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Reinaldo Azevedo

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Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura
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Ameaças de agressão e de morte. Ou: Quem tem a simpatia da Globo precisa do apoio até do pequenino Reinaldo Azevedo? Por quê?

Na segunda-feira próxima, este blog completa sete anos. Nunca, como nesta última semana, recebi tantas ameaças de agressão e de morte. Nunca se enviou pra cá tanta baixaria. Resta-me, como é o normal nesses casos, tomar as devidas providências, o que já comecei a fazer. As mensagens dessa natureza serão enviadas à Polícia — também […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 05h58 - Publicado em 20 jun 2013, 05h27

Na segunda-feira próxima, este blog completa sete anos. Nunca, como nesta última semana, recebi tantas ameaças de agressão e de morte. Nunca se enviou pra cá tanta baixaria. Resta-me, como é o normal nesses casos, tomar as devidas providências, o que já comecei a fazer. As mensagens dessa natureza serão enviadas à Polícia — também à Federal, que tem uma divisão que cuida de crimes ligados à Internet. E Por quê?

Porque decidi lembrar que o Brasil vive, por enquanto ao menos, num regime democrático, em que vigora o estado de direito. Porque decidi lembrar que ninguém, maioria ou minoria, tem licença para suspender prerrogativas constitucionais. Porque decidi lembrar que, numa democracia, governadores, prefeitos e o(a) presidente da República são autoridades do Executivo legitimamente eleitas.

“E então se deve concordar com tudo o que fazem?” Não! Existe um modo de contestar a ordem — que, nas democracias, também pertence ao universo da ordem. O contrário disso é a anarquia.

Basta ver o noticiário das TVs, inclusive e muito especialmente o da TV Globo. Não estou fazendo juízo de valor agora. Estou apenas registrando um fato. Se formos transcrever o noticiário da emissora — incluindo o da GloboNews (se alguém dispuser de meios, que o faça para constatar) — e submetê-lo à nuvem de palavras, o par “forma pacífica” vai aparecer enorme, gordão, em letras garrafais. Em segundo lugar, estou certo, aparecerá o advérbio “pacificamente”. Em terceiro, creio, virá “pequeno grupo” — referindo-se aos baderneiros — e, depois, “minoria”, para designar a mesma turma.

Isso caracteriza, parece, uma decisão editorial. Estabeleceu-se como linha justa do registro, segundo a qual as manifestações são pacíficas. Ponto final. Agora vai um juízo, sim: NÃO SÃO! Decidiu-se que os que partem para o quebra-quebra são forças que se infiltraram na maioria pacífica. Agora vai um outro juízo, sim: ISSO NÃO É VERDADE!

Digam-me uma só democracia do mundo em que levar uma cidade, como aconteceu em São Paulo, à virtual paralisia seja “forma pacífica” de manifestação. A palavra de ordem que convocava o ato falava por si: “Vamos parar São Paulo”. Quem viola um direito fundamental, garantido pela Constituição, de milhões de pessoas não é pacífico. Por que não pediram ao poder público que se isolasse o Vale do Anhangabaú, por exemplo, para que pudesse abrigar os manifestantes?

A resposta é simples e óbvia: porque isso não geraria transtornos. Ao causar danos efetivos a milhões de pessoas, pressiona-se o poder público, que é, então, sequestrado pela causa. Assim, paralisar a cidade se insere numa escalada de agressões de que a depredação e o saque são graus mais elevados, mas ainda não o ponto extremo, que corresponde à eliminação do inimigo, à sua morte. Chegou-se perto em São Paulo e no Rio, com a tentativa de linchar policiais. E é esse o teor das ameaças que me fazem.

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Assim, é evidente que os manifestantes tiveram uma cobertura mais do que simpática da TV Globo e da maioria dos meios de comunicação. Essas são palavras literais da jornalista e apresentadora do Jornal Nacional, Patrícia Poeta, ao se referir à suspensão do reajuste das tarifas em São Paulo e Rio: “Foi uma vitória dos manifestantes que pacificamente foram às ruas nos últimos dias”.

Em nenhum momento os representantes do Passe Livre criticaram explicitamente a violência. Ao contrário: um de seus líderes se disse contrário, claro!, ao quebra-quebra, mas classificou os atos de vandalismo de “revolta popular”. E acabou! Ontem, Mayara Vivian pôde anunciar em rede nacional que a luta continua, agora pelo passe livre mesmo e também contra o latifúndio urbano e rural. Hoje, haverá a festa da celebração da irracionalidade. Mas já comecei a tratar de questões que são de outro post.

É bem verdade que este blog passou, ontem, das 300 mil visitas e que posts são reproduzidos por centenas, talvez milhares, de outros blogs. Mas sou pequenino perto da Globo e das demais emissoras de TV, certo? Então esse valentes, que lutam por um mundo melhor — embora os jornalistas precisem se esconder deles, mesmo lhes dando apoio —, não podem conviver com uma ou duas opiniões contrárias? Assim como se negam a negociar (ou levam tudo ou param a cidade), não aceitam que alguém discorde de sua causa e métodos? Pois é. Parece que, no mundo desses patriotas, a liberdade será sempre a liberdade de quem concorda. “O movimento não pode ser responsabilizado pelas ameaças.” Não? Que sentimento e que moral estão sendo mobilizados?

Considero uma espécie de mimo da inocência achar que estamos diante de uma “virada interessante” no clima do país. Trato disso em outro post, também desta manhã-madrugada. Não estamos, não! Não do jeito como se estão fazendo as coisas.

Eu jamais apoiarei um movimento que viola um direito fundamental da Constituição.

Eu jamais apoiarei um movimento que torna o país mais intolerante com a divergência.

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Eu jamais apoiarei um movimento que obriga o poder público a tomar uma decisão irracional.

Eu jamais apoiarei um movimento que tem como horizonte tornar o individuo ainda mais dependente do estado.

Eu jamais apoiarei um movimento que agride severamente investimentos, que poderiam gerar mais emprego, renda e benefícios para a população.

Eu jamais apoiarei um movimento que não reconhece a existência das instâncias institucionais.

“Ah, mas o PT também está se dando mal”, dirá alguém. Que se consolide aqui e para sempre uma coisa importante: AS ESCOLHAS DOS PETISTAS NÃO CONDICIONAM AS MINHAS ESCOLHAS. Eles não servem nem para definir o que eu NÃO PENSO, entenderam? Ah, sim: acabei não respondendo a pergunta. Por que precisariam da opinião favorável até do Reinaldo Azevedo? Porque são incapazes de ouvir um “não” e de conviver com o contraditório.

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