitos eleitores indecisos e ansiosos para votar: em quatro horas de votação, 31,2% dos eleitores já haviam participado do pleito, a maior participação desde as eleições de 1981, segundo informações do Ministério do Interior francês.
Recorde de participação
Segundo informações do Ministério do Interior francês, às 17 horas (12 horas no Brasil), três horas antes do fechamento dos últimos colégios eleitorais, 73,87% dos eleitores já tinham ido às urnas, o que representa 15% a mais de comparecimento em relação às eleições presidenciais de 2002 e superava a participação total nessa etapa da eleição passada, que tinha sido de 73%.
Caso a previsão dos institutos de pesquisa Ipsos e IFOP se confirme, a participação no primeiro turno deste pleito vai superar em pouco mais de dois pontos o recorde de 1965, quando 84,75% dos eleitores votaram.
Conforme o esperado, 70% dos colégios eleitorais fecharam às 18 horas (13 horas em Brasília). No entanto, nas cidades de tamanho médio, 5% deles ficaram abertos por mais uma hora, enquanto nos grandes centros urbanos as seções funcionaram até as 20 horas (15 horas de Brasília).
Sucessão
O eleito nas eleições presidenciais francesas vai suceder o atual presidente, há 12 anos no poder, Jacques Chirac, que votou acompanhado de sua mulher em Serran, no centro do país, enquanto o primeiro-ministro, Dominique de Villepin, compareceu em um colégio do 17º distrito de Paris acompanhado da esposa e de dois de seus três filhos.
O sucessor de Chirac terá de comandar o país líder da União Européia, ao lado da Alemanha. A França teve em 2007 uma opção a mais, o centro, para buscar a saída da estagnação econômica e social na qual seus 64,1 milhões de habitantes estão mergulhados. Os desafios são consideráveis: superar as divergências partidárias, conter o déficit público, reduzir o desemprego (hoje em 9%) e crescer na média européia para apaziguar uma nação onde os conflitos sociais eclodem com freqüência e violência cada vez mais preocupantes.
Cientistas políticos vêem os distúrbios que ocorreram nas periferias em outubro e novembro de 2005 como o marco da campanha eleitoral à presidência da França. Na época, jovens inconformados com as mortes de dois adolescentes de origem árabe numa perseguição policial em Clichy-sous-Bois (arredores de Paris) se revoltaram contra o responsável pelo aparato policial, o então ministro do Interior Nicolas Sarkozy e atual primeiro colocado nas pesquisas.

Voltei
Oba! Pelo menos na França eu acho que vou vencer as eleições. Aconteceu o previsto: o conservador Nicolas Sarkozy vai disputar o segundo turno com a socialista Ségolène Royal e, salvo algum evento extraordinário, tem tudo para ganhar de goleada. Parte do eleitorado ultradireitista de Le Pen anula o voto, mas a maioria tenderá a fazer voto útil: contra a candidata socialista. Os eleitores de Bayrou se dividem, mas a maior parte vai de “Sarko” contra “Sego”. Uma bênção para a França.

A França, como sabem, é o berço da mais famosa antinomia em política: direita e esquerda, constantemente atualizada em disputas que chegam às ruas. A moderna direita francesa ainda é marcada pelo gaullismo e, pois, por um indiscreto antiamericanismo, de que Jaques Chirac, em decadência, talvez seja o último grande representante. Sarkozy é de outra natureza: seu conservadorismo é menos caudatário de uma outra forma de “exceção francesa” — aquela que supõe existir um modelo que só pode funcionar no país; uma política externa que só sirva ao país; um conservadorismo que seja exclusivamente francês. Não. O seu “direitismo” é mais globalizado, mais liberal. E é disso que a França precisa para sair da estagnação. O maciço comparecimento dos eleitores parece indicar isso. Mas Sarkozy tem apenas 30%, dirão. Acho que a conta é outra: os socialistas é que contam com apenas 25%.

Sem medo de errar, pelo menos 60% dos votos são do campo conservador. E isso indica que os franceses querem mudança — creio, por exemplo, que a larga maioria dos trabalhadores da ativa quer uma reforma no chamado estado de bem-estar social, que começou a ficar pesado demais para carregar. Ou um dos países mais politizados e, vá lá, ideologizados da Europa teria escolhido o socialismo maternal, que não diz a que veio, de Ségolène.

Os socialistas já demonstraram que podem escolher o caminho do terrorismo eleitoral, pintando um Sarkozy ameaçador e inimigo dos direitos sociais. Acho que não cola. Ele tem a seu favor a dureza com que tratou a revolta magrebina, fazendo o que deve fazer todo político responsável: defender as leis democraticamente debatidas, votadas e aprovadas. A pecha de truculento que a esquerda francesa tentou lhe imputar — aliás, a esquerda mundial —, quero crer, vai ajudá-lo.

Bem. Essa é minha esperança. Para “ganhar” uma eleição ao menos.

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