Ainda as células-tronco embrionárias e o STF
Caros, para os inimigos, eu já sou demais; para os amigos, pouco. Não dá tempo de comentar tudo, não é? Sou obrigado a escolher o mais urgente. Já escrevi bastante sobre a questão das células-tronco embrionárias. Abaixo, fica o registro factual publicado no Estadao On Line. Cometo depois: Por Celso Junior:O relator da Ação Direta […]
Por Celso Junior:O relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) no Supremo Tribunal Federal (STF) que contesta a autorização para o uso de embriões humanos em pesquisas científicas apresentou voto a favor da liberação desses estudos, bem como a presidente da corte, mas o julgamento acabou suspenso por um pedido de vistas. Com isso, o caso ficará fora da pauta de votação do STF por até 30 dias, e só então voltará para a fila de matérias a serem apreciadas.O relator, o ministro Carlos Ayres Britto, afirmou que o embrião congelado, nas condições descritas na Lei de Biossegurança para uso em estudo científico, é uma vida vegetativa, sem consciência. “A única trilha que se lhe abre é a do seu desperdício”, disse, se não for usado para ajudar a curar outras vidas. Em seu voto, afirmou que a Constituição Federal não afirma quando começa a vida humana e que a “dignidade da vida humana” defendida na Constituição refere-se à pessoa já nascida, que existe “entre o nascimento vivo e a morte”.O ministro que deveria votar em seguida, Carlos Alberto Menezes Direito, pediu vistas ao processo, paralisando o andamento da votação. Mas a presidente do Supremo, ministra Ellen Gracie, fez questão de manifestar seu voto, e acompanhou a posição do relator. Ao conceder o pedido de vistas de Direito, a ministra lembrou que o processo está desde 2005 no STF e que a comunidade científica brasileira aguarda uma definição sobre o caso. De acordo com reportagem de O Estado de S. Paulo, a indicação de Direito ao STF teve apoio do representante diplomático do Vaticano do Brasil, d. Lorenzo Baldisseri. O Vaticano é forte opositor das pesquisas, já que a hierarquia católica acredita que o direito à vida tem início logo na concepção.A CNBB foi representada no julgamento pelo jurista Ives Gandra Martins, que falou contra os estudos com embriões humanos. Embora não tenha votado formalmente, o ministro Celso Mello fez um amplo elogio ao relatório de Britto, indicando que, quando chegar sua vez, também votará a favor das pesquisas. O destinatário dos direitos fundamentais definidos na Constituição, argumentou Britto na leitura de seu relatório de quase 80 páginas, é o ser humano já nascido, residente no Brasil, “mas não residente em útero materno ou tubo de ensaio”.“O embrião é o embrião, o feto é o feto e a pessoa humana é a pessoa humana”, disse ele, dizendo que a pessoa humana “não se antecipa à metamorfose” das formas anteriores. “Ninguém afirma que a semente já seja a planta, a nuvem, a chuva, a lagarta, a crisálida e a crisálida, a borboleta”. “Não há pessoa humana embrionária, mas embrião de pessoa humana”, afirmou o relator, que também citou os músicos Tom Zé, Ana Carolina e o poeta Fernando Pessoa, ao defender que o ser humano é a “pessoa biográfica”.O ministro citou ainda o Estatuto da Criança e do Adolescente, que afirma que é considerada criança a pessoa que ainda não atingiu os 12 anos de idade, a contar “do primeiro dia de vida extra-uterina”. Britto destacou, ainda, que os embriões de que tratam a Lei de Biossegurança, que autoriza as pesquisas, não foram produzidos em um corpo de mulher, e portanto não contariam com a proteção das leis contra o aborto. Britto traçou um paralelo entre o fim da personalidade humana com a morte cerebral, a despeito de ainda haver vida no corpo, sustentada por aparelhos, e a situação dos embriões congelados.
Comento
Já debati o mérito dessa questão (para ler, clique aqui e aqui). Mantenho o que escrevi há dias, pois. O clima no Supremo é de aprovação das pesquisas, com as restrições que já estão postas, para as quais colaborou, diga-se, a boa militância da Igreja Católica. Se a vida cessa com a morte cerebral, e não me consta que a Igreja Católica seja contrária a transplantes, então ela tem início com as primeiras atividades cerebrais também. O argumento é forte.
Mais: reitero que os católicos estão perdendo uma oportunidade histórica de proclamar uma vitória na sua posição sobre o aborto — e agora referendada pela ciência. Já não dá mais para dizer que é apenas uma questão de fé. Nesse caso, algumas “católicas” poderão até reivindicar o direito de “decidir”, mas jamais como católicas — e, a prevalecer o entendimento em curso, a Justiça lhes dirá: não lhes cabe decidir. Pensem nisso.
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