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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Cabral tenta, mais uma vez, pôr Cabral sob controle. Chamem Machado de Assis!

Ai, ai… Terei de começar este post reproduzindo parte de um texto que escrevi no dia 16 de maio de 2012. Leiam. Volto em seguida. * Sérgio Cabral (PMDB), a mais inimputável das figuras públicas no Brasil depois de Lula, é mesmo um pândego. Em julho do ano passado, ele decidiu criar um Código de Conduta […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 05h40 - Publicado em 5 ago 2013, 22h41

Ai, ai… Terei de começar este post reproduzindo parte de um texto que escrevi no dia 16 de maio de 2012. Leiam. Volto em seguida.
*
Sérgio Cabral (PMDB), a mais inimputável das figuras públicas no Brasil depois de Lula, é mesmo um pândego. Em julho do ano passado, ele decidiu criar um Código de Conduta para os servidores públicos nas suas relações com entes privados. No mês anterior, um acidente com helicóptero havia matado sete pessoas, entre elas a namorada de seu filho e a mulher de Fernando Cavendish. Todos, incluindo o governador, estavam na Bahia para comemorar o aniversário do empresário. Cabral, assim, propunha um código para controlar… Cabral! O governador havia viajado num jatinho emprestado por Eike Batista.

Agora, depois de revelada a sua farra de Paris, em companhia de boa parte do primeiro escalão do governo do Rio — mais o onipresente Cavendish —, o que fez Cabral? Resolveu ampliar o tal Código, entenderam? A nova redação prevê que o servidor deve evitar locais frequentados por prestadores de serviço e aparentar intimidade com fornecedores. Uau!!!

Dançar na boquinha da garrafa com fornecedores e prestadores de serviço, então, nem pensar!

Que homem fabuloso este! Ele é uma espécie de vanguarda e retaguarda ao mesmo tempo. Enfia o pé na jaca, é descoberto, e lá vem um texto proibindo… que se enfie o pé na jaca. Cabral transgride, e Cabral contém.

Ah, se Machado estivesse vivo, morando ainda li no Catete, na rua Cosme Velho, nº 18, Cabral desbancaria Simão Bacamarte, o “médico de loucos” de “O Alienista”. Seria o governador a criar a Casa Verde para receber os lunáticos, não é? O fim do conto não é surpresa pra ninguém. Depois de prender quase toda a cidade de Itaguaí na clínica, o alienista se convence de que a sua suposta plena normalidade é que era a verdadeira loucura. Solta todo mundo e prende a si mesmo.

Cabral é o Simão Bacamarte moderno, ao mesmo tempo um metro da loucura, tomada como normalidade, e de sua contenção! Logo veremos Cabral dando pito em Cabral em público.

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Voltei
Pois é… Esse era o tempo em que, sabem vocês, este escriba restava como um dos poucos, pouquíssimos!!!, críticos de Sérgio Cabral. Recaía sobre mim até mesmo a suspeita de que não gostasse do Rio…

Viram lá? Depois de fazer farra com fornecedores em Paris, Cabral decidiu disciplinar a… farra. Agora, como a gente pode ler, o governador houve por bem baixar um decreto para disciplinar o uso de helicópteros. A decisão se segue à revelação feita por VEJA de que as aeronaves do estado serviam para transportar até o lulu da família oficial.

Mais uma vez, Cabral chegou à conclusão de que deveria ser mais severo com… Cabral!!!

Informa a VEJA.com:
Basicamente, o decreto 44.310 de 2 de agosto de 2013 formaliza o que foge ao bom senso das autoridades: as aeronaves devem ser usadas apenas para “desempenho de atividades próprias da administração pública estadual”. Em missão ou oficial ou “por questões de segurança da autoridade”. Podem usar os helicópteros o governador, o vice, os chefes de poderes, os secretários de estado e os presidentes de autarquias e empresas públicas.
Sempre que solicitar uma aeronave, a autoridade deverá informar data e hora do voo, motivo do deslocamento, trajeto, tempo previsto de permanência e lista dos passageiros. O decreto também transfere três helicópteros da Casa Civil para a Polícia Civil, a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros. O descumprimento das novas regras implicará em abertura de sindicância e processo disciplinar.

Encerro
O espantoso, convenham, é que já não fosse assim. O governador do Rio tentou, durante algum tempo, fazer de conta que o problema não era com ele. Resolveu recorrer a uma tática que empregou de maneira sistemática desde o primeiro mandato: quando surge algum problema, desaparece; se é para comemorar, cai nos braços do povo. Como esquecer que esse é o governador que sumia quando pessoas eram soterradas pelas chuvas, mas que deu uma entrevista às lágrimas quando resolveram mexer na distribuição dos royalties do petróleo? Como ignorar que este senhor liderou uma passeata coalhada de celebridades contra o projeto aprovado no Congresso? Era o tempo da lua de mel com a imprensa. 

Desde a jornada de protestos, a tática entrou em falência. O governador tentou sumir, mas os manifestantes não largaram do seu pé. A sua reputação foi calcinada em dois meses. Segundo a mais recente pesquisa Ibope, seu governo é aprovado por apenas 12% da população fluminense.

Restou, então, a Cabral tentar, mais uma vez, pôr Cabral sob controle. As celebridades que lhe puxavam o saco, como resta evidente, sumiram. 

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