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Reinaldo Azevedo

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Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura
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Como requentar uma notícia velha, influenciar pessoas e até fazer fortunas

É evidente que o governo deu um jeito ontem de trazer o futuro a valor presente, anunciando até mesmo o ingresso futuro do país no grupo dos exportadores de petróleo. Reitero: tomara que se encontre mesmo todo o petróleo e todo gás que se anunciam e que eles sejam queimados aqui, pelo crescimento da economia […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 6 jun 2024, 08h11 - Publicado em 9 nov 2007, 05h42
É evidente que o governo deu um jeito ontem de trazer o futuro a valor presente, anunciando até mesmo o ingresso futuro do país no grupo dos exportadores de petróleo. Reitero: tomara que se encontre mesmo todo o petróleo e todo gás que se anunciam e que eles sejam queimados aqui, pelo crescimento da economia brasileira. Exportar petróleo, por si mesmo, não é grande vantagem. Os EUA, por exemplo, são importadores. Tudo confirmado, a notícia é boa?
O mais fantástico do que se viu ontem — uma operação gigantesca de publicidade, que agitou o mercado financeiro — é que a notícia é, pasmem! VELHA. O que não quer dizer que não seja boa. Leiam reportagem de Sabrina Lorenzi na Gazeta Mercantil de 6/09/2005 — há mais de dois anos. Volto em seguida:
*
O grande desafio da Petrobras agora é extrair o óleo a 6.000 metros de profundidade. A ousadia de ir mais fundo rendeu à Petrobras o que deverá se tornar a mais valiosa reserva de petróleo e gás já encontrada. A estatal encontrou óleo leve — de excelente qualidade — a 6.000 metros de profundidade, na Bacia de Santos, numa prévia da jazida gigante que avista.

O gerente- executivo de exploração e produção da estatal, Francisco Nepomucemo, revela a expectativa que a companhia vive após a descoberta. “É uma nova província petrolífera no Brasil. Não está concluído o poço; vamos perfurar mais para fazer o teste de produtividade (volume) do óleo e confirmar a existência de um reservatório”, comemora com cautela. Ele prefere não falar em quantidade antes dos testes de confirmação, mas admite que pode ser volume suficiente para revolucionar os planos da estatal.

“Só digo que, confirmando a descoberta e a produtividade dessa área, aumenta muito o potencial petrolífero da Bacia de Santos. É o grande potencial do Brasil hoje”, disse. Há uma semana, a Petrobras comunicou ao mercado a descoberta de indícios de hidrocarbonetos no seu poço mais profundo, no bloco BM-S-10 a 6,4 mil metros de profundidade, na Bacia de Santos. O poço RJ-S-61 fica na frente de Paraty, no Rio, divisa com São Paulo. A Petrobras é a principal detentora do bloco (65%), junto com a Partex (10%) e BG (25%).

Descoberta província de petróleo
Santos deverá se transformar na principal opção ao esgotamento da Bacia de Campos. As companhias notificaram a descoberta no dia 21 de agosto à Agência Nacional do Petróleo (ANP). “Se a gente descobre gás e óleo leve nesse horizonte, toda a área em volta fica com esse potencial”, acrescenta Nepomuceno.

Confirmadas as expectativas de reservas gigantes de petróleo leve em águas ultraprofundas, Santos passa a ser a principal opção da estatal ao esgotamento dos atuais campos da Bacia de Campos. Mais perto do mercado consumidor, com óleo de excelente qualidade e gás, a região possui, até então, reservas da ordem de 2,5 bilhões de barris (com o gás do campo de Mexilhão (BS-400) e o óleo leve do BS-500).

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Nova fronteira
Analistas especulavam, até então, a existência de uma bacia petrolífera debaixo da Bacia de Campos. Para Nepomucemo, é mais provável que em Santos – e não em Campos – exista uma nova fronteira com tamanho potencial. Na Bacia de Santos, uma camada de sal com metros e metros de espessura separa os reservatórios de petróleo e gás das rochas e do material orgânico que geram os hidrocarbonetos. A crosta de sal, situada a cerca de seis mil metros, “prendeu” o óleo e o impediu de subir, ao contrário do que aconteceu na área da Bacia de Campos.

Na Bacia de Campos, essa crosta de sal se rompeu durante a formação de montanhas como a Serra do Mar. A abertura da camada de sal em buracos chamados de janelas permitiu a constituição de importantes campos de petróleo como Marlim, Roncador, Marlim Sul, Albacora, localizados a dois mil metros de profundidade. Na Bacia de Santos, o petróleo e o gás ficaram presos a seis mil metros, suscetíveis a elevada temperatura e pressão.


A íntegra da reportagem está publicada, diga-se, no site do Ministério do Planejamento (clique aqui).
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VolteiPode-se argumentar que a novidade de ontem, então, foi o dimensionamento da reserva, já que se sabia da existência do petróleo leve abaixo da tal camada de sal? Mais ou menos, não é? O que a Petrobras forneceu nesta quinta foi uma estimativa. Observem que se passaram mais de dois anos entre uma notícia e outra, e não se tem uma informação essencialmente diferente. De lá para cá, foram se fazendo testes. Isso dá uma idéia do tempo de maturação do projeto. É emblemático que o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, estivesse ontem ao lado da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). Movia o tempo todo a cabeça, um tanto frenético para seu estilo mais comedido. A operação estava sendo muito bem-sucedida. Era orgulho.

Para se ter uma idéia: estima-se que a operação comercial do primeiro campo na região só comece em 2011 — e, ainda assim, para testar a sua viabilidade. Tudo dando certo, a exploração pra valer só ali por 2013, 2014. Daí que Lula vá se encontrar hoje com Evo Moraes para saber como pode investir mais na Bolívia. A Petrobras explora petróleo a, no máximo, 2.700 metros. O óleo que foi encontrado está numa profundidade entre 4.500 e 7.000 metros. A própria empresa informa que o desenvolvimento de um campo, mesmo em profundidades menores, que produz 150 mil/barris dia custa US$ 1,2 bilhão. Para extrair esse óleo mais profundo, gasta-se muito mais. Quanto? Ninguém sabe. No mínimo, o triplo, dizem alguns especialistas. Vai ser preciso ir atrás de muito investimento e de tecnologia.

É claro que há, por enquanto, incertezas demais para um mercado tão animado. A CVM deveria, quando menos, avaliar se estamos diante de um caso de euforia típica. Quem conhece a área afirma que não havia a menor razão para o estardalhaço de ontem. Não porque inexista o petróleo. Mas não se sabe agora muito mais do que se sabia em 2005. Há quem fale até em 20 bilhões de barris caso se expanda a área. Acontece que o governo jogou para sair do escanteio em que estava com a chamada crise do gás — que, notem bem, está no lugar onde estava. A Petrobras também buscou limpar a sua barra, um tanto tisnada pela questão.

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É claro que eu quero que tenha muito petróleo lá, à diferença do que a petralhada anda dizendo por aqui. O que não aprovo, já disse, é a empulhação, a marquetagem. De resto, não estou tirando mérito nenhum do PT — a menos que o partido tenha comprado a Petrobras. Que eu saiba, ele só aparelha a empresa. Ademais, se o petróleo “tupi” começar a jorrar timidamente só em 2011 e, para valer, só a partir de 2013, a hipótese feliz é a de que Lula já esteja bem longe do Planalto.

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