ALÔ, PROFESSORES DE SP! LIVREM-SE DO CABRESTO DA APEOESP! OU: SINDICALISMO E AFRONTA À DEMOCRACIA
Lembram-se da “Bebel”, a “presidenta” da Apeoesp, sindicato dos professores da rede oficial de ensino? Pois é… Agora estou como a raposinha de O Pequeno Príncipe. Aquele ser me cativou. Ela me acha, sei lá, direitista, reacionário e bobo. Não tem importância! Ela conquistou em mim aquela coisa essencial, mas invisível aos olhos, entendem? Até […]
Lembram-se da “Bebel”, a “presidenta” da Apeoesp, sindicato dos professores da rede oficial de ensino? Pois é… Agora estou como a raposinha de O Pequeno Príncipe. Aquele ser me cativou. Ela me acha, sei lá, direitista, reacionário e bobo. Não tem importância! Ela conquistou em mim aquela coisa essencial, mas invisível aos olhos, entendem? Até porque eu vejo as fotos autorizadas desta senhora e penso, por alguma razão, no Poema de Sete Faces, de Drummond. A face que me parece mais próxima da verdade possível é a de vídeos seus no Youtube… Adiante.
A “presidenta” está convocando uma assembléia de professores para o dia 5. Não! Vamos tratar a coisa direito: ela já está convocando uma greve antes mesmo de a categoria se posicionar. É uma tática esperta, que conheço bem, de quando eu também promovia agitação. É bem verdade que eu tinha 17, 18 anos — um terço, por aí, da idade que Bebel tem hoje. A minha juventude explicava ao menos em parte a minha estupidez.
Faz-se uma convocação de assembléia direcionada e se espera que compareçam ao encontro apenas aqueles que concordam com o grito de guerra. Os professores devem andar aí pela casa dos 150 mil. Convoca-se a greve antes mesmo da assembléia, arma-se o circo com uns 800 gatos pingados e se decreta a greve com o votos de uns 600 — 0,4% da categoria. Depois, é o caso de fazer passeata na Paulista, violar o direito constitucional de ir e vir, agredir policiais, provocar a reação e sair posando de “vítima da repressão” no SPTV. As coisas já aconteceram rigorosamente nesta ordem em que estou relatando.
Mas volto àquela figura que me cativou tanto, especialmente em seu blog, em que percebo aquele olhar maroto, que me faz sonhar. Vejam o que escreve Bebel:
O governo enviou nesta sexta feira à Assembléia Legislativa projeto de lei que incorpora a Gratificação de Atividade do Magistério (GAM) em duas parcelas: a primeira, com percentual de 10%, em março deste ano; e a segunda, com percentual de 5%, prevista para março de 2011. Em março de 2012 a GAM deixará de existir. A incorporação é extensiva aos aposentados.
Esta proposta do governo constitui verdadeira afronta ao magistério, tendo em vista que a própria justiça já tem dado ganho de causa aos professores que ingressam com ação para a incorporação da GAM.
A incorporação da gratificação é uma reivindicação de sempre dos professores. Mas Bebel acha que ela é ruim porque teme, é evidente, que o benefício “desmobilize” a categoria. Seu argumento é um primor da falácia: quem recorre à Justiça já tem a incorporação — como se isso não demandasse nenhum esforço e tivesse solução imediata. Ela também reclama que o governo decidiu fazer a incorporação sem negociar. Ela acha que era preciso ter dado aos professores a chance de recusar o benefício…
E Bebel não economiza:
“Mas, engana-se o governo se pensa que vamos tentar tirar este bode da sala. Queremos reajuste e vamos à luta pela recuperação do poder de compra de nossos salários.
No dia 5 de março, paralise sua escola e compareça às 15 horas na Praça da República. Vamos realizar uma grande assembléia e parar a educação no estado de São Paulo.
Salário, emprego, carreira, sim! Provinha e provão, não!”
Bebel não conhece o significado da expressão “bode na sala”. É professora de português, com mestrado (!), e membro do Conselho Nacional de Educação. É bem verdade que, dada a sua carreira no sindicalismo, parece estar longe da sala de aula faz tempo. Pode ser uma sorte. Mestra em português, ela ainda mete uma vírgula depois da conjunção adversativa “mas” — o que seria possível se estivesse intercalando algum termo ou oração. Trata-se de um erro comuníssimo de alunos, que cabe ao professor corrigir… Como Bebel não introduziu nem termo nem oração, só introduziu um pouquinho de ignorância. Escrevi em meu primeiro post que ela só é membro do conselho porque é sindicalista, não por méritos intelectuais. Ela ficou brava comigo e disse que eu ataquei a Apeoesp. Estou é defendendo a Apeoesp da partidarização. E também ajudando Bebel com as vírgulas. Vale dizer: sou um homem bom.
A Apeoesp é um dos sindicatos aparelhados pelo PT. Seus filiados imaginam estar sendo liderados por pessoas interessadas na sua carreira. Não! Estão sendo manipulados por um partido político. Leiam trecho de outro post de Bebel, em que ela envereda, vamos dizer assim, pela economia política:
A crise econômica mundial, apesar de sua gravidade, causou um impacto relativamente pequeno no nosso país, em decorrência das medidas adotadas pelo governo brasileiro, preservando o mercado interno, através de isenções fiscais, ampliação de investimentos (através do PAC) e também dos programas sociais. Assim, o governo não apenas ampliou os recursos do Bolsa Família, mas também criou o programa Minha Casa Minha Vida e outros.
Se tais medidas oneraram os cofres da União, pesaram menos para Estados e Municípios, em virtude de medidas adotadas. Um dos Estados mais beneficiados foi, sem dúvida, o Estado de São Paulo, devido ao seu peso na economia nacional.
É o samba-da-sindicalista-doida!
Por que isso?
“Ah, por que pegar no pé da Apeoesp?” Em primeiro lugar, porque essa gente faz um mal imenso aos professores, aos estudantes e ao Brasil ao se opor, de maneira estúpida, REACIONÁRIA, aos programas implementados pelo governo do Estado que remuneram também o mérito, o esforço e a especialização. Vejam post de sábado sobre reportagem da VEJA que demonstra os benefícios da meritocracia na educação. É tudo o que esse tipo de sindicalismo mais detesta.
Em segundo lugar, mas não menos importante, porque estamos diante da manifestação de um método: um sindicato, controlado por um partido — no caso, o PT —, atua de modo deliberado contra um governo ocupado por um partido adversário. Não se trata de uma luta sindical, mas de uma luta política. A crítica à incorporação da gratificação deixa clara a lógica do “quanto pior, melhor”.
Em terceiro lugar — mas sempre em linha com os outros malefícios —, é evidente que se trata de mobilização da máquina partidária e sindical contra um “adversário” do PT na boca da urna. A intenção é levar intranqüilidade aos lares para tentar desgastar o governo de São Paulo. E pouco importa que os principais prejudicados sejam os alunos, as crianças pobres, que não têm condições de freqüentar uma escola privada. O conjunto é uma afronta à democracia.
Por que Dona Bebel teme tanto uma “provinha ou um provão”? Posso imaginar… Não obstante ser ela a professora de português, pode ter comigo umas aulinhas de Oração Subordinada Adverbial Concessiva Reduzida de Infinitivo. E ainda vai de bônus o uso da vírgula nas Coordenadas Sindéticas Adversativas. Sou reacionário, Bebel, mas tenho um coração enooorme!!!







