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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Conforme-se, gente má! O mundo vai acabar! A menos que nos entreguemos aos ditadores ambientalistas! Ou: A humanidade inventou o mundo, não foi o mundo que inventou a humanidade

Vocês viram no post abaixo que, segundo a quinta edição do Panorama Ambiental Global (GEO-5), o mundo está indo para as cucuias. De novo, isso! A temperatura do planeta não aumentou nadica nos últimos 12 anos. Ao contrário: ela até baixou um pouquinho. Todas as previsões sobre o clima falharam miseravelmente. James Lovelock, o teólogo […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 08h41 - Publicado em 6 jun 2012, 17h49

Vocês viram no post abaixo que, segundo a quinta edição do Panorama Ambiental Global (GEO-5), o mundo está indo para as cucuias. De novo, isso!

A temperatura do planeta não aumentou nadica nos últimos 12 anos. Ao contrário: ela até baixou um pouquinho. Todas as previsões sobre o clima falharam miseravelmente. James Lovelock, o teólogo do alarmismo, aos 93 anos — não está interessado em fazer carreira, não é? — diz com todas as letras: “erramos”. O antes tão certo aquecimento global provocado pelo homem não é uma teoria, mas um chute. Suas hipóteses não podem ser testadas com resultados inequívocos. Ao contrário até: as ilações estabelecidas a partir de algumas variáveis não se cumpriram.

Isso não significa que se deva sair por aí destruindo tudo, é evidente. Mas também não dá para entregar os destinos da civilização aos “salvadores” do planeta. O que dizer sobre gente que conclui um relatório pregando que a “humanidade”, nada menos, mude o seu comportamento??? Qual humanidade? A de Nova York, a do interior da Paraíba, a do interior da China ou a dos cafundós da Índia? O terrorismo ecológico é o combustível que alimenta a fantasia de um governo global, que, NOTEM BEM, TERIA DE SER NECESSARIAMENTE ANTIDEMOCRÁTICO para que fosse funcional.

Todos os ditadores têm de ter um ente de razão, um conjunto de abstrações inquestionáveis, como se fosse uma teologia, a orientar as suas ações, certo? Os comunas autênticos falavam em nome da redenção dos oprimidos, cuja vanguarda eram os trabalhadores da indústria (numa vertente) ou os camponeses (em outra); os fascistas se organizavam em nome da segurança do estado, única garantia do bem comum. Os ambientalistas, herdeiros intelectuais, em muitos aspectos, do comunismo e do fascismo, descobriram que a nossa “pátria” é o planeta e que a vanguarda revolucionária ou as falanges da segurança são… eles próprios! Assim, precisam impor a sua vontade, e as novas forças da ordem são, desta feita, os “cientistas”. Quais cientistas? Os que comungam de suas escatologias, é evidente!

Não reconhecem qualquer instância de representação porque os valores da democracia são sempre um tanto precários mesmo, estão em constante questionamento; existem numa relação necessariamente tensa com as múltiplas faces da sociedade. Os salvadores ambientais, ao contrário, lidam com o absoluto!!! Ora, como é que nós vamos dizer “não” àqueles que só querem o nosso bem, a exemplo de outros tantos iluminados que tinham esse mesmo objetivo antes? Ou alguém supõe que os tiranos do século 20 e mesmo alguns remanescentes no século 21 confessaram intenções malignas? Até o demônio, para citar, digamos, o mandão mais antigo, tinha a sua face doce.

Li há uns dias a opinião de dois falangistas ambientais sobre o novo Código Florestal, que nasceu de amplas consultas feitas pelo então relator na Câmara, Aldo Rebelo, e foi votado na Câmara e no Senado pelos representantes legais do povo brasileiro. Depois, foi submetido ao escrutínio de outra dessas representantes: a presidente Dilma Rousseff. Não obstante, ambos acusam o texto de antidemocrático, de ilegítimo, de autoritário. Por quê? A resposta é uma só: porque eles não reconhecem Parlamento e Executivo, eleitos por vontade popular, como instâncias legítimas para tomar decisões a respeito do tema. Ou o texto satisfaz a vontade dos militantes que falam em nome daquele ente de razão — que aspira, no caso, a encarnar a razão científica —, ou a coisa não vale.

