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Com obras paradas e Lava Jato, construção civil puxa alta do desemprego

Por Eduardo Gonçalves, na VEJA.com: O segmento de construção civil perdeu 288.000 vagas de trabalho no trimestre encerrado em abril em relação aos três meses imediatamente anteriores, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira. Isso representa mais do que a metade do total de brasileiros que perderam o emprego no período […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 01h14 - Publicado em 3 jun 2015, 15h22

Por Eduardo Gonçalves, na VEJA.com:

O segmento de construção civil perdeu 288.000 vagas de trabalho no trimestre encerrado em abril em relação aos três meses imediatamente anteriores, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira. Isso representa mais do que a metade do total de brasileiros que perderam o emprego no período – 511.000 pessoas. A atividade foi uma das responsáveis por acelerar o nível de desemprego no país para o patamar de 8%.

O atual cenário do mercado imobiliário explica o encolhimento do setor. Com a restrição ao crédito, juros elevados e a incerteza quanto aos rumos da economia, os brasileiros estão evitando contrair dívidas e fogem de produtos de maior valor agregado. Sem demanda para escoar os estoques, as construtoras estão paralisando ou desistindo de obras em todo o país. Aliado a isso, está o corte de investimentos por parte do governo na área de infraestrutura em função das medidas de ajuste fiscal.

Os desdobramentos da Operação Lava Jato, que investiga um esquema de corrupção na Petrobras, também contribuíram para o fraco desempenho. A estatal teve obras interrompidas pela descoberta de irregularidades em contratos. E as maiores empreiteiras do país foram impedidas de participarem de novas licitações da petroleira, além de responderem a processos na Justiça para devolverem o dinheiro desviado. Isso têm impactado o caixa das companhias e levado algumas delas até a recorrem a pedidos de recuperação judicial.

“A queda nas vendas, a incerteza do emprego e o crédito menos disponível bateu direto na construção. E ainda teve o petrolão, que resultou em muita obra parada. O governo também não está conseguindo manter os investimentos em obras de infraestrutura”, avaliou o professor de Economia da Universidade de São Paulo e pesquisador do mercado de trabalho Helio Zylberstajn.

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Depois da construção, o setor de comércio foi o que mais teve baixas em postos de trabalho, com 176.000 vagas a menos. Parte disso explicado pela inflação elevada, queda no consumo das famílias e o fraco desempenho dos segmentos de serviços e varejo. Em seguida, aparecem educação e indústria, com perda de 76.000 e 26.000 vagas, respectivamente.

Informalidade – Um dos dados que mais chamaram a atenção no levantamento do IBGE foi o aumento da informalidade. Tanto os empregos com e sem carteira assinada caíram, 1,1% e 3,6%, respectivamente. Na contramão dessa tendência, no entanto, o número de empregadores e trabalhadores por conta própria subiu 2,2% e 0,6%, respectivamente. “Sem trabalho disponível, as pessoas estão recorrendo ao empreendedorismo forçado. Ou seja, elas acabam montando uma ‘biboca’, indo vender comida na rua etc”, afirmou Zylberstajn.

Na explicação da pesquisa, o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE Cimar Azeredo afirmou que, além do aumento de pessoas que perderam o emprego, muitos brasileiros passaram a procurar trabalho pela primeira vez para complementar a renda familiar, que está cada vez mais comprometida com o quadro de recessão da economia brasileira. “Há dificuldade de permanência do emprego e de geração de novas oportunidades. Então, o cenário que se mostra hoje é de perda de emprego, perda de qualidade de emprego e remetendo a uma geração de trabalho focado na informalidade”, afirmou Azeredo.

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