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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Boquirroto e irresponsável: Gilberto Carvalho diz que governo do Brasil está “disposto a apoiar os movimentos” dos países árabes. Dilma tem de demiti-lo se quiser manter a autoridade

Consta que Barack Obama não quer o Brasil com assento permanente no Conselho de Segurança da ONU (ver post de ontem).  Parece que a irresponsabilidade do governo do Bananão é demais até pra ele. Leiam o trecho de uma espantosa reportagem de Bernardo Mello Franco, na Folha. Volto em seguida: * O ministro Gilberto Carvalho […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 12h55 - Publicado em 7 fev 2011, 05h11

Consta que Barack Obama não quer o Brasil com assento permanente no Conselho de Segurança da ONU (ver post de ontem).  Parece que a irresponsabilidade do governo do Bananão é demais até pra ele. Leiam o trecho de uma espantosa reportagem de Bernardo Mello Franco, na Folha. Volto em seguida:

*
O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) disse ontem, no Senegal, que o governo brasileiro apoia o movimento que pede a queda do ditador do Egito, Hosni Mubarak. Ele comparou a mobilização à luta contra a ditadura militar no Brasil e defendeu que Mubarak convoque eleições para permitir uma transição para a democracia. “O Brasil está acompanhando com muita atenção e disposto a apoiar esses movimentos”, disse o ministro, que representa a presidente Dilma Rousseff no Fórum Social Mundial, em Dacar.

Segundo Carvalho, o Brasil espera que Mubarak tenha “bom senso” e convoque eleições diretas para interromper os conflitos de rua. “Os movimentos de massa se mostram de tal forma fortes que é muito importante uma atitude de Mubarak evitando a violência, que abra a possibilidade de novas eleições”, afirmou o ministro. “Temos a expectativa de que Mubarak tenha bom senso e evite o derramamento de sangue.”

Ele disse ainda que o Brasil espera que o Egito não embarque num regime fundamentalista, cenário que é previsto por alguns no caso de um eventual governo liderado pela Irmandade Muçulmana. Questionado se o Planalto seguiria a posição americana, ele disse que o país não defende “intervenção direta” e manterá atitude de “cautela e apoio à democracia”.

O ditador egípcio foi alvo de protestos na marcha que abriu o Fórum, que reúne movimentos sociais e partidos de esquerda de todo o mundo. Uma das faixas trazia a inscrição “Mubarak assassino”.

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Opinião pessoal
Questionados, o Itamaraty e o Planalto não quiseram comentar as declarações de Carvalho. Desde o início dos protestos contra Mubarak, o Ministério das Relações Exteriores divulgou duas notas sobre a situação do Egito -a última delas defendeu um “aprimoramento institucional e democrático” do país. Já a assessoria do ministro disse que as declarações representam a opinião pessoal de Carvalho sobre o Egito, não do governo brasileiro.

Comento
Uma coisa é o governo brasileiro pedir democracia no Egito e nos países islâmicos como um todo — no Irã,  Lula sempre apoiou a ditadura… — e até mesmo conclamar que não se recorra à violência contra manifestantes; outra, distinta, é dizer que o “Brasil está disposto a apoiar esses movimentos”… Como é? O Brasil está “disposto” a “apoiar movimentos” de insurreição? Ahmadinejad deve estar orgulhoso de Carvalho…

A Rainha Dilma Primeira tem de demitir Carvalho se quiser manter a sua autoridade — quando menos porque está se metendo em área que não é a sua. Pior: está no Fórum Social representando a presidente da República. Logo, é como se a sua fala fosse a de Dilma. Nem parece que Lula estava até anteontem de braços dados com todos os ditadores que agora os petistas querem ajudar a derrubar.

É o fim da picada! É o que dá alçar um mero estafeta de Lula à condição de secretário-geral da Presidência e escalá-lo para representar a chefe do Executivo num evento dessa natureza. Carvalho acha que países podem sair por aí expressando seu apoio a insurreições.

Não adianta! Trata-se mesmo de uma gente torta! Lula na Presidência, o Brasil não deu a menor pelota para os direitos humanos — votou contra Israel, mas não contra o assassino do Sudão, por exemplo — e foi muito criticado por isso. Dilma resolveu mudar a escrita. Entendo! Gilberto Carvalho, então, passa a declarar o apoio do governo a levantes.

A permanência de Carvalho no governo é uma questão de autoridade — ou de falta dela.

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