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Vende-se o apocalipse com impressionante desfaçatez. Depois do aquecimento global — desmoralizadíssimo! —, temos um novo finalismo para enganar trouxas: o neomalthusianismo. Agora se chegou à conclusão, para citar metáfora em curso, que a lotação do planeta esgotou. Esgotou? Bem, ou voltamos a uma das máximas do fascismo, que inspirou até movimentos estéticos, ou… E que máxima era mesmo? Esta: “A guerra é a higiene do mundo”. Como faremos para dar uma aliviada nessa carga, já que, por óbvio, não dá para esperar a próxima composição?

Seria preciso, então, fazer a tal higiene por outros meios. Quais? A massificação do aborto certamente está na pauta desses humanistas. O rígido controle populacional, a exemplo daquele já aplicado hoje na China — e que mata especialmente mulheres, diga-se —, também deve integrar o rol de ações preventivas. Com a humanidade submetida a um rígido controle reprodutivo, a consequência óbvia será o aprimoramento das sementes, e, então, os conhecimentos genéticos serão aplicados em favor de uma humanidade “mais saudável”, eliminando-se os potencialmente fracos. A União Europeia, como pequeno ensaio de um governo mundial, é a prova de que “interesses coletivos” — e de coletividades necessariamente díspares — não conseguem impor a sua racionalidade num regime democrático, certo? Só mesmo um governo mundial que suprimisse as vontades individuais seria capaz de cuidar do “bem da humanidade”, prevenindo-se da ação de sabotadores.

Os ditadores do ambientalismo são hoje a expressão concreta, real, palpável, das distopias do século passado que pensaram tiranias perfeitas: 1984 (George Orwell), Admirável Mundo Novo (Aldous Huxley) e O Zero e o Infinito (Arthur Koestler).

Os próximos dias, por causa da “Rio+20″, serão tomados pela utopia desses doces ditadores. A sua máxima do momento é que o planeta tende à insustentabilidade porque, projetam estupidamente, se o mundo fosse viver segundo os padrões de consumo da Europa ou dos Estados Unidos, não haveria recursos naturais suficientes. Ocorre que essa conta não faz nenhum sentido. Aquele padrão de consumo é expressão de um padrão de  desenvolvimento que trouxe consigo notáveis avanços científicos, que podem, por exemplo, globalizar as vacinas e até o fornecimento de comida. Se remanescem doenças e misérias em muitos cantos do planeta, isso nada tem a ver com a forma “como nos relacionamos com o planeta”. A questão é política e nasce do déficit democrático — aquela mesma democracia que se tornou um valor desprezível para os salvadores da humanidade.

Neste exato momento, enquanto os mercadores do caos — fartamente financiados por empresas que fizeram da suposta catástrofe um lucrativo negócio — anunciam o fim do mundo por causa do Código Florestal brasileiro (não há nada no planeta nem sequer comparável no que respeita a imposições de natural ambiental), milhares de agricultores de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul estão ameaçados de deixar as terras nas quais suas respectivas famílias produzem alimentos há pelo menos cem anos.

Podem notar: no fim das contas, na narrativa dessa gente, existe uma contradição essencial entre o homem e a Terra, entre a civilização e o planeta, como se este pudesse existir ou existisse como coisa em si! Esses celerados ainda não perceberam que somos nós, os homens, os únicos capazes de conferir sentido mesmo ao discurso científico. Sem a besta com consciência de si mesma, que somos nós, o que resta é o grande nada universal, esse arcano intraduzível porque não haveria quem pudesse se encarregar da narrativa.

A humanidade inventou o mundo, não foi o mundo que inventou a humanidade!

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