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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Baradei, um dos líderes da oposição no Egito: “É preciso parar de demonizar a Irmandade Muçulmana”

No Estadão: Depois da revolução na Tunísia, observadores internacionais perguntam-se se os governos de outros países do Norte da África também poderão cair. Em uma entrevista concedida à revista Der Spiegel, Mohamed ElBaradei, ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e integrante da oposição ao presidente egípcio, Hosni Mubarak, falou sobre as consequências para […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 13h03 - Publicado em 26 jan 2011, 04h41

No Estadão:

Depois da revolução na Tunísia, observadores internacionais perguntam-se se os governos de outros países do Norte da África também poderão cair. Em uma entrevista concedida à revista Der Spiegel, Mohamed ElBaradei, ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e integrante da oposição ao presidente egípcio, Hosni Mubarak, falou sobre as consequências para o governo do Egito e sua esperança de que o povo do país possa emular o exemplo dos tunisianos.

Na terça-feira, a oposição no Egito conclamou a realização de um Dia da Ira em todo o país. O sr. apoia os protestos?
Sim. Sou favorável a todas as reivindicações pacíficas de mudança. Meu apelo pela introdução de reformas não foi atendido pelo regime, o que deixa ao povo, como única opção, ir às ruas.

O sr. acredita que as manifestações levarão a uma mudança?
Elas marcam o começo de um processo histórico. Pela primeira vez na história recente do Egito, o povo está realmente disposto a ir às ruas. A cultura do medo cultivada pelo regime foi quebrada. Agora não há mais volta.
(…)
Como possível adversário de Mubarak nas eleições presidenciais de setembro, o sr. quer a mudança pelo voto. Não é muito tarde para isso agora?
É possível que meu país esteja enfrentando uma fase de instabilidade. A liberdade tem seu preço, mas qualquer pessoa concorda que a estabilidade deve ser nossa meta.

(…)
Será que [o governo] ainda poderá impedir que os protestos se espalhem?
Para isso, Mubarak teria de renunciar a se candidatar às eleições e permitir uma Constituição democrática que torna possíveis eleições livres. E, naturalmente, a lei marcial que foi imposta no país nos últimos 29 anos teria de ser revogada. Sem essas concessões, o regime não sobreviverá.

Israel teme uma revolução no Egito. Em Jerusalém, muitos acreditam que, nesse caso, a Irmandade Muçulmana tomaria o poder e declararia guerra ao Estado judeu.
Devemos parar de demonizar a Irmandade Muçulmana. Não é correto acreditar que só nos resta escolher entre a opressão sob Mubarak e o caos dos extremistas religiosos. Tenho muitas divergências com a Irmandade Muçulmana. Mas ela não cometeu nenhum ato de violência nos últimos 50 anos. Se quisermos democracia e liberdade, teremos de incluir esse movimento em lugar de marginalizá-lo.

O sr. concorda com a teoria do efeito dominó, segundo a qual a revolução na Tunísia é apenas o começo?
Talvez estejamos vendo os primeiros sinais de uma Primavera Árabe (semelhante à chamada Primavera de Praga, a liberalização política da Checoslováquia, em 1968). Nossos vizinhos acompanham atentamente o que acontece no Egito, que sempre exerceu um papel pioneiro. Espero que meu país seja um dos primeiros nos quais a liberdade e a democracia desabrocharão. Nós, egípcios, deveríamos poder realizar o que os tunisianos conseguiram.
